san lawrenz

Ilha de Gozo, Malta

 

Finalmente chegou o dia que estava esperando, o destino mais exótico da viagem. Ao desembarcar na ilha de Malta pela companhia de baixo custo Ryanair, cujo voo desde a Itália custou 23 euros, o frio se despediu. Cruzando a ilha de ônibus, minha primeira impressão foi de que tudo era bege, dando um ar desértico ao país. Fato confirmado e explicado pela estrutura calcária do arquipélago.

Outra coisa que observei foi a influência na cultura atual dos países que já ocuparam Malta no passado, principalmente os povos italianos, ingleses e árabes. Apesar disso, muitas outras civilizações estiveram por terras maltesas desde a pré-História.

Segui diretamente para a 2ª maior ilha: Gozo (Sem piadas). Ao chegar ao terminal de balsas, peguei o barco que cruzou um marzão azul por cerca de 4 km. No caminho, um bando de águas-vivas grandonas. Melhor evitar nadar por ali…

água viva gigante malta

Marsalforn

Ao desembarcar, apesar da insistência dos taxistas, continuei de ônibus até a vila de pescadores denominada Marsalforn, localizada na região administrativa de Żebbuġ, no norte da ilha. Lá fica o Santa Martha Hostel, cuja dona bastante simpática me recebeu. Acredito que os 18 euros pela cama e café da manhã a uma quadra do mar tenham valido a pena.

Ao caminhar ao redor, subi num morrinho onde havia uma emulação do Cristo Redentor, para tirar foto do pôr-do-sol. É possível ver os condomínios de poucos andares à beira-mar e as plantações que ocupam a maior parte do território de Gozo.

vila de marsalforn

E quanto às florestas? Elas existiam originalmente no arquipélago, mas foram praticamente exterminadas para a agricultura e construção de navios na Idade Antiga. Hoje em dia a única área florestada fica nos Jardins de Buskett, na Ilha de Malta.

Segui pela estrada litorânea até a noite chegar de vez. Nesse caminho ficam alguns pontos de mergulho e as salinas antigas, usadas pela população há mais de 350 anos.

marsalforn salt pans

Ao retornar, parei em uma pizzaria à beira-mar (um dos poucos restaurantes abertos) e fiquei contemplando a quase ausência de ruídos e iluminação da vila, uma tranquilidade só. Enquanto isso, devorava uma pizza de tamanho considerável por apenas 5 euros.

pizza malta

Ġgantija

Embarquei no primeiro ônibus que me levaria a Xagħra, terra do templo megalítico de Ġgantija, a “torre dos gigantes”. É incrível o fato desse monumento, que é muito mais do que um simples amontoado de rochas, estar de pé até hoje, pois é mais antigo do que as Pirâmides de Gizé e Stonehenge! Com cerca de 5500 anos de idade, faz parte dos templos megalíticos de Malta, patrimônios mundiais da UNESCO.

Ġgantija

O complexo revelado é composto de 2 conjuntos similares,  divididos em diversos quartos, cada um com sua estrutura e significado diferenciados. E lotado de turistas europeus.

templo megalitico

Ramla Bay

Prosseguindo, caminhei até a bela baía de areia dourada/alaranjada/avermelhada de Ramla. A vontade de tomar banho era grande, mas como tinha o dia inteiro de caminhada, achei melhor não ficar salgado ainda (apesar de ter ficado de qualquer forma, de tanto que suei).

praia de ramla

Subi o morro até a caverna Tal-Mixta, de onde se tem uma boa vista. Infelizmente, estava cheia de lixo – apesar de toda a baía estar sob a proteção da Rede Natura 2000.

caverna ramla

Pelo caminho, fotografei o animal mais comum da ilha, o Podarcis filfolensis, esse lagartinho da foto abaixo.

filfola lizard

Como a Calypso Cave, lugar onde ficaria a lendária ninfa Calipso da mitologia grega, está fechada por tempo indeterminado por questões de segurança, continuei para o destino seguinte.

Victoria

A tarde começou com uma visita à cidadela antiga na maior cidade e capital da ilha de Gozo, Victoria. Logo na entrada (gratuita) fica a barroca Cathedral of the Assumption.

citadella gozo

Seguindo o caminho sobre as muralhas medievais reconstruídas, lá do alto pode-se ver quase toda a ilha, bem como o resto da cidade de Victoria nos arredores.

victoria gozo viewpoint

Ainda dentro do complexo, ficam outras igrejas e alguns museus. A cidadela tem uma rica história de construções e invasões por diversos povos.

De lá, depois de comprar souvenires nas lojas ao redor, parti para o vilarejo pouco habitado de San Lawrenz, mais precisamente até a baía de Dwejra.

San Lawrenz

Chegando de busão, ao invés de descer pela estrada, fui através do morro. Tive duas gratas surpresas. Primeiro, a vista incrível das escarpas com vegetação de chaparral e o mar interno, abastecido pelo oceano através de uma caverna.

Baía Dwejra

Em segundo lugar, quando fui descendo a encosta, descobri que ali se encontrava um rico sítio fossilífero! Apesar de estar a quase uma centena de metros do nível do mar, encontrei várias conchas de bivalves, ouriços-do-mar e bolachas-do-mar incrustados nas camadas de calcário. Somente ao chegar ao pé do morro que descobri que a área é protegida pelo Qawra/Dwejra Heritage Park.

gozo fossil

O pôr-do-sol se aproximava enquanto eu observava de perto o oceano, as salinas e a feição geológica conhecida como Janela Azul (Azure Window). Tive sorte de ter conseguido admirar essa beleza natural que foi cenário da série Game of Thrones, pois no começo de 2017 a erosão, junto com tempestades fortes, fizeram com que infelizmente desabasse.

san lawrenz

Depois que o sol se foi mar adentro, eu e mais alguns turistas aguardamos o ônibus de volta. O longo trajeto de volta até minha hospedagem na ilha principal de Malta, apesar de estar a uns 35 km dali, levou 5 horas! Se eu fosse correndo e nadando chegaria antes… mas sem problema!

Triplo sentido à parte, espero que tenham gozado de meu relato!

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