Cairo, Egito
 

 

Vindo de Dubai no começo de abril de 2013, em plena Primavera Árabe, ao desembarcar no aeroporto do Cairo eu e Paulo compramos o visto (nenhum requisito precisava ser cumprido além do dinheiro do mesmo). Assim que botamos os pés para fora, aconteceu o fato mais comum que enfrentamos no país todo, e que de certo modo estragou a viagem: toda pessoa que nos via na rua abordava a gente querendo oferecer algum serviço ou vender algum produto, que quase sempre eram os mesmos: chás/especiarias/essências, artesanato, drogas ilícitas (haxixe principalmente) e mulheres de vida fácil. Forcei-me a aprender algumas palavras e uma frase em árabe para me ajudar a livrar desses malas: “la la la, shukran”, significa enfaticamente “não, obrigado”. Entendo que o país estava (está) numa crise profunda, mas essa abordagem só espanta os turistas.

 

Centro

 

Já com o sol se pondo, aceitamos um táxi que nos deixou próximo a nosso albergue, o Freedom Hostel, um nome que fazia jus ao momento. Levamos algum tempo para localizá-lo, pois ficava em um beco há algumas quadras da famosa praça Tahir, palco dos protestos.

freedom hostel cairo

Caminhamos um pouco pelas ruas, até que um vendedor nos abordou e levou para sua loja. Como ainda não conhecíamos o “golpe”, fomos até o final, acabando por comprar essências de perfume e papiros. Até que os papiros foram uma boa compra, considerando os outros falsificados que vimos depois.

Logo pela manhã começamos o passeio que havíamos fechado com o albergue, já que o preço estava bom e tínhamos receio da segurança: um motorista/guia nos levaria até alguns locais pré-estabelecidos. Após perceber que o trânsito de Cairo era mais caótico do que qualquer lugar que já tivesse visitado e a poluição também não fosse nada agradável, prosseguimos passando por volta da citadela, um antigo forte, e paramos para uma foto no grande Rio Nilo, que propicia a existência de vida em uma ampla faixa ao longo de suas margens.

rio nilo cairo

Grandes Pirâmides do Egito

 

Em seguida, fizemos o tradicional passeio de camelo entre as Pirâmides de Gizé, o segundo patrimônio da UNESCO que visitamos em um dia, já que o decadente centro histórico também é. O turismo andava tão em baixa no país por causa dos protestos que nem nas mais famosas pirâmides do Egito havia turistas! Apenas nós e um casal nos aventurávamos pelas areias durante aquela manhã. Como não havia disponibilidade de “veículos” suficientes, nos revezamos entre um camelo, um cavalo e um jegue. Ô bichinho grande esse tal de camelo!

A única das Sete Maravilhas do Mundo Antigo ainda existente impressiona ao se chegar aos pés de seus atuais cerca de 140 m, o maior prédio da humanidade durante milênios. Teorias da conspiração de sua origem à parte, se o descaso dos egípcios continuar, não vai durar muitos séculos a mais, afinal, os guias incentivaram que subíssemos alguns degraus das pirâmides, que já não estão em seus melhores estados. Eles inclusive nos deram uma lasca da própria pirâmide (!). Obs: esse pseudo-árabe da foto é o Paulo, e não o guia.

pirâmides do egito

A proximidade com a cidade também não ajuda, visto que ao redor existe uma conurbação urbana bem expressiva.

great pyramids

Junto às maiores pirâmides do Egito, e a cerca de 100 m da cidade (!) fica a enigmática Grande Esfinge. Há séculos está com o nariz do Michael Jackson e, apesar das várias teorias, ninguém sabe como realmente ocorreu essa cirurgia plástica.

sphinx egypt

Sacara

 

Nossa próxima parada foi Sacara, uma necrópole onde fica a pirâmide de degraus de Djoser, em restauração, e um sítio arqueológico expressivo cheio de escavações, mas um tanto abandonado; havia várias placas com hieróglifos jogadas pelo chão.

saqqara hieroglifs

Paramos para comer uma refeição típica deliciosa ali perto, feita de um assado com vegetais e caldo, e depois fiquei descansando enquanto meu amigo visitava outro local em Memphis, que abrigava uma estátua retirada de outro templo.

restaurante egito

Após retornar e dar outra volta pelo centro de Cairo para encomendar as saborosas esfirras (muito melhores do que as do Habib’s) de uma lanchonete próxima ao albergue, fomos à estação de trem para viajar a Luxor, antiga capital do império egípcio que era conhecida como Tebas. A estação dava certo medo, mas logo encontramos um grupo de turistas e nos unimos a eles. O vagão de dormir até que era confortável, e a refeição mais do que suficiente.

trem cairo luxor

Como ainda comi boa parte da janta do meu amigo, fui dormir estufado, o que não me fez muito bem, durante o caminho até Luxor.

 

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2 comentários sobre “Cairo, Egito

  1. Fantástico o seu blog! Estou indo para Dubai em junho, pensei em conhecer Omã e talvez o Iêmen, tentei olhar passagem de Dubai para Cairo, mas tudo muito caro, por qual empresa aérea você foi? Muito obrigada e parabéns pela riqueza em detalhes nas suas descrições.

    • Olá! Muito obrigado pelas considerações, é gratificante pro autor ler isso 🙂 Fui pela Emirates em um vôo combinado desde o Brasil passando por Dubai, Cairo e Colombo, aproveitando uma promoção em que o total ficou em 2500 reais. Dentro do Egito voei com a EgyptAir.

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