Nascer do sol com balão no templo Soo Lay Gon da Zona Arqueológica de Bagan

Bagan, Mianmar

 

O antigo Reino de Pagan presenteou Mianmar com a acessível Zona Arqueológica de Bagan, um dos maiores e mais belos e interessantes complexos de templos do mundo.

De Rangum a Bagan

Por meio da Golden Myanmar Airlines, paguei 110 dólares para voar em um turbo-hélice decente de Rangum a Bagan. Também é possível ir por meio de trem ou ônibus, mas esses tipos de translado levam a noite ou o dia todo.

Avião da Golden Myanmar Airlines

Ao descer, ainda no aeroporto, comprei o passe da Zona Arqueológica de Bagan, onde ficam os famosos templos antigos do Reino de Pagan. Há milahres deles, construídos entre os séculos 9 e 13, num complexo quase tão grandioso quanto o de Angkor Wat, no Camboja. A diferença é que enquanto em Bagan o preço do passe para 5 dias é de 25 mil kyats (18,5 dólares), o de Angkor para 3 dias custa 62 dólares!

Por mais 5 mil kyats, peguei um táxi até o centro de Nyang U, mais especificamente no Royal Bagan Hotel. Quatorze dólares com café incluído, para o quarto compartilhado com ar-condicionado. É um hotel bom e bonito.

Piscina do Royal Bagan Hotel

Naquele final de tarde, caminhei aleatoriamente pelas ruas do povoado até chegar à área da Shwezigon Pagoda, quando começou a chover. Ali fica uma grande estupa cercada de templos menores e santuários, e seu acesso se dá através de túneis onde o comércio se desenvolve.

Um dos belos templos rústicos que ficam a seu redor é o Thatthe Mokgu Hpaya, com acesso livre.

Templo Thatthe Mokgu Hpaya em Bagan

Já havia anoitecido quando parei para jantar no restaurante San Kabar. No menu, uma coisa me chamou a atenção: enguia por 4500 kyats… não pude deixar de prová-la. E não é que frita em pedaços estava boa?

Prato de enguia frita no restaurante San Kabar em Bagan

Por fim, tomei um chope Myanmar com Gleice e Renan, os brasileiros que havia conhecido no aeroporto de Rangum.

Zona Arqueológica de Bagan

Acordei ainda noite para ver o nascer do sol com os brasileiros. Aluguei uma moto elétrica, principal e mais recomendado meio de transporte para essa cidade. Como deixei para a última hora, paguei 7 mil kyats (~16,7 reais) pelo dia todo, mas havia por ainda menos que isso!

Não é necessária habilitação para motocicleta (que eu não tenho), o veículo é automático e de fácil controle. Depois de algumas derrapadas, para os templos lá fui eu, seguindo a no máximo 40 km/h, que é a velocidade que se consegue chegar.

Moto elétrica nos templos de Bagan

Completamente sozinhos, vimos o esplendoroso nascer logo após às 6 horas no topo dos templos de grupo Soo Lay Gon, onde se consegue subir na parte exterior. E pra acompanhar a vista privilegiada, aos poucos balões ergueram-se nos fundos.

Nascer do sol com balão no templo Soo Lay Gon da Zona Arqueológica de Bagan

Preferia estar em um desses balões? Então prepara-se para pagar algo em torno de mil reais! Tô fora!

Voltei ao hotel para tomar um baita café da manhã em bufê livre, antes de retomar a jornada por dentro e por fora de muitos templos. Danificados por invasões e terremotos, mas ainda assim impressionantes, por possuírem estilos mais variados de arquitetura do que em Angkor.

Bagan Archaeological Zone

Quando fui, os maiores estavam sendo restaurados. E o comércio de souvenires e comida nos arredores dos templos mais famosos é grande a ponto de descaracterizar a atmosfera antiga das ruínas.

Comércio nos templos de Bagan

Em seguida, parei no museu arqueológico (Bagan Archaeological Museum). Custa 5 mil de entrada para estrangeiros. A construção por si só já é incrível, um palácio antigo.

Entrada do museu arqueológico de Bagan

Dentro, centenas de achados das ruínas, como pedras esculpidas, pinturas, joias e estátuas, divididos em algumas salas, além do pavilhão central. As legendas estão também em inglês.

Por dentro do Bagan Archaeological Museum

Em seguida, bati um rango esperto em New Bagan, onde ficam diversos restaurantes e hospedagens. Apesar de não conseguir identificar tudo que comia, estava bem bom – exceto pelo excesso de coentro.

Culinária de Myanmar

Depois, me mostraram a preparação da thanaka, pasta de coloração amarelo clara que as nativas usam no rosto para proteção do sol e como cosmético. É extraída a partir de algumas espécies de árvore, esfregando uma parte do caule numa pedra com água.

Preparação do cosmético thanaka

Tive a infelicidade de pagar mais 5 mil kyats pra entrar na Golden Pagoda, uma réplica meio vazia e sem graça do Mandalay Golden Palace, que eu acabei conhecendo na cidade seguinte.

Golden Pagoda Bagan

Rodei aleatoriamente mais um pouco, parando para contemplar o Rio Irauádi, pouco interessante do ponto de vista paisagístico. Para o pôr do sol achei o complexo Sinbyushin (Hsin Phyushin Monastic Complex), próximo ao vilarejo típico de Minnanthu. Além de ser afastado dos templos mais famosos é alto, tendo uma baita vista de 360 graus. Escalei ele e apenas alguns jovens vieram atrás.

Pôr do sol sobre o complexo de templos Sinbyushin em Bagan

Enquanto isso, na Shwesandaw Pagoda, um monte de gente se empilhava para poder vê-lo quase da mesma forma…

Somente depois desse rolê enorme que a bateria da moto começou a dar sinais de exaustão. Mesmo devagar, consegui chegar são e salvo de volta ao hotel na completa escuridão.

A essa altura você deve estar se perguntando por que diabos a UNESCO não considera essa espetacular zona arqueológica como Patrimônio da Humanidade? Simplesmente porque a Junta Militar que governou o país nas décadas passadas restaurou os templos em ruína com materiais modernos, e ainda construiu um campo de golfe e outras coisas no meio! Mas com a implantação de legislações que visam proteger a Zona Arqueológica de Bagan, ainda há esperança. Aguardem os próximos capítulos…

De Bagan a Mandalay

Deixei Bagan na manhã seguinte, pegando um dos vários micro-ônibus disponíveis diariamente para Mandalay, no meu caso o das 9 h. Lotado, mas com ar condicionado, saiu por 9 mil kyats. No caminho, passamos basicamente pela área rural. Houve uma parada para usar o banheiro e outra para almoço rápido. Quase 5 horas depois chegamos.

Van de Bagan para Mandalay com bebês fofos

Também é possível ir de barco, pelo Rio Irauádi. É melhor para curtir o visual e relaxar, mas o custo e a duração são significativamente maiores, conforme pode ser conferido no site da MGRG Express.

Mapa dos pontos de interesse de Bagan

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