Serpente marinha (Laticauda colubrina) em Malapascua no mar das Filipinas

Ilha de Malapascua, Filipinas

 

Malapascua é um paraíso acessível de mergulho, tanto para snorkeling ou com cilindro, nadando a partir da praia ou embarcado, entre naufrágio, recifes e abundante vida marinha.

De Cebu, peguei o ônibus Ceres no North Bus Terminal até Maya, uma jornada de cerca de 4 h. Embarquei pouco depois num barco até a Ilha de Malapascua. Já que havia poucos passageiros, pois os barcos partem a cada meia hora estando cheios ou não, o total pago por pessoa foi de 220 pesos filipinos (~14,2 reais).

Porto de Maya para Malapascua

Ilha de Malapascua

Como a distância é de 8 km, o translado não é muito duradouro. E aparentemente é seguro, já que os veículos aquáticos possuem estabilizadores nas laterais (ao menos nos que embarquei).

A orla de Logon, onde os barcos atracam, não é tão bonita comparada às demais, e o tempo também estava meio mixuruca. Almocei um pouco adentro da ilha, pagando 210 pesos num macarrão de arroz frito com vegetais e camarão e mais um suco de limão.

Prato com comida típica de Cebu em Malapascua

Por sorte, uma funcionária da hospedagem que eu havia reservado estava no mesmo local, me oferecendo uma carona de moto até o Thresher Cove Dive Resort, um pouco distante do embarcadouro. Ali fiquei em uma cabana individual minúscula e simples, com apenas uma cama com mosquiteiro, ventilador e criado-mudo. Mas bem na areia de uma praia particular paradisíaca, por menos de 1400 pesos para 3 diárias, ou seja, cerca de 30 reais por noite! A pousada/centro de mergulho é bem bacana – o único problema que tive foi com a água da pia e chuveiro, que é salobra.

Thresher Cove Dive Resort Beach

Mergulho no Coral Garden

Caí logo na água para praticar um bocado de snorkeling no jardim de corais (Coral Garden) na praia da hospedagem. No começo há apenas pastagem aquática, mas de uns 50 m em diante vários corais dispersos se apresentam, embora uma parte deles branqueados.

Recife de coral em Malapascua

Ainda assim, vi muitos seres vivos de pequeno porte diferentes, coloridos e bem interessantes. Foi a estreia da minha GoPro 5 Black – por sinal, muito melhor que minha antiga GoPro 3 Silver. Já estava satisfeito, quando do nada surgiu um monstro a minha frente. Nada menos que uma serpente marinha (Laticauda colubrina) de quase 1,5 m! Fiquei com medo no início, já que ela é bastante venenosa, mas como percebi que ela não estava nem aí com minha presença, fiquei a acompanhando enquanto ela procurava comida e voltava à superfície para respirar.

Antes de regressar à terra, vi mais duas, mas menores. Definitivamente, esse é um ótimo lugar para se ver esse animal espetacular.

Serpente marinha (Laticauda colubrina) em Malapascua no mar das Filipinas

Depois disso, fiquei relaxando na pousada no resto do tempo. Teria tido uma ótima noite se o despertador da cabana vizinha não tivesse tocado às 4 e meia da madruga, hora que sai o primeiro mergulho do dia.

Mergulho no Evo Reef

Acordei de verdade às 7 h, para me preparar pra pegar um barco (150 pesos) e mergulhar de snorkel no Evo Reef. É parte recife, onde vi até um peixe-leão, somado aos corais, esponjas, ouriço, peixe-palhaço (Amphiprion ocellaris) e anêmona da seguinte foto. Interessante a relação de mutualismo entre o peixe e o invertebrado, pois o peixe-palhaço se protege dentro dos tentáculos venenosos dos quais é imune, em troca da ingestão de parasitas e do ataque a predadores da anêmona.

Corais, esponjas, ouriço, peixe-palhaço e anêmona no Evo Reef em Malapascua Island

Já na parte com areia no fundo, vi muitos seres pequenos e transparentes na coluna d’água, entre águas-vivas, ctenóforos e tunicados. Para completar o rol de bizarrices, eis a nada comum massa de ovos da lula-diamante (Thysanoteuthis rhombus). Um leigo poderia facilmente achar que esse negócio obsceno com cerca de 1 m era simplesmente lixo.

