ruínas de machu picchu

Aguas Calientes, Peru (Machu Picchu)

 

Caminho a Machu Picchu

Interessado em conhecer as famosas ruínas situadas na montanha Machu Picchu? Pois saiba que não é tão fácil assim chegar lá por conta própria. Se você não quer gastar uma fortuna pelo trem, o tempo que se toma desde Cusco até o povoado de Aguas Calientes pode levar um dia todo entre transporte público, privado e a pé.

Ainda que estivesse sozinho, consegui negociar um preço excelente com o Wayna Mundo Explorers, agência localizada na Av. El Sol, bem no centro da cidade de Cusco. Por apenas 50 soles (valor quase igual em reais), teoricamente garanti a ida e a volta em uma van compartilhada até a Hidroelectrica, ponto final para veículos rodoviários. Se estivesse usando ônibus onde possível e dividindo um transporte particular no resto do trecho, o montante não sairia por menos que isso.

As mais de 6 horas líquidas se deram ao longo de estradas com belas paisagens de morros esverdeados, mas um tanto perigosas, principalmente em sua parte final, onde os veículos que se arriscam passam sobre caminhos de chão ao lado de penhascos sem guarda-corpo ou ao menos acostamento.

road to machu picchu

No desembarque, um bando de mochileiros se aglomerava para seguir pela borda da ferrovia ou retornar a Cusco. Junto a eles, os turistas mais endinheirados embarcavam no caríssimo trem.

Ao longo das 2 horas e meia de caminhada em relevo plano e clima ameno até o povoado mais próximo de Machu Picchu, há pontes, túneis e vistas de grandes montanhas, florestas e o Rio Urubamba. Algumas barracas vendem comida e bebida no trajeto.

trem machu picchu

Enquanto a maioria seguia a passos apressados em meio à chuva iminente, fui admirando a mata e procurando animais para fotografar. Encontrei algumas aves que nunca havia visto, como o admirável udu-de-coroa-azul (Momotus momota), também existente no Brasil.

udu-de-coroa-azul

Vilarejo de Aguas Calientes

O absurdo nos preços da entrada e transporte ao sítio arqueológico parece ter trazido uma gorda fonte de renda e desenvolvimento ao vilarejo de Aguas Calientes, também chamado de Machupicchu Pueblo. Um tanto charmoso e organizado para os padrões peruanos, está com as obras em pleno vapor. É cruzado pelo Rio Urubamba e cercado por altas montanhas, sendo que em uma delas encontra-se a cidade perdida.

machupicchu pueblo

Há uma quantidade considerável de opções para se ter uma refeição ao longo do adensado meio quilômetro de extensão do povoado. Acabei ficando mesmo com uma pizza em promoção na praça principal, a Manco Capac, e me recolhi antes do frio surgir.

machu picchu village

Me hospedei em um dos pontos mais distantes, o hotel e albergue Casa Machu Picchu. O quarto compartilhado custou 40 soles.

Depois de um dos mais variados e saborosos cafés-da-manhã de toda viagem e com uma vista de frente às corredeiras do rio, tomei o ônibus de ida para a entrada do parque. Lá se foram mais 12 dólares para nem meia hora de trajeto de subida.

Ruínas de Machu Picchu

Quando cheguei em uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, ainda não havia um bando de turistas, apesar de já não ser tão cedo, pois o parque abre para visitação às 6h da madrugada. Um possível motivo era a densa neblina causada pela estação chuvosa, que estende-se durante o verão. Naquele momento não se via quase nada das ruínas. Mesmo assim, consegui avistar de longe uma viscacha, roedor andino que aparenta ser um coelho, mas que é da família das chinchilas.

viscacha

Nas encostas distantes das ruínas principais e, portanto, menos frequentadas pelos visitantes, como a que leva à ponte inca, vi algumas aves. Entre elas, um beija-flor inquieto e esse bonito canário-andino-negro (Phrygilus fruticeti), registrado uma única vez em nosso país.

canário-andino-negro

Depois disso chegou a hora de encarar a tal da montanha Machu Picchu (Montaña), acessada por um ingresso complementar à atração principal. Mal sabia eu que esse monte desprezado em detrimento do Huayna Picchu na verdade possui 340 metros a mais de altura, o que pode parecer pouco, mas na falta de oxigênio dá uma canseira a mais. O caminho é parcialmente coberto pela mata, mas conforme a altitude vai crescendo a vegetação vai reduzindo.

