Baltimore, MD, EUA

Baltimore, MD, EUA

 

 

Por modestos 5 dólares (menos se eu tivesse comprado com antecedência maior), há poucos meses atrás subi no ônibus da empresa Megabus de Nova Iorque para a capital do estado de Maryland, Baltimore. No entanto, escolhi um horário horrível à noite. Apesar da viagem para Baltimore levar apenas 3 horas, quando cheguei já não havia mais transporte público circulando para chegar ao centro, pois o ponto de destino da Megabus é inexplicavelmente longe, na localidade de White Marsh. Sem internet e no meio do nada (há um shopping próximo, mas já estava fechado há horas), só me restou pegar o táxi guiado por um paquistanês.

Fiquei hospedado em um local credenciado pela Hostelling International, aparentemente o único albergue da região. O fato de eu já ter uma carteira de alberguista me poupou 10% do valor da reserva, que ficou em 30 dólares por noite. Ainda que tenham feito uma confusão com meu pagamento, o que me fez mudar de quarto 2 vezes, é a opção paga mais barata para se ficar. De manhã enchi a pança com waffles carregados com Nutella, disponibilizados no café-da-manhã, e fui atrás de minhas encomendas.

 

Noroeste de Baltimore

 

Para não ter que depender da confiança nos empregados do albergue, testei uma forma de entrega nova para mim, mas que já existe há alguns anos, que é o Amazon Locker. Funciona da seguinte maneira: você compra os produtos no site da Amazon e na hora de definir o endereço de entrega escolhe algum dos pontos onde encontram-se os guarda-volumes do sistema, normalmente dentro de lojas de conveniência ou supermercados. Geralmente, há pelo menos um local por cidade. O frete custa o mesmo de uma entrega comum, mas em meu caso não custou absolutamente nada, pois me inscrevi para um período grátis no serviço premium Amazon Prime.

Alguns dias depois, quando as encomendas chegaram, recebi um código por email. Fique ligado, pois a partir disso você tem apenas 3 dias úteis para recolher os produtos. Sendo assim, tomei um metrô para o shopping Mondawmin Mall, na periferia de Baltimore, onde ficava Corbel.

 

amazon locker

 

Na tela digito o código que recebi e magicamente uma das portas se abre, com minha caixa dentro. Aprovado!

Um policial que me viu usando a máquina veio puxar papo comigo. Apelidado de Dos (será que há alguma relação com o antigo sistema operacional?), o oficial me informou sobre a insegurança da cidade, uma das mais críticas do país e do continente, fato que até então eu desconhecia. Me disse que toda noite atendia algum chamado de homicídio, quase sempre relacionado com o tráfico de drogas, e que ao escurecer eu deveria passar longe dos bairros que estivessem além dos limites do hospital-universidade Johns Hopkins.

Segui o conselho. Dei uma passeada no shopping, caminhei até o Druid Hill Park, onde também fica um zoológico, para testar a câmera nova, e voltei para o centro antes do sol ameaçar baixar. Dica: caso vá usar mais do que duas conduções em um dia, compensa comprar o passe diário de 4 dólares, válido para ônibus, metrô e bonde.

Na foto do parque, um macho de tordo-sargento (Agelaius phoeniceus), ave territorialista potencialmente agressiva comum na região.

 

red-winged blackbird

 

Inner Harbor

 

A zona portuária mais interna, onde o Rio Patapsco desemboca na Baía de Chesapeake, concentra a maior parte das atrações de Baltimore. Uma região decadente no passado, nas últimas décadas Inner Harbor foi completamente revitalizado e está passando pela despoluição da água. De um lado ficam os estádios dos times de futebol americano (Ravens) e beisebol (Orioles), do outro as centenas de conceituados (e caros) bares, restaurantes e baladas de Fell’s Point.

No calçadão à beira-mar ficam ainda diversas atrações culturais, como o centro de divulgação científica Maryland Science Center, o National Aquarium, um dos melhores do país, e alguns bons museus (American Visionary Art Museum, Baltimore Museum of Industry, Ripley’s Believe It or Not!, entre outros); destaque para os 4 navios históricos atracados nos píeres, que podem ser visitados com um passe de 18 dólares. São o Constellation, corveta usada na Guerra Civil Americana; Chesapeake, navio-farol que fazia a manutenção dos mesmos quando ainda não eram automáticos; Torsk, submarino com forte atuação na 2ª Guerra Mundial; Taney, contratorpedeiro sobrevivente do ataque a Pearl Harbor.

 

uss constellation

 

As edificações modernas já são aprazíveis durante o dia, mas ficam com aspecto ainda melhor na iluminação noturna.

 

inner harbor

 

Depois de uma boa caminhada, hora da janta. Por sua localização, a culinária tradicional é a base de seres aquáticos. O prato típico é o bolinho de siri, mas como estava excessivamente caro acabei optando por camarões na rede de restaurantes Bubba Gump. Pelo preço, valeu a pena a escolha.

 

camarão frito

 

Columbia

 

Confesso que o principal motivo de eu ter ficado em Baltimore não foi porque tinha interesse particular na cidade, mas pelo festival de rock que estaria acontecendo na vizinha Columbia. Para chegar lá, já que não era abrangida pelo transporte público de onde eu estava, usei um código de desconto do Uber por ser meu primeiro uso e peguei a carona. O Uber deixa os taxistas no chinelo, pois como constatei nesse e nos seguintes translados os passeios são expressivamente mais baratos, os motoristas são mais educados, os carros mais novos, e não é necessário combinar preço, dar gorjeta ou pagar em dinheiro.

Ao chegar, fiquei zanzando pelo shopping “The Mall in Columbia”, localizado bem ao lado, até o meio da tarde, quando caminhei até o Merriweather Post Pavilion para o festival anual DC101 Kerfuffle. Nos gramados cheios de americanos tive a felicidade de ser encontrado por Joaquim, que eu tinha ajudado na compra dos ingressos pela internet, e sua namorada Victoria.

 

merriweather post pavilion

 

Ficamos ali ouvindo as outras bandas até o show principal que tanto aguardávamos, Blink 182! Há muitos anos queríamos vê-los, mas como o baterista Travis Barker quase morreu em um acidente aéreo, a banda ainda não tinha vindo tocar no Brasil. O jeito então foi aproveitar a turnê do recém-lançado disco California com a nova formação e curtir o showzaço. Além dos principais clássicos, como “All The Small Things”, “First Date”, “The Rock Show”, “Always”, “Dammit”, “Feeling This”, “What’s My Age Again” e “I Miss You”, o trio tocou o novo hit “Bored to Death“.

 

show do blink 182

 

Em êxtase, me separei dos dois e voltei para Baltimore, onde passei outro dia à toa pelo centro histórico, passando pelo bairro Mount Vernon antes de tomar o trem para a capital dos Estados Unidos.

 

washington monument

 

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