Moinho de vento e lago em Zaandam

Amsterdã, Holanda

 

De Londres, seguimos eu, Tati e Tami num ônibus que nos deixou em Gante, na Bélgica. Ficamos algumas horas por lá conhecendo a bela cidadezinha, até chegar perto da hora do transporte seguinte a Amsterdã. Estávamos no outro lado da cidade quando percebemos que o suposto ônibus urbano que nos levaria até o ponto super afastado da Megabus não funcionava no período de férias escolares, que era esse momento! Pelo menos foi o que deduzi da placa em holandês do ponto de ônibus, depois de esperar minutos em vão. Como não havia táxis por ali, corremos com os mochilões até lá. Se tudo ocorresse bem chegaríamos no local devido em cima da hora, mas infelizmente não foi o que aconteceu. O atalho que pegamos foi por cima de uma auto-estrada, mas para nosso azar, o engarrafamento no local atraiu uma viatura policial que quando nos viu mandou retornarmos, pois era proibido o trânsito de pedestres pela via. Tentei argumentar sem resultado. O desfecho foi que perdemos a condução e tivemos que comprar uma passagem de trem consideravelmente mais cara do que a 1 libra que eu havia pagado!

Centro de Amsterdã

Com bolhas nos pés chegamos durante a noite na estação Amsterdam Centraal. Nossa cara devia estar bastante deplorável, a ponto da condutora do bonde não cobrar nosso ingresso para chegar ao hostel Hans Brinker, o único com preço aceitável para aquela noite (atualmente 22,5 euros). O máximo que fizemos foi tomar uma sidra no bar do albergue, antes de capotar.

O café-da-manhã de lá tinha bastante sustância, o problema era a fila quilométrica. Ainda bem que não deixei para a última hora, quando a fila dobrou de tamanho.

Aproveitamos a manhã para passear entre os muitos canais urbanos do centro…

Amsterdam channel

…E as lojas, onde abundavam botões de flores e porcelanas entre os souvenires.

Floricultura no centro de Amsterdã

Num supermercado escondido no subsolo compramos pacotes de stroopwafel, o waffle holandês que, diferentemente do belga, é formado por 2 círculos finos de massa recheada com calda de caramelo. Uma delícia!

Depois de nos perdermos tentando achar um modo de chegar até o outro lado do canal principal, que não possui pontes, mas túneis e balsas, chegamos à hospedagem mais diferente em que eu já havia ficado, uma lancha! O pequeno barco atracado no canal do Noorderpark foi reservado através do AirBnb, ao custo de 187 reais por uma noite.

Matheus Hobold Sovernigo montado em bicicleta em frente a barco no canal de Amsterdã

Junto, ficamos com bicicletas para nós 3. Isso se for possível de chamar as latas-velhas que nos alugaram, cujos freios eram acionados pelo movimento retrógrado dos pedais. Quem diabos tem freado a bicicleta com os pés nos últimos 40 anos??

Aprendendo na prática a pilotar aquela joça e a nos orientarmos nas ciclovias, o que não é fácil à primeira vista, seguimos desbravando o entorno do parque. Na orla do canal principal destacam-se os aerogeradores contemporâneos. Incrível o quanto podíamos chegar perto deles, inclusive tocá-los e tirar selfies.

Matheus Hobold Sovernigo em selfie com aerogerador de Amsterdã

Em seguida, fomos em direção aos moinhos, as turbinas eólicas do passado. No caminho, vimos até mesmo uma praia artificial cheia de gente. Essa e mais outras ficam na área recreativa e natural Het Twiske, protegida pela rede Natura 2000.

Het Tiwske beach at Netherlands

Zaandam

Como depois de meia hora pedalando ainda não havíamos chegado, as garotas decidiram voltar. Perderam, pois cinco minutos depois cheguei a uma zona bucólica e passei pelo primeiro belo exemplar, ainda funcionando na tarefa de movimentar a água.

Moinho de vento e lago em Zaandam

Continuei nas onipresentes ciclovias até chegar ao povoado de Zaanse Schans, no município de Zaandam. Ali estão construções relacionadas à Holanda dos séculos passados, como uma fábrica de sapatos de madeira. Mas o principal atrativo é a aglomeração ao longo de um canal por diversos moinhos restaurados e operantes do século 17 em diante, que podem ser visitados. Entre os principais, juntos na imagem seguinte, estão os denominados Het Jonge Schaap, Oliemolen de Zoeker, Verfmolen De Kat e Gekroonde Poelenburg. Saúde!

Het Jonge Schaap, Oliemolen de Zoeker, Verfmolen De Kat and Gekroonde Poelenburg Zaandam Windmills

Ao lado desse agradável e silencioso ambiente, fica uma área alagada onde registrei a briga de duas donzelinhas, que depois percebi ser um sexo selvagem. Calma que esse é outro tipo de donzela, a parente da libélula da subordem Zygoptera.

Zygoptera mating at grass

Centro de Amsterdã

O sol já estava a baixar, então voltei à cidade. Embarquei com a bicicleta na balsa gratuita que sai a todo o momento para o outro lado do canal em meio a uma confusão de embarcações. Estava crente que ela iria parar na estação central logo em frente. Até que ela mudou de direção e seguiu para o leste!

Tráfego marítimo no canal de Amsterdã

Sem saber que havia mais de uma rota, fui parar alguns quilômetros além do meu destino. Por sorte estava com a magrela para retornar. Estacionei no bicicletário grátis, esperando poder encontra-la em meio a tantas outras na volta. Reparem que a grande maioria possui o mesmo estilo retrô da minha.

Bike parking at Amsterdam channel

Nenhuma experiência em Amsterdam é completa sem conhecer o famoso e controverso Red Light District, onde atividades ilícitas em quase todo o mundo são permitidas ali. Primeiro, os coffeeshops. Para embasar melhor minha opinião, passei por dois. Não curti muito os ambientes, pois achei malcheirosos, escuros e, para minha decepção, não tocaram reggae. Por lá vende-se variantes da maconha. Drogas mais pesadas são proibidas, sendo que cogumelos estão nesse grupo desde 2008. Porém, nos chamados smartshops você pode encontrar trufas, que dizem ter efeito similar.

Provei o tal do bolo espacial (space cake). Como no primeiro coffeeshop, um muffin de chocolate, praticamente não fez efeito, no segundo experimentei um que parecia uma fatia de pão, também de chocolate. Na embalagem dizia para consumir no máximo um por pessoa – quase 2 horas depois fui descobrir o porquê. As coisas começaram a ficar engraçadas sem motivo, o chão a se mexer e as pessoas falarem português. Estava quase em outra dimensão.

Como eu queria ver a parte onde as moçoilas sem pudores expunham seus corpos nas vitrines, lá fomos nós. No meu estado, eu consegui ver apenas bonecas com movimentos robóticos. Não tirei fotos, já que é proibido. Quer se aprofundar nessa questão gastando pouco? Dê um pulo no Red Light Secrets, o museu da prostituição, que fica por ali e custa 7,5 euros a entrada.

O retorno até o barco onde dormiria também foi complicado, já que a balsa tinha acabado de parar de operar, devido ao horário tardio. Ainda bem que eu estava com as duas para me guiar.

No dia seguinte, ainda afetado, com 1 euro fomos para Bruxelas. Para não perdermos o transporte outra vez, chegamos cedo ao ponto da Megabus, que não ficava no centro da cidade.

Mapa das atrações turísticas de Amsterdã

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