Cachoeira Gullfoss no sul da Islândia com arco-íris

Região Sul, Islândia (Círculo Dourado)

 

Custo de vida na Islândia

Do aeroporto de Oslo-Gardenmoen, eu e meu amigo Paulo voamos cedinho pela melhor low cost europeia, a Norwegian Air Shuttle, até o aeroporto internacional de Keflavík, o principal para quem vem de fora do país. O tranquilo voo de 49 euros teve até wi-fi grátis! Caso não tivéssemos escolhido essa cia, a outra opção de baixo custo seria a easyJet a partir do Reino Unido; atualmente, a Wizz Air também opera a partir do leste europeu com tarifas bastante reduzidas. Ao usar essas companhias aéreas, só é preciso prestar atenção na política de bagagem, para não acabar pagando o dobro.

Finalmente havia chegado o momento mais esperado dessa Eurotrip, conhecer o paraíso natural chamado Islândia, o país mais seguro do mundo. Pagamos relativamente caro no aluguel de um carro pequeno com a Fleet, 186 euros por 4 dias, pois era a melhor opção na época, mas hoje há mais concorrência e o preço reduziu significativamente. Já o litro de combustível está em torno de 200 coroas islandesas, ou 5,8 reais. Para compensar, ao menos quase todas as belezas naturais do país são de livre acesso e custo (até mesmo o estacionamento!), o que permitiu que pudéssemos economizar nessa parte. Se você está considerando conhecer o país além da capital Reykjavik e o Círculo Dourado (Golden Circle), que é a rota mais turística, pode esquecer a locomoção por ônibus, seja por empresas privadas ou mesmo pelo sistema público chamado Strætó BS. Só para se ter uma ideia, cruzar o país com ônibus regulares pode custar até mil reais para um adulto!! Caso esteja sozinho, vale considerar levar uma bicicleta (fora do inverno, claro) ou apelar para as caronas.

Outro benefício de estar em dois com um carro é o de economizar com hospedagem, ainda que haja albergues disponíveis em boa parte das cidades, além de hoteis de 2 estrelas e casas um pouco mais caras no Airbnb. Acampar é outra possibilidade bem viável, pois você pode armar uma barraca em praticamente qualquer lugar que não seja um parque nacional ou propriedade privada, ou ainda nos diversos acampamentos disponíveis por cerca de 40 reais.

Já em posse do carro alugado, seguimos na península de Reykjanesbær (podem ir se acostumando com caracteres estranhos existentes no idioma islandês) até o mais próximo supermercado da rede Bónus. Com seu inconfundível mascote, um cofre de porquinho rosa, é a mais acessível do país. Tão econômica que toda a comida que eu comprei para passar 4 dias custou em torno de 120 reais, basicamente nada, se considerar que a Islândia é um dos países mais caros do mundo. Apenas UMA refeição típica em um restaurante típico de uma cidade típica pode chegar a isso! Isso explica a falta de restaurantes em localidades menores. Com esse valor eu consegui o suficiente para passar esses dias comendo sanduíche de queijo, presunto, alface, tomate e picles, biscoito de chocolate, suco de laranja, maçã, leite e skyr, que é um delicioso e nutritivo tipo de leite fermentado não pasteurizado local semelhante ao iogurte. Quer variar? Há lanchonetes Subway nas principais cidades, com preços pouco acima dos praticados no resto da Europa.

Matheus Hobold e Paulo Faria em piquenique na Islândia

Parque Nacional Thingvellir

Como passaríamos por outras piscinas geotérmicas gratuitas, optamos por não ingressar na Blue Lagoon, complexo de spa muito turístico e caro (6100 coroas islandesas ~178 reais!). Passamos também por fora da capital, sendo nossa primeira parada no Parque Nacional Þingvellir (Thingvellir), já na região sul (Suðurland). Assim como os outros 2 parques nacionais, o pagamento de entrada é voluntário.

O vale onde fica, além da beleza natural, tem uma importância histórica do período dos vikings, onde os maiores eventos do país tomaram partido. Há resquícios da Althing, uma assembleia estabelecida em 930 e que continuou em operação até 1798. Também são bastante visíveis as falhas geológicas, pois o parque se situa bem no meio de duas placas tectônicas. Por fim, o maior lago natural da Islândia (Þingvallavatn) faz parte da área protegida. Devido a isso tudo, esse é um dos 2 únicos patrimônios da Islândia listados na UNESCO.

Thingvellir National Park

Milhas adiante, percorremos campos enormes de musgos na tundra ártica, o bioma que cobra boa parte do sul da Islândia. Em meio a eles, vimos uma família coletando baldes de bagas minúsculas chamadas de berjamór (Empetrum nigrum), uma tradição dos habitantes. Levemente doces, são melhor usadas para fazer geleias. Esses foram os únicos frutos que vimos em todo o caminho ao redor do país.

