Arequipa, Peru

Arequipa, Peru

 

Após uma longa noite dentro de um ônibus vindo de Nazca, cheguei ao amanhecer de 9 de fevereiro de 2016 na primeira cidade expressivamente acima do nível do mar. Estava me sentindo meio enjoado, não sei se pela falta de sono adequado, pelo sol e desidratação em excesso ou pelo ceviche do dia anterior, ou ainda pela altitude, embora os 2500 m não fossem muita coisa. Ainda assim, não medi esforços para conhecer os pontos de interesse para turismo em Arequipa.

Bairro Yanahuara

Tomei um táxi até a hospedagem, que recém havia mudado de endereço, então estava praticamente vazia e precisava de uns reparos e itens básicos. O hostel Home Yuntawasi Backpackers é tocado por uma japonesa e uma francesa simpáticas, além de Spike, o cão. O nome do lugar faz jus à ambiência, me senti mais em um lar do que em um albergue. Os cerca de 25 reais por noite valeram a pena.

hostel arequipa

Yanahuara, o distrito onde fica o Home Yuntawasi, é um bairro de classe mais privilegiada que apresenta arquitetura memorável de diversos períodos da história arequipenha, em uma mistura de estilos. Quem caminhar por suas ruas vai identificar placas que explicam a respeito. O único inconveniente é que fica em uma porção de terra mais elevada que o centro, então é necessário fazer uma forcinha extra nas pernas para chegar e andar por lá.

yanahuara

Caminhei até o centro, 1 km distante. Arequipa é conhecida como a cidade branca, pela tonalidade de suas edificações históricas, o que é fácil de perceber. Essas construções do passado, principalmente igrejas, renderam ao bairro o título de patrimônio da UNESCO. Entre elas consta a Iglesia La Compañia de Jesús e seu claustro. Então não seja claustrofóbico e dê uma passada por lá.

iglesia de la compañía de jesús

Devido ao meu estado de saúde, resolvi comer um prato não típico do Peru. Depois de zanzar pelas ruas centrais, acabei parando no recém-inaugurado restaurante francês Ratatouille Arequipa. Pedi o prato de mesmo nome (ratatouille), que é uma mistura condimentada de vegetais, contendo necessariamente tomate e berinjela, além de um toque da culinária peruana, a pimenta rocoto (Capsicum pubescens). A refeição foi uma grata surpresa: saborosa e barata.

ratatouille arequipa

Mais uma rodada pelo centro e acabei entrando no Mercado San Camilo. É um comércio popular de produtos alimentícios que fica dentro de um grande galpão. Tomei um suco de uma das diversas frutas nativas do Peru, seguindo o caminho do albergue em sequência, pra bater um papo por lá.

mercado san camilo

Monasterio de Santa Catalina

A principal atração do turismo, no entanto, eu só veria no dia seguinte. Depois de aproveitar para descansar bastante, segui para o Monasterio de Santa Catalina de Siena (Convento de Santa Catarina). O ingresso de 40 soles (43 reais) dá acesso ao mosteiro de mais de 20 mil metros quadrados construído em 1579. Há serviço de guia pago, mas as descrições já dão uma boa noção da história desse lugar, que chegou a abrigar 450 religiosos e funcionários. É composto de quartos, salões, ruas, praças, jardins, altares e cozinhas.

santa catalina monastery

Alguns desses cômodos são um pouco sinistros.

monasterio de santa catalina

Outras características marcantes do Monasterio de Santa Catalina são as paredes pintadas, em parte azul e outra vermelha, e a organização e limpeza do santuário. Flores marcam presença em toda parte descoberta.

Monasterio de Santa Catalina

Na saída, um salão com pinturas, encontrei o francês Manu, que havia conhecido alguns atrás antes em Ica. Demos uma volta na cidade e jantamos um prato de frango, bem comum no Peru. Antes de voltar ao albergue, não poderia deixar de registrar a cena noturna da movimentada Plaza de Armas, que é como são chamadas as praças principais de cada cidade peruana.

plaza de armas de arequipa

Nesse dia eu deveria ter escalado por conta própria o imponente vulcão nevado (hoje em dia bem pouco, devido ao aquecimento global) de mais de 5400 m denominado El Misti. No entanto, com o tempo meteorológico bem ruim e os perigos da montanha, acabei não conseguindo convencer ninguém a se juntar a minha empreitada. Como não havia me recuperado 100%, apesar da frustração, achei melhor deixar para uma próxima. Só pude admirá-lo de longe.

Vulcão El Misti em Arequipa

Portanto, antecipei a passagem para o Vale do Cânion do Colca. Antes de partir, comprei na rodoviária um pacote de alfajores arequipenhos, saborosos mas não tanto quanto os argentinos. Por 17 soles passei quase 6 horas sem paradas no longo, porém belo trajeto pelos altiplanos até Cabanaconde. A empresa com que fui chama-se Milagros, mas na verdade o milagre foi aquele ônibus tenebroso ter chegado inteiro até lá. Que saudades dos ônibus da Cruz del Sur, que infelizmente não faz essa rota.

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