Montaña Colorada Lanzarote

Ilha de Lanzarote, Espanha (Ilhas Canárias)

 

Finalmente chegava o destino mais esperado da viagem, o arquipélago espanhol tropical das Ilhas Canárias. Voamos de Ryanair desde Sevilha até a mais oriental das ilhas, Lanzarote, ao custo de 31 euros.

Teguise

Já havíamos reservado um carro previamente com a Autoreisen, onde 3 diárias saíram por 49 euros. Com isso, só precisamos o retirar para seguir a Costa Teguise. Ali ficava nossa melhor hospedagem, a Mansión Nazaret, um apartamento aconchegante só para nós que custou também 49 euros mas por diária, com café.

Hospedagem em Costa Teguise de Lanzarote na Mansión Nazaret

Mal pisamos nele e já seguimos a pé até a praia, para o primeiro snorkeling da viagem, e também o primeiro da vida da Tati. Por meio do guia de mergulho de Lanzarote escolhi um local abrigado, a Playa del Jablillo, protegida por quebra-mares. Foi aceitável para um começo e para a Tati pegar o jeito da coisa, mas achei bem razoável a diversidade de paisagem (pedras e areia) e de vida: anêmonas, algas, esponjas, ouriços, pepinos, cardumes de uma dúzia de espécies de peixes e, o mais interessante para mim, uma lebre-do-mar, da espécie Aplysia dactylomela. Esse molusco aparentemente inofensivo possui toxinas na pele e é capaz de ejetar tinta nos predadores.

Lebre-do-mar vista em mergulho na Playa del Jablillo em Costa Teguise

Achei que o neoprene curto e fino que comprei na Decathlon para a viagem iria aguentar o clima agradável de Lanzarote, mas não teve jeito: Saí da água tremendo quando começou a escurecer. Novembro já não é mais tão quente quanto no meio do ano.

Parti para uma corridinha ao longo da costa para conhecê-la. A comunidade de Costa Teguise é basicamente um conjunto de resorts frequentados por obesos e idosos, às vezes as duas coisas junto, mas a vista do mar é bem bonita. Jantamos uma saborosa pizza no centrinho.

Tinajo

No próximo dia, fomos ao interior da ilha (Tinajo) para conhecer os recantos mais desérticos de Lanzarote, localizados na área protegida do Parque Natural de los Volcanes.

Começamos pelo Monumento Natural La Cueva de Los Naturalistas, uma subsidência no solo que formou um refúgio subterrâneo. Com as fissuras e irregularidades no terreno, um leigo diria que houve um terremoto por ali.

Monumento Natural La Cueva de Los Naturalistas em Tinajo

Nessa região aparentemente infértil (La Geria) também ficam cultivos de videiras para produção de vinhos. Infelizmente não cheguei a prová-los.

A poucos km dali jaz a Caldera de Los Cuervos, o primeiro vulcão formado durante a grande erupção de 1730. No caminho até a cratera, uma cena um tanto inusitada: um grupo de pessoas vestidas de palhaços, duendes e outras criaturas reunidas. Tentando ignorá-los, seguimos a trilha interpretativa do Geoparque Lanzarote e chegamos ao interior da estrutura geológica.

Cráter de los Cuervos Lanzarote

Outra com uma cor diferenciada é a bela Montaña Colorada, pouco mais adiante. Ela é tingida em tom avermelhado em um de seus lados pela presença de minerais com ferro, contrastando bem com o escuro neutro do terreno ao redor.

Montaña Colorada Lanzarote

Yaiza

Chegamos em seguida à entrada do Parque Nacional de Timanfaya em Yaiza, que ao contrário do anterior, é pago. Como cartões não eram aceitos, tivemos que voltar outra hora para podermos comprar o bilhete combinado com desconto para 4 atrações (Jameos del Agua, Cueva de los Verdes, Montañas del Fuego e Jardín de Cactus) por 28 euros. Outras combinações de 3 a 6 centros de visita também são possíveis.

Assim, fomos na direção sudeste. Logo surgiram dunas gigantescas com camelídeos para quem quisesse simular um passeio típico do Saara. Como os bichos só tem uma corcova, estes são dromedários (Camelus dromedarius) e não camelos (Camelus bactrianus).

Camelus dromedarius Timanfaya Lanzarote

Paramos na vila de La Hoya. Lá ficam a Laguna e as Salinas de Janubio. Desde o final do século 19 concentram a produção de sal de Lanzarote, além de gaivotas, pernilongos e outras aves.

Laguna y Salinas de Janubio en La Hoya Lanzarote

A fome já estava batendo. Como o único restaurante do lugar possuía o preço tão salgado quanto o que era retirado de lá, descemos até a agradável Playa Branca, onde almoçamos um projeto de paella. Nesse bairro também ficam muitos resorts turísticos.

De volta às Montañas del Fuego, ingressamos no Parque Nacional de Timanfaya. Um tour de ônibus nos levou por uma rota subindo vulcões, onde é possível ter vistas interessantes, enquanto é contada a história de formação da ilha e do parque.

No retorno, no local chamado Islote de Hilario, um empregado mostra o bolsão térmico que há em um ponto, pondo fogo em uma palha somente com a aproximação, e depois colocando água e assim gerando um gêiser.

Gêiser no Islote del Hilario em Lanzarote

Há um restaurante nesse mesmo lugar, onde as refeições são preparadas usando o calor da atividade vulcânica.

