Museu Nacional de Arte da Catalunha

Barcelona, Espanha

 

Por míseros 17 euros, em um avião da Ryanair cheguei de Malta a Girona, na Espanha. Só que há um porém nesse valor: como o aeroporto fica a quase 100 km de Barcelona, precisei seguir de ônibus (ou trem) até lá, pagando quase o mesmo preço da passagem aérea! Essa é outra pegadinha das companhias aéreas de baixo custo: geralmente usam aeroportos bem afastados da cidade destino.

Ciutat Vella

Fiquei no albergue Kabul, que por ser voltado a festas tinha sido recomendado pelo Tiago, amigo de infância que encontraria lá. Apesar do nome remeter à capital do Afeganistão, foi um dos melhores lugares onde fiquei na viagem. Tinha uma área comum bem frequentada e muitos brasileiros hospedados, como Matheus e Matheus. Só fiquem ligados que a tarifa da diária varia bastante entre os dias, chegando a quase dobrar do inverno para o verão!

Saímos eu e o Tiago para o city tour a pé pelo distrito Ciutat Vella, que como o nome indica é a parte mais antiga. A Catedral de Barcelona representa bem o estilo do bairro gótico. Começou a ser erguida no século 13, sobre outra mais antiga, mas a fachada neogótica foi feita apenas no século 19.

ciutat vella

Passamos pelo Arco do Triunfo, um monumento criado para a Exposição Universal de Barcelona em 1988. Este portal dá acesso ao Parc de la Ciutadella (por muito tempo o único parque) e ao zoológico.

Arco de Triunfo de Barcelona

O distrito é composto por diversos outros pontos de interesse, mas não entramos em nenhum. O motivo é que os preços estavam um pouco abusivos, mesmo em se tratando da Europa.

Na orla, concentram-se as baladas e bares mais chiques, mas havia poucas pessoas dentro do mar. E em sua parte superior ampla, muita gente se exercitando no final da tarde.

barcelona beach

Voltamos pelo calçadão entupido de turistas conhecido como Las Ramblas, onde, além de apresentações artísticas, barraquinhas que vendiam de souvenires a sementes exóticas e ilícitas chamavam a atenção dos frequentadores.

la rambla semillas

Enquanto meu amigo preguiçoso voltou ao albergue para dormir, entrei no mercado público La Boqueria, nessa mesma rua. Frutas de todos os tipos, chocolates e até frutos-do-mar compunham o cardápio dos estandes. Enquanto tomava um suco e passeava, ouvi os gritos de comemoração da vitória do Barça sobre o Real Madrid, no jogo que acontecia no momento no estádio Camp Nou, a alguns quilômetros dali.

mercado la boqueria

Durante a noite o pessoal se reuniu na área comum do Kabul, enquanto faziam a preparação para a balada. Entre um copo e outro, eu e meu amigo vencíamos duplas de todas as nacionalidades no pebolim. Apesar de nada sóbrios, ficamos invictos. A partir do momento em que fomos para a festa, minha memória deixou de funcionar.

Eixample, Sant Martí e Gràcia

Levantamos como zumbis e nos arrastamos pela cidade. Através da grandiosa malha do metrô chegamos ao famoso Templo Expiatório da Sagrada Família, obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí que era inicialmente neogótica, mas que assumiu uma mistura improvisada de estilos e está eternamente em construção desde 1882. Como a fila para entrada era muito grande, apenas caminhamos em volta no distrito de Eixample. Ainda estávamos nos acostumando com o catalão, uma mistura de espanhol e francês que é a principal língua da região da Catalunha.

Templo Expiatório da Sagrada Família

Próximo, fica a Torre Agbar (renomeada em 2017 para Glòries), instalada no distrito de Sant Marti. O cilindro fálico apelidado carinhosamente de supositório foi erguido em 2004, num estilo arquitetônico oposto às demais atrações de Barcelona. Com 144 m de altura, é visto de longe nessa cidade com edifícios relativamente baixos. Além da forma, o que chama atenção são as placas coloridas de alumínio e a iluminação noturna por por milhares de LED’s.

sant martí

Numa viagem posterior em 2014 fui a outra obra de Gaudí, o Parc Güell, localizado em uma colina do distrito de Gràcia. Seu estilo único facilmente identificável é tão interessante que seu conjunto de obras está listado entre os patrimônios culturais da UNESCO. A entrada geral do parque custa 8 euros. Infelizmente fui tarde demais para explorar seus interiores.

parc güell at night

Montjuïc

Ao fim do dia nos unimos com a galera de Malta (Matheus et al.) para visitar o Parc de Montjuïc, onde ficam alguns atrativos, como o Palácio Nacional. Inaugurado em 1929, dentro dele fica o Museu Nacional de Arte da Catalunha. Embora não esteja aberto à visitação à noite, a vista noturna é interessante…

Museu Nacional de Arte da Catalunha

…principalmente se observada pelo lado oposto, do alto das escadarias, com a vista chegando até a Serra de Collserola. Uma pena que o show de águas na praça em frente ao palácio não ocorreu naquele dia ou hora. Deveria ter checado o horário de funcionamento das fontes mágicas antes.

Montjuïc

Por trás da edificação ficam ainda jardins e parte do centro olímpico dos Jogos Olímpicos de Verão de 1992. Estes com sucesso revitalizaram Barcelona ao que conhecemos hoje em dia, isso sem ter déficit entre o gasto e o arrecadado pelo evento. Já no Rio 2016…

Chegamos à hospedagem a tempo da janta inclusa (macarronada). A balada da vez foi o Opium. Para entrar tinha que estar muito bem vestido e, apesar do ingresso ser barato, foi o lugar com as bebidas mais caras que já vi na vida – uma mísera caipirinha por 15 euros! Ao menos tocava música boa e as pessoas eram bonitas.

Girona

O resultado foi meio desastroso na manhã seguinte. Tiago perdeu o voo (o aeroporto dele era diferente do meu), enquanto eu tive que enfrentar uma verdadeira odisseia. Chegando ao terminal, vindo de metrô, vi que o ônibus já estava arrancando naquele momento. Corri atrás, mas o maldito motorista não quis abrir a porta. Estava crente que chegaria a tempo para o embarque, até perceber que havia visto o horário do ônibus para o dia errado!

Com isso, esperei então pelo suposto próximo transporte coletivo rodoviário a Girona, mas depois de uma hora percebi que ele não aparecia no painel dos horários. Fui perguntar a uma das atendentes, que me informou que o tal ônibus que me disseram para aguardar não existia. Nessa hora, bateu o desespero. Chequei na internet o valor de uma passagem de avião para meu próximo destino: dos 20 euros que tinha pagado, passaria para mais de 400 reais, isso ainda no dia seguinte!

Botei a cachola pra funcionar e descobri que ainda havia uma chance: um trem de alta velocidade em outra estação. Então corri o que podia até o metrô. Bem na hora em que cheguei na tal estação ferroviária, estava para sair bem o trem que eu precisava. Comprei o bilhete às pressas e saltei para dentro alguns segundos antes das portas fecharem.

Passei a viagem toda tenso, pois ainda precisaria pegar um táxi ao saltar do trem. Cheguei ao aeroporto já tarde para o voo, mas por mais sorte que juízo, o mesmo estava bem atrasado. Enfim, depois de usar todos os modais possíveis, consegui embarcar com destini ao aeroporto de Luton (Londres)!

Alguém mais já passou por um sufoco desses?

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