Curtume Sidi Moussa na Medina de Fez

Fez, Marrocos

 

Saí das Ilhas Canárias, ficando um dia em Valência, onde segui de trem até Barcelona, que foi a origem do voo até o Marrocos. Com a Ryanair, paguei 26 euros até a metrópole de Fez, a segunda maior cidade do país.

No final da manhã desci na cidade onde havia sido gravada a novela O Clone. Estava um tanto preocupado em visitar esse país sozinho, pois iria deixar a segurança europeia para um destino desconhecido, embora estivesse longe da zona do Ebola e dos atentados muçulmanos contra cristãos. Apesar de ter ouvido que o país era lindo e não sei mais o que de bom, minha primeira impressão que foi se concretizando ao longo dos 2 dias que fiquei lá, foi bem parecida à do Egito: vendedores e golpistas insuportáveis, monumentos históricos meio abandonados, bagunça e lixo no chão. Pelo menos o segundo idioma do país (francês) aliviava um pouco a dificuldade na comunicação. Claro que não vi apenas coisas ruins, mas essas se destacaram.

Entrada do aeroporto de Fez

Medina de Fez

Dividi um táxi do aeroporto até a Medina de Fez (patrimônio da UNESCO) com um senhor canadense que me faria companhia ao longo do dia. A partir de um dos portões principais (Bab) que davam acesso à cidade murada, tentamos chegar ao albergue que ficava em seu interior. Fui descobrindo que meu GPS seria inútil no meio daquele labirinto de vielas. O pior é que não podíamos pedir informação a ninguém, pois senão iriam querer nos levar até o lugar e cobrar por isso, não importava se eram crianças, adolescentes ou adultos.

Depois de um tempo penando, chegamos ao agradável Funky Fes Hostel. Paguei os mesmos 10 euros que são cobrados hoje em dia para uma cama na habitação compartilhada. Ainda inclui café da manhã, então é um bom custo-benefício.

Voltamos aos confusos becos da cidadela fundada no século 9. Lá se produz e vende de tudo relacionado à alimentação, artesanato e utilidades para casa.

Alley inside Medina of Fez

O canadense parou numa barraca que vendia vários tipos diferentes de azeitona. Eu nem sabia que havia tantos!

Barraca de azeitonas na Medina de Fez

Verdadeiras manufaturas nada salubres ficam dentro de salas nos prédios colados uns aos outros. Também brigam pelo pouco espaço disponível locais de cunho religioso. Entre esses, a Madraça Bu Inania, onde são ministrados estudos islâmicos.

Pátio da Madraça Bu Inania na Medina de Fez

Nos separamos e eu fui às colinas exteriores às muralhas para ver todo o conjunto por cima. Além de antenas parabólicas nos tetos horizontais, não dá pra distinguir nada, é uma confusão só. Nessa hora a chuva começou a incomodar. Quem diria que praticamente a única chuva que peguei na viagem seria quase no deserto?

Medina de Fez vista por fora

Ao retornar, poças atrapalhavam as já estreitas vielas. Passei um bom tempo tentando localizar algum dos curtumes (Chouara e Sidi Moussa), pontos turísticos de Fez que funcionam em seu interior, com a função de tingir e preparar as peles de couro para a produção de artigos. Não tive sucesso, assim tive que pagar para qualquer um me mostrar um deles, que acabou sendo o menos famoso (Sidi Moussa), e explicar o processo. Como não fazia calor, à distância até que não estava fedendo como imaginei.

Curtume Sidi Moussa na Medina de Fez

O pior foi ao retornar. Sozinho, perdido e já à noite, ainda fui coagido a comprar alguma coisa da loja que deu acesso ao local da tinturaria. Apesar de ter negociado bastante para reduzir os preços exorbitantes, saí de lá meio insatisfeito com a compra de uns artigos de couro de camelo.

