Vale de Mogán em Gran Canária

Ilha Gran Canária, Espanha (Ilhas Canárias)

 

Por meio do aviãozinho da Binter Canarias, me desloquei rapidamente entre as Reservas da Biosfera de Lanzarote e Gran Canária. Minha ideia seria alugar um carro e dar a volta na ilha circular, ficando um dia em cada lugar. Paguei 58 euros por 3 dias com a locadora Autoreisen.

Agüimes

É impressionante a quantidade de aerogeradores existentes pela árida ilha. Enquanto seguia para o ponto de mergulho, passei por algumas dezenas. Assim como a Espanha continental, há um grande investimento no aproveitamento do potencial eólico. Ponto positivo para eles.

Entrei na Playa del Cabrón na Reserva Marina Arinaga, apontada como um dos melhores locais da ilha para a prática, apesar de ficar ao lado de um parque industrial. Cruzei a praia de cabo a rabo, mas além de fortes ondulações não vi praticamente nada novo, já que o fundo era preenchido por algas e não corais. Quando estava a sair, três agulhas (família Belonidae) passaram rapidamente por mim.

Três peixes-agulha em mergulho na Playa de Cabrón, em Gran Canária

Para não perder o pique, peguei o carro e desembarquei em outra praia protegida e mais movimentada. No geral, mais um ambiente perturbado e pouco propício ao desenvolvimento de corais. Os destaques aqui foram siris achatados, peixes-lagarto, um molenga pepino-do-mar alaranjado, esponjas amareladas  e um sorridente peixe-papagaio camuflado.

Peixe-papagaio rosa e esponja amarela sobre o fundo do mar em Gran Canária

San Bartolomé de Tirajana

Caí na estrada novamente, chegando um tempo depois no que deveria ser o “hostel” em Maspalomas, no sul da ilha. Acontece que eu fiz uma confusão com o termo que, na verdade, era “hostal”. Na Espanha, essa palavra é equivalente a pensão, ou um hotel barato. Apesar de limpa, a Casa de Huéspedes San Fernando é meio deprimente, lembrando aquelas espeluncas de beira de estrada dos filmes. Paciência, seria apenas uma noite ali. E o preço (atualmente em 25 euros para um quarto privado) é provavelmente o melhor do município de San Bartolomé de Tirajana.

Parti logo para o parque das dunas, onde presenciei um belo pôr-do-sol. O interessante no parque é que não havia apenas areia e vegetação rasteira, pois até algumas árvores adaptadas sobreviviam por lá. Quando terminei de cruzá-lo já era noite e circulavam pessoas estranhas, então não recomendo que façam a travessia à noite.

Dunas de Maspalomas em San Bartolomé de Tirajana

Saí junto a um farol e um pequeno sítio arqueológico, que se misturavam a um centrinho comercial e de restaurantes ao redor de vários resorts luxuosos de Meloneras. Peguei alguma coisa pra comer num mercadinho e segui na caminhada pelas ruas que atravessavam campos de golfe e condomínios chiques, retornando ao ponto de origem uns 6 km depois.

Mogán

Acordei cedo e fui para Puerto de Mogán, outro balneário turístico, mas como é espremido entre morros, apresenta sérios problemas de estacionamento. Mas o visual da orla compensa, já que há falésias com cavidades e a turbidez da água é menor.

Orla com falésias na Playa de Puerto de Mogán

Enquanto poucos banhistas estavam na água, vi um peixe-trombeta pintado em meio às rochas.

Peixe-trombeta escuro pintado durante mergulho em Puerto de Mogán

A praia também inclui em sua encosta a zona arqueológica de Cañada de Los Gatos, os restos das construções de um povoamento bastante antigo. Estava em reparação quando lá estive.

Tejeda

Depois de certa andança comecei a guiar o veículo pelas elevações e, assim, o clima foi mudando, do calor quase exagerado para um frescor agradável. Alguns vilarejos, muitas curvas sinuosas em baixa velocidade e algumas barragens depois, cheguei a quase 1800 metros de altitude em Tejeda. Parei num mirante para fotografar o vale abaixo.

Vale de Mogán em Gran Canária

A paisagem é dominada por rochas e pinheiros-das-Canárias (Pinus canariensis), além de contar com algumas aves de rapina como o peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus).

Falco tinnunculus Gran Canaria

Check-in feito no acampamento, eu e mais um bando de turistas caminhamos até o topo do Monumento Natural Roque Nublo, um dos pontos mais altos da ilha.

Monumento Natural Roque Nublo Gran Canaria

Aproveitei que ainda era dia para fazer outras trilhas ao redor do morro de Tejeda, completamente sozinho em meio à natureza, ótimo lugar para relaxar e refletir. Há uma diversidade de caminhos por toda a região montanhosa.

Senderos del Roque Nublo en Gran Canaria

Retornei a tempo de ver mais um deslumbrante pôr do sol, com a parte inferior da ilha toda coberta por nuvens.

Above the clouds at Gran Canaria peak during sunset

Voltei para o acampamento El Garañon tropeçando no caminho escuro. Lá comi um baita jantar caseiro e fui para minha cabana de madeira na completa escuridão, já que a luz era bem restrita lá. O que eu não esperava era que o lugar fosse rústico a ponto de não ter nem roupa de cama. E estava fazendo um frio danado por lá, que eu não estava preparado. Dormi encolhido e usando todas as roupas restantes, mas não foi o suficiente para não passar frio.

Camping El Garañon Canarias

San