Para quem quiser caminhar nessa paisagem de outro mundo, há algumas trilhas disponíveis; parte delas obrigatoriamente guiadas.

Arrecife

Ao fim do dia chegamos à capital de Lanzarote, Arrecife, com seus barcos de pesca, prédios históricos e orla.

Barcos e prédios em Arrecife

Referente a isso, destaque para a Puente de Las Bolas e o Castillo de San Gabriel – este último um forte transformado em museu.

Puente de las Bolas and Castillo de San Gabriel

No centro de comércio, não tão movimentado, caminhamos e tomamos um baita sorvete.

Já à noite, ficamos no mesmo hotel em Teguise, onde fizemos nossa própria janta com ingredientes comprados no supermercado local. Como as Ilhas Canárias possuem um regime de taxação diferenciado, ao menos nossas bebidas saíram com um bom desconto.

Tías

Depois do café reforçado do hotel, nosso destino foi Puerto del Carmen, no município de Tías. Lá, apesar do céu nublado no momento, estacionamos na Playa Chica e caímos na água. Já havia mais o que se observar do que no mergulho anterior.

Fomos um dos primeiros a entrar na água. Enquanto contávamos espécies de peixes, além da fauna e da flora aderida às rochas, mais gente foi chegando, a maioria pelas escolas de mergulho locais.

Coral em Snorkeling em Playa Chica em Puerto del Carmen

O melhor, no entanto, foi aparecendo enquanto me afastava da margem. Apesar de não aparentar, o fundo foi ficando subitamente mais distante. A linha que dividia o raso do profundo era bem perceptível. Já havia cerca de 10m de profundidade quando, na tentativa de achar algum peixe grande vi jatos brancos saindo de um lugar. Ao me aproximar percebi que eram mergulhadores. Sua respiração formava turbilhões de bolhas de ar rumo à superfície. Havia uma porção deles em meio a raros mas grandes cardumes.

Lanzarote diving at Puerto del Carmen

Antes de sair da água fui à praia ao lado do cais, onde vi uma estrela-do-mar desproporcional, uma anêmona cerianto e peixes investigando a areia com suas pseudo-antenas.

Mergulho com estrela-do-mar e anêmonas em Puerto del Carmen de Lanzarote

Haría

Continuamos até o Jardín de Cactus, em Guatiza, parte de Haría. Consiste em uma área murada contendo cactáceas e outras plantas xerófitas (adaptadas à seca) de diversas partes do mundo. A variedade de formas e cores é bem significativa, como cactos vermelhos, obscenos até cerebrais. Nada mais compatível com a paisagem desértica dessa ilha do que esse jardim.

Jardín de Cactus en Lanzarote

Depois da visita rápida, continuamos para o norte, onde ficam duas estruturas abaixo da terra. A primeira, próxima ao litoral, é o Jameos del Agua. O centro de visitação é um lago azul subterrâneo onde habitam milhares de caranguejos minúsculos, pálidos e cegos de uma espécie (Munidopsis polymorpha) que existe apenas nessa cavidade. Devido a isso, é terminantemente proibido entrar na água.

Munidopsis polymorpha

Meio desconexa, uma bela simulação de ilha tropical completa a paisagem, na saída para o outro parque.

Piscina de Jameos del Agua

O seguinte, cuja entrada fica a poucas centenas de metros dali, é a Cueva de los Verdes. Ali sim há uma caverna de respeito. Embora não estivesse totalmente acessível, pois ainda estava sendo estudada, o tour trilíngue (inglês, espanhol e alemão) passava por boa parte, mostrando espeleotemas diversos. O ápice é atingido no final, onde uma ilusão de óptica deixa todos deslumbrados.

Caverna nas Ilhas Canárias

Tivemos uma breve passagem pela praia deserta da Caleta del Mojón Blanco antes de chegarmos à zona costeira de Órzola, no extremo norte da ilha. A praia desse último local só pode ser admirada da areia, devido ao mar revolto. Mas nosso (digo, o meu) objetivo nesse ponto era outro: achar fósseis. Deixamos o carro e subimos o morro entre o Valle Grande e Valle Chico, onde em algum lugar havia registros recentes de ovos fossilizados de aves.

Sunset at Órzola, al norte de la isla de Lanzarote

Como o sol já estava se pondo não pudemos ficar à toa. Descemos pelo vale entre os morros. Já era noite quando, sem lanterna, vi uns pontos brancos encravados em uma rocha sedimentar fraturada. Eram fósseis! Mais precisamente conchas de gastrópodes marinhos, de pelo menos duas famílias diferentes, bem acima do nível atual do mar. Pena que já estava escuro, por isso não pude me prolongar na análise. Mas a descoberta inesperada já valeu o esforço.

Gastropod fossils at Valle Grande, Lanzarote

Ao retornar ao carro, catei o fruto de um cacto para provar. O que não contava é que este teria micro espinhos dentro dele. Ao dar aquela mordida, ficaram presos na minha gengiva. Com uma certa dificuldade conseguimos tirá-los.

Passado o problema, para terminar o dia provamos umas bebidas, incluindo a docíssima sangria espanhola.

Mapa de atrações turísticas de Lanzarote

Na manhã, me despedi da Tati e voei para outra ilha do arquipélago, a Gran Canária, por meio do turboélice da empresa Binter Canarias (48 euros).

.

.

2 comentários sobre “Ilha de Lanzarote, Espanha (Ilhas Canárias)

Deixe um comentário