Iceland Crowberry (Empetrum nigrum)

Haukadalur

Mais à frente, encontra-se uma das diversas áreas geotérmicas da ilha, no vale de Haukadalur. Entre outros, ali jaz o maior gêiser do mundo, fora os do parque Yellowstone. O Strokkur entra em erupção de poucos em poucos minutos, com jatos de água fervente entre 15 e 40 metros de altura. A turistada se aglomera em volta para vislumbrar esse fenômeno interessante.

Gêiser Strokkur em erupção na Islândia

Continuando o caminho pela zona rural da ilha, é fácil notar a claridade dos corpos d’água que estão sempre a cruzar o caminho, das geleiras centrais para o mar.

Rio na Islândia

Outra das atrações mais deslumbrantes e visitadas do país está logo em frente: é a Gullfoss, a cachoeira dourada. Ainda que seja uma das maiores da Europa, não chega nem perto de nossas Cataratas do Iguaçu, mas nem por isso deixa de ser uma belíssima paisagem, ainda mais se considerar o arco-íris quase sempre presente, que às vezes chega a ser duplo. Essas quedas escaparam por pouco de virar uma hidrelétrica no século passado – bom pra nós turistas.

Cachoeira Gullfoss no sul da Islândia com arco-íris

Essas são as principais atrações do Círculo Dourado, onde ficam mais concentrados os visitantes. Como nossa intenção era cruzar toda a Ring Road, a principal estrada que atravessa a Islândia inteira (ainda que seja de pista única, de tão pouco trânsito que há), prosseguimos. Nas regiões cultiváveis ao redor de toda a massa de terra, há muitas estufas e marshmallows gigantes de feno. Até os cavalos, da raça única islandesa, têm a aparência bastante peculiar. Menor estatura e maior quantia de pelos são algumas dessas características, mantidas pelo isolamento – é proibido importar cavalos.

Cavalo islandês

A noite chegava quando paramos rapidamente para fotografar a Seljalandsfoss. Uma pena eu só ter descoberto depois da viagem que nessa cachoeira de 60 metros é possível caminhar por trás da queda d’água.

Cachoeira Seljalandsfoss na Islândia

O segundo Patrimônio Mundial é Surtsey, uma ilha ao sul dessa cachoeira e que foi formada durante erupções volcânicas de 1963 a 1967. Bastante protegida desde seu nascimento, é um laboratório natural onde é estudada a colonização de espécies e sucessão ecológica sem interferência humana.

Vík

No breu quase total, passamos pelo vulcão impronunciável Eyjafjallajökull (algo como eiafiatlaiocultl), que havia entrado em erupção recentemente. Encostamos nosso carrinho no promontório da praia de Kirkjufjara, sem nem imaginar a vista incrível da Reserva Natural Dyrhólaey que teríamos ao acordar. Para não passar tanto frio, visto que mesmo sendo verão as temperaturas podem ficar abaixo dos 5 ºC, ligamos o aquecedor do carro. Como não o desligamos, pela manhã acordamos com a bateria completamente descarregada. Apesar de já haver uma porção de carros por ali, como todos eram alugados e não vinham com o cabo para carregar bateria (!), quem nos salvou foi um trailer de venezuelanos que pernoitou no mesmo lugar.

Kirkjufjara beach and Dyrhólaey Nature Reserve at Vík, Southern Iceland

Depois do susto, voltamos um pouco o caminho para localizar o que restava do acidente aéreo de 1973 em uma praia islandesa. Não sobrou muito da carcaça do avião americano Douglas Super DC-3 que está atolado na desértica Sólheimasandur.

Avião americano Douglas Super DC-3 quebrado na praia de areia preta em Sólheimasandur próximo a Vík na Islândia

Voltamos à praia anterior, para contemplar todo esplendor dos seixos e areias negras e das colunas basálticas de Reynisfjara. As rochas poligonais formam a pequena caverna Hálsanefshellir à beira-mar.

Hálsanefshellir Reynisfjara Vík

Cheguei a escalá-las para fotografar mais de perto os puffins ou papagaios-do-mar (Fratercula arctica), desengonçadas aves com rostos bastante peculiares e que se procriam apenas nas regiões árticas.

Papagaios-do-mar (Fratercula arctica) em Reynisfjara

Deixando o vilarejo de Vík para trás, tentamos ainda subir a região montanhosa de Landmannalaugar, na reserva natural Fjallabak, um desafio para nosso veículo urbano 1.0. Fomos vencidos pela falta de combustível e estradas de terra não muito seguras, tendo que retornar à Ring Road. Antes disso, porém, tomei um revigorante banho no gélido rio. O que não se faz pra economizar uns bons trocados, né?

Matheus Hobold Sovernigo em banho de rio no sul da Islândia

Mais além, campos verdes de musgo e escarpas, com a paisagem constantemente variada, e a Foss á Siðu, cachoeira facilmente alcançada a partir da Ring Road.

Foss á Siðu waterfall Iceland

Enfim chegamos a Região Leste, onde demos logo de cara com um cenário impressionante, a ser mostrado na próxima parte.

Mapa dos pontos de interesse do Sul da Islândia

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