montanha machu picchu

Muitos degraus de pedra depois cheguei ao topo a plenos 3061 metros, ensopado da umidade relativa do ar e do calor, ainda que este último fosse bem suave. Do topo, uma dezena de turistas aguardava a névoa dissipar para fotografar as ruínas e o Huayna Picchu, bem em frente. Como as nuvens atrapalhavam, deixei para fazer o registro do sítio durante a descida. Daquela distância não pareciam tão impressionantes.

machu picchu mountain

De perto essa história é bem diferente. A Cidade Perdida dos Incas encontra-se em um local tão remoto que nem mesmo os conquistadores espanhóis foram capazes de encontrá-la. Foi descoberta e apresentada ao mundo somente durante uma expedição em 1911 pelo Indiana Jones daquela época, o americano Hiram Bingham.

As explorações e escavações nos anos seguintes extraíram muitas centenas de artefatos dos mais diversos materiais, mas atualmente não se vê nada nas construções vazias das ruínas. Entre os artefatos de metal, nada de ferro, já que os incas não sabiam como fundi-lo, apesar dessa tecnologia já existir na Mesopotâmia desde cerca de 3000 a.C. e o minério estar disponível nos Andes.

ruínas de machu picchu

As construções estão divididas em zona rural e urbana, esta subdividida em habitações vulgares e oficinas, templos, mausoléus e outros locais sagrados, residência real, ficando tudo ao redor de uma grande praça central. Os quartos mostram grandes blocos de pedras finamente encaixadas umas nas outras.

ruínas de machu picchu

Já que o tempo para tomar a van de volta estava encurtando, apressei o passo no caminho. Como para baixo todo santo ajuda, desci a pé mesmo. Há um caminho próprio para pedestres, para que não seja necessário cruzar com os ônibus que sobem a todo o momento.

De volta à Hidroelectrica, o que era para ser apenas um retorno demorado mas tranquilo até Cusco, virou o início de um pesadelo. Com a chuva constante dos dias anteriores, cachoeiras atravessavam a estrada em diversos trechos, aumentando em muito o risco de acidente.

deslizamento em machu picchu

O destemido motorista foi passando obstáculo por obstáculo, inclusive um mais difícil do que o da foto anterior. O problema foi quando uma montanha literalmente desmoronou sobre a pista. Game over pra gente e para a fila enorme de carros, vans, ônibus e caminhões que se formou. Como o dia já estava chegando ao fim, não tivemos opção senão passar a noite no próprio veículo.

machu picchu landslide

O fato dos assentos praticamente não reclinarem foi o de menos. Eu não tinha mais nenhuma comida sobrando, e isso ainda não foi o pior. Como estava traumatizado em carregar excesso de peso em ascensões de altitude, depois da experiência no Vale do Colca, nessa excursão eu havia levado apenas a roupa do corpo! Nem uma mísera jaqueta ou calça para me aquecer nos cerca de 4000 m de altitude em que estávamos, pois por azar encalhamos num dos pontos mais altos da rodovia, de onde era possível ver picos cobertos de neve à distância. Dessa forma, passei a noite tremendo de frio!

Pela manhã, nenhuma máquina se mexia. Para não perder meu voo seguinte a Piura, tive que abandonar o transporte, atravessar a pé ao outro lado e me unir aos demais refugiados na luta pelas poucas e caras vagas de taxistas que apareciam por lá.

Moral da história: estejam preparados para o pior!

Mapa dos pontos de interesse de Aguas Calientes

.

.

Um comentário sobre “Aguas Calientes, Peru (Machu Picchu)

  1. Olá gente
    primeiramente parabéns pelo blog.
    eu sou peruano gostaria falar de machu picchu.

    Machu Picchu é considerada patrimônio mundial pela Unesco .
    A cidade Inca também é uma das maravilhas do mundo, o que atrai turistas do mundo todo. É uma grande área onde o mundo se mistura.
    viagem ao Peru e uma diversidade de pacotes de viagens em Machu Picchu Peru.

Deixe um comentário