Acabei não conhecendo os próximos Mausoléu (Zaouia) de Moulay Idris II, um santuário para o rei marroquino, bem como a Universidade de Al-Karaouine, a mais antiga do mundo (859 d.C), fundada por uma mulher. Mas também o máximo que poderia fazer seria observar de fora, já que não sou muçulmano. Islâmicos são proibidos de entrar no Vaticano? Até onde eu sei, não…

De volta ao albergue (que também serve jantar), comi um prato típico da Palestina. Não lembro o nome, mas era bom. Depois, sem álcool, já que era proibido, fiquei confraternizando com outras nacionalidades por lá, sobretudo europeus. Tentei arrumar companhia para fazer um dos tours organizados em Fez, mas como a maioria iria fazer o que passava pelo deserto e levava alguns dias, me contentei em acompanhar um belga por outra cidade no dia seguinte.

Depois dum café-da-manhã típico, fomos com um táxi até a Ville Nouvelle, onde fica a estação ferroviária de Fez.

Entrada de estação ferroviária de Fez

De lá, tomamos o trem para a cidade imperial histórica de Meknès, também listada pela UNESCO. A viagem curta (50 min) e barata (20 dirhams, ou seja, 6,8 reais) passou por cultivares.

Railroad from Fez to Meknes

Meknès

Ao chegar, com um pouco de caminhada entramos em outra medina. Dessa vez menor e mais ajeitada. Em um restaurante melhor que a média, ficamos num terraço com vista privilegiada para o minarete da Grande Mesquita (Grande Mosquée).

Vista superior da medina de Meknes e do minarete da grande mesquita

Lá tivemos uma refeição marroquina. O tajine ou tagine (não confundam com tahine, aquela pasta de grão-de-bico, como eu fiz) + entrada + sobremesa para duas pessoas saiu por 150 dirhams (51 reais). Achei meio sem graça o caldo feito com vegetais e uma carne na panela que leva o mesmo nome do prato.

Tagine marroquino em restaurante de Meknes

Depois nos levaram a uma loja de tapetes. A negociação foi um bocado estressante, já que a dupla de vendedores vociferava quando eu oferecia um preço mais baixo. Ainda assim, saí de lá com um kilim (tapete) mediano de seda de cacto por uns 70 e poucos reais. Só espero que seja mesmo desse material.

De lá, fomos para a Cidade Imperial, erguida por Mulai Ismail Ibn Sharif, o ditador sanguinário responsável pela unificação de Marrocos. São cerca de 40 km de muralhas, cujo acesso se dá por suntuosos portões. O principal deles, Bab Mansour, fica diante da movimentada e comercial praça Lahdim (El Hedim).

Praça El Hedim em Meknes

Visitamos o mausoléu do sultão. A entrada já é bastante adornada, e deve ficar ainda melhor com a restauração que está em andamento.

Moulay Ismail Mausoleum Gate

Dentro fica um pátio de onde não muçulmanos podem ver a tumba à distância. A construção está fechada no momento; espera-se que reabra em 2018.

Inside Moulay Ismail Tomb in Meknes

Atravessando a estrada que passa pelo campo de golfe, chegamos às ruínas do celeiro real (Heri es-Souani), onde eram armazenados alimentos. Vê-se alguns salões com poucos elementos.

Celeiro real de Meknes

Junto ficam os estábulos, feitos para guardar 12 mil cavalos! Pena que tenham sido atingidos por um terremoto em 1755. Para entrar nessa e na construção anterior, paga-se um ingresso conjunto de míseros 10 dirhams (3,4 reais).

Ruínas dos estábulos reais de Meknes

Quanto ao palácio, não é possível entrar nele. Agora sozinho, já que o belga ficou por lá, voltei caminhando para a estação de trem e esperei algumas horas até compreender qual seria o trem de volta. Uma pena não ter tido tempo para conhecer as ruínas romanas de Volubilis, bem próximas a Meknès.

Ainda havia muito o que fazer em Meknès, mas tive que voltar a tempo de dormir em Fez, no mesmo albergue. No dia seguinte, regressei à Espanha, e de lá para a Itália.

Mapa de atrações turísticas de Fez

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