another redeemer

Cusco, Peru

 

Depois de mais de 16 horas de ônibus desde La Paz, Bolívia, finalmente desembarquei em Cusco, também escrito Cuzco. O sol nem tinha pintado ainda. Depois de uma revigorada cochilando na sala do albergue, comprei o boleto turístico de 130 soles – 131 reais (70 para estudantes), que dá direito a conhecer 16 das principais atrações, a maioria dentro da própria cidade e algumas em seus arredores. É importante salientar que esses locais são acessíveis somente com um dos diferentes tipos de boletos existentes para compra, já que não há como pagar por um item individual. Como recentemente ocorreram algumas mudanças na acessibilidade dos pontos de visitação, sugiro que confiram no site oficial do Boleto Turístico del Cusco.

Caminhei ao redor do centro histórico, muito bem-cuidado em comparação com o resto do país. Este é composto de uma série de edificações coloniais, sendo que na Praça de Armas (ou Praça Maior) estão as imponentes Catedral de Santo Domingo e o Templo da Companhia de Jesus, além da estátua de Pachacutec, o primeiro imperador inca.

 

praça de armas de cusco

Museus em Cusco

Em sequência, percorri os 4 museus que ficam em volta da praça. Primeiro um que realmente vale a visita, o Museo de Sitio de Qoricancha, no sítio arqueológico de mesmo nome. Esse museu fica no subterrâneo do jardim. Apresenta algumas salas que são uma bela introdução às culturas pré-colombianas do Peru. De representações a artefatos arqueológicos de verdade, o museu apresenta o suficiente de informações escritas para ser auto-guiado.

museo de sitio de qoricancha

O segundo interessante foi o Museo de Historia Regional. Locado em uma construção de arquitetura típica andaluz, abriga um conjunto de coleções arqueológicas pré-incaicas e incaicas, além de obras mais modernas. Apresenta também um filme que demonstra a condenação e execução em praça pública de Túpac Amaru II, o último inca, em 1781. Curiosidade: hoje em dia é difícil passar por uma cidade peruana que não tenha uma rua com o nome do líder.

Já o Museo de Arte Popular e o Municipal de Arte Contemporáneo são quase desprezíveis. O primeiro apresenta uma sala com artesanatos em miniatura e o último alguns quadros. Só. O que salva o segundo é o pátio interno da construção onde fica, o Palacio Municipal.

 

Museo Palacio Municipal

Depois da overdose de museus em Cusco fui almoçar no popular Mercado San Pedro, junto à estação ferroviária. No grande galpão há uma diversidade de opções a partir de 4 reais, muitas delas gororobas não identificáveis. Pelo preço não há como exigir conforto, sabor, espaço e higiene de primeiro mundo.

comedor popular peru

Já aproveitei para comprar na DirCetur (Calle Mantas), o ingresso para Machu Picchu, já que não havia conseguido comprar na internet pois a página oficial do governo exigia cartão Visa, e nos demais o preço era muito superior. Minha intenção era ir também no monte Huayna Picchu, mas como já havia esgotada a capacidade do dia em que eu poderia ir, fiquei com a Montaña Machu Picchu, por um total de 140 e poucos soles. Menos que isso só sendo estudante ou da comunidade andina (Peru, Bolívia, Colômbia e Equador).

À noite, outro atrativo do boleto turístico, a apresentação de danças típicas no Centro Qosqo de Arte Nativo. Na ocasião, houve uma apresentação baseada no carnaval. Cada música demonstrou os trajes e danças de alguma região do país durante essa festividade, que também é comemorada no Peru, mas de uma forma um pouco diferente da nossa. Apesar de levar apenas uma hora, foi deveras interessante. Os trajes usados ficaram expostos em uma salinha anexa.

centro qosqo de arte nativo

Dormi em um dos quartos compartilhados do Kokopelli, uma rede de albergues peruanos. Bem localizado e eu diria que com uma boa infraestrutura, se não fosse pelo chuveiro que só gotejava em todas as noites que ali fiquei…

Sítios arqueológicos

Na manhã andei até o lugar onde saíam os micro-ônibus a Pisac, em um anexo da Avenida Tullumayo próximo a Garcilazo de la Vega. Por 2 soles embarquei em um deles e desci nas terras mais altas de Tambomachay, um dos sítios arqueológicos abrangidos pelo boleto.  Também chamado de El Baño del Inca, compõe-se de duas estruturas principais de rochas de andesito encaixadas, com canalização das águas e terraços com grama aparada, embora eu creia que esse último detalhe não fazia parte da condição original.

tambomachay

Na entrada, uma senhora deixava suas lhamas pastarem. Isso é até comum na região montanhosa. Uma delas possuía sensuais olhos azuis. Não pude deixar de registrá-la.

lama glama

Do outro lado da estrada fica Puka Pukara. Em meio ao céu eternamente nublado da estação, jazia a fortaleza vermelha (tradução do quéchua para o nome). Acredita-se que realmente tinha função militar, devido a sua forma e posição geográfica. O que restou em pé não toma muito tempo a ser percorrido. Assim como o sítio anterior, não há informações escritas, o que dificulta o entendimento da importância dessas edificações.

Pucapucara

Como tinha tempo sobrando, fiz a pé o caminho de volta, uma descida. Mas ao invés de seguir pela estrada, fui por uma pequena trilha que passa por áreas rurais. Assim, vi um grande número de aves, incluindo um gavião e um pica-pau, pelo vale cercado por árvores prateadas ao longo de um riacho e ruínas à parte.

chukimarka

Em seguida passei pelo Chukimarka, ou Templo da Lua. Bem simples, mas aparentemente aberto ao público. Dali a trilha prossegue por um dos trechos do longínquo caminho feitos pelos incas (Qhapaq Ñan).

caminho inca

Parei pouco tempo nos rochedos do sítio de Q’enqo, outro do boleto sem muita atratividade. O que de fato vale uma boa visita é Sacsayhuaman. O nome origina-se do quéchua “lugar onde o falcão se sacia”, e por sinal o nome não deixa de ser atual.

quiriquiri peru

A imponente fortaleza militar e templo ao deus Sol instalada a 3700 m do nível do mar levou aproximadamente 50 anos para ficar pronta, antes da chegada dos espanhóis. As enormes pedras polidas e finamente encaixadas formam uma grande estrutura. Há uma diversidade de construções com funções diferentes nesse terreno.

sítio arqueológico de cusco

Ao lado das muralhas em ziguezague que dividem Sacsayhuaman da cidade fica o Cristo Redentor cusquenho, chamado de Cristo Blanco, que abre seus braços ao cerne urbano localizado morro abaixo.

another redeemer

Retornei a Cusco descendo os degraus do caminho a pé que desemboca na Plaza de Armas e lá permaneci.

Cedinho parti pra Machu Picchu. O caminho até lá não é nada fácil, pois o tempo que se toma pode levar um dia todo, dependendo do orçamento. Por sorte, consegui negociar um preço excelente com o Wayna Mundo Explorers, agência localizada na Av. El Sol. Por 50 soles garanti a ida e em teoria a volta numa van até a Hidroelectrica, ponto final da estrada. Se tivesse usando o transporte público onde possível e dividindo um transporte particular no resto do trecho não sairia por menos que isso, sendo que a duração da viagem seria ainda maior.

Mapa dos pontos de interesse de Cusco

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