Bizarro saco de ovos da lula-diamante Thysanoteuthis rhombus

De volta ao solo, almocei adobo, um gostoso prato típico filipino com carne temperada.

Prato de adobo filipino

Digestão feita, resolvi fazer um mergulho com cilindro, o primeiro desde que tirei minha certificação havia meio ano. O local foi a Chocolate Island, ilhota a sudoeste de Malapascua.

Ilha Chocolate em Cebu

Fomos em um grupo grande, incluindo meu dupla, o holandês Jasper. Cerca de meia hora depois chegamos. A profundidade máxima atingida foi de 18 m. Havia um pouco de correnteza e a visibilidade estava ruim, além de meu ar só durar 33 min. Vimos corais moles, cavalos-marinhos e coloridos nudibrânquios pequeninos, mas não tive como registrar imagens.

Mergulho no Coral Garden #2

Ao retornar, fui novamente ao jardim de corais. Vi algumas espécies novas de equinodermos (ouriços, estrelas, pepinos, ofiúros e lírios-do-mar). Esse último está representado na foto, onde se encontra fixo em um coral filtrando as partículas da água.

Lírio-do-mar em coral de Malapascua

Como dessa vez estava com um traje de neoprene, alugado baratinho na hospedagem, fiquei até o sol se pôr na água. Jantei pizza com o Jasper e tomamos a cerva filipina San Miguel Pale Pilsen. Não sou muito fã de pilsen, mas estava OK.

Um grupo de brasileiros que eu conheceria melhor no destino seguinte resolveu dar uma passada em Malapascua (Ingrid, Agatha, Thalita, Camila e Rafael). Depois do meu café da manhã eles já estavam entrando no meu hotel. Com a Agatha e a Ingrid caí na água de snorkel para mostrar a praia a elas. Vi outro saco de ovos de lula e uma moreia, bem como outros tipos de coral e o curioso peixe-lâmina (Aeoliscus strigatus).

Peixe-lâmina (Aeoliscus strigatus) no Evo Reef

Sempre em grupo, esses peixes fininhos parentes da ordem dos cavalos-marinhos adotam uma posição nada usual para outras espécies. Ficam em posição vertical tanto para camuflagem quanto para se proteger em meio aos espinhos de ouriços!

Em sequência, todos almoçamos no restaurante do hotel, onde pedi o kinilaw (tradução literal: comido cru), que é o ceviche filipino. Até que não é ruim, mas ainda prefiro o peruano.

Ceviche filipino kinilaw

Mergulho no Naufrágio do Farol

À tarde eles voltaram à ilha de Bantayan, enquanto eu fui de moto-táxi até a praia do Farol, onde mergulhei com snorkel em um naufrágio. No caminho, ocorria uma briga de galo.

O naufrágio está dividido em vários pedaços, a partir de uns 3 m de profundidade. É comum o mergulho noturno ali. Além do que estava aderido à carcaça, vi um monte de ctenóforos, seres transparentes e gelatinosos que se parecem com águas-vivas mas não queimam. Mas o mar não estava dos mais claros.

Vi o sol se pôr ao deixar a água e voltei pagando 50 pesos pro cara da motoca, a tarifa máxima da ilha, por ser noite e um pouco distante.

Pôr do sol em praia de Malapascua com barcos

Pela manhã, tive minha última refeição no variado restaurante do hotel e deixei a ilha de volta a Cebu, dessa vez por apenas 120 pesos. No caminho, bastante lixo flutuando. De fato, os filipinos não parecem se importar muito com a limpeza, pois os próprios barqueiros jogam suas bitucas de cigarro no mar.

Das principais atrações da Ilha de Malapascua, a única que não fiz foi o mergulho no ponto Monad Shoal, o melhor lugar do mundo para se ver o tubarão debulhador (thresher em inglês, o que dá nome à hospedagem em que fiquei). Como necessita de certificação avançada de mergulho, devido à profundidade, ficou para uma próxima vez.

Mapa dos pontos de interesse da Ilha de Malapascua

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