laguna de huacachina

Ica, Peru

 

Com um ônibus partindo de Paracas, segui rumo ao interior árido do Peru, causado pelo bloqueio da Cordilheira dos Andes. Assim que a praia some de vista, o caminho é basicamente um deserto extenso, mas que graças à irrigação provida pelo degelo das montanhas há surpreendentes manchas de verde. São os parreirais da região produtora de pisco, o destilado de uva famoso do país.

plantação de uva no deserto

Fábrica de bebidas

Chegando ao calor de 30 graus do verão seco de Ica, tomei um táxi do terminal até o museu da cidade, mas só porque o preço foi muito camarada, já que minha ideia era caminhar os 1,2 km até lá. Infelizmente o Museo Regional de Ica estava fechado para reforma naquele dia, então o taxista me ofereceu um tour etílico como alternativa. Como eu tinha um tempo livre, aceitei.

Depois de uma boa rodada por uns tantos becos, chegamos à destilaria e vinícola Bodega Lazo, que funciona desde 1809 no interior da pequena cidade. Ali pude provar de forma gratuita os diferentes e muito saborosos tipos de vinhos, além das fortes graduações de pisco. Fui até servido da forma tradicional, em que uma vara oca com uma abertura é submersa no jarro cerâmico para retirar a quantidade exata da bebida, sem precisar virar o volumoso recipiente.

bodega lazo

O taxista-guia ainda me mostrou os equipamentos e explicou o processo de produção do líquido, que começa com a colheita e pisada das uvas, passando o suco resultante por tanques e fornos antes do engarrafamento. Tenho uma leve impressão de que a Vigilância Sanitária não aprovaria as condições de higiene da fabricação. Ainda bem que álcool é microbicida (tradução literal: matador de vida minúscula).

destilaria de pisco

Em seguida o motora me levou a um vizinho da destilaria que era seu amigo e tinha um grande parreiral. Tive a oportunidade de comer um punhado de cachos de uvas sem agrotóxicos e conversar um pouco com esse povo humilde e trabalhador.

uva pisco

Fui levado a um restaurante turístico. Provei ingredientes típicos de Ica, entre eles o pallar. Os grãos de tom bege e verde são providos por uma leguminosa das regiões andinas, cultivada desde os povos pré-colombianos e utilizada em uma série de pratos. Sinceramente, não senti gosto de nada.

pallar

Zona Reservada Laguna de Huacachina

De barriga cheia, o condutor me deixou no oásis da Laguna de Huacachina, a principal atração da cidade. Localizada a pouco mais de 1 km do centro urbano e cercada por enormes dunas, é um belo cartão postal, apesar das construções nada bonitas em volta.

laguna de huacachina

Conheci uma turma bacana no albergue Desert Nights. Por cerca de 50 soles (53 reais), eu e meus colegas de quarto subimos num grande buggy turbinado e enfrentamos os gigantescos montes de areia – como os bugueiros de Natal dizem, é um passeio com emoção.

huacachina oasis

E lá estávamos nós no meio da areia a se perder de vista: eu, o inglês Matt, a sueca Lina, a chilena Carolina e o francês Manu.

huacachina dunes

A parte mais adrenalizante foram as descidas de sandboard em dunas diferentes com aumento no grau de dificuldade. Apesar de eu só ter um dia de experiência nesse esporte e do relato de um jovem que havia quebrado algum membro poucos dias antes, resolvi arriscar e enfrentar os montes de areia. Enquanto o resto do povo foi de bruços, eu e um praticante de snowboard descemos em pé. Mandei bem, nada de acidentes naquele dia.

sandboard huacachina

Com o sol se pondo regressamos ao oásis. Dica: vá com um tênis velho, já que é inevitável que quilos de areia não entrem em seu calçado, que tem que ser fechado por questão de segurança. O mesmo vale para os olhos, então vá de óculos de sol!

Jantamos e tomamos umas em um dos poucos locais disponíveis e em seguida retornamos ao albergue. Tivemos uma noite conturbada, pois meus colegas de quarto foram massacrados por percevejos de cama, pequenos insetos hematófagos (que se alimentam de sangue), também conhecidos por seu nome em inglês – bed bugs. Eu achei que não tinha sido atingido, até que nos dias seguintes apareceram dezenas de picadas no meu corpo sem explicação.

Na manhã seguinte paguei os 22 soles da diária e voltei ao centro de Ica com um táxi por mais 10 soles. Por fim, embarquei novamente pela Cruz del Sur por 55 soles, dessa vez em direção a Nazca e suas famosas e misteriosas linhas.

Mapa dos pontos de interesse de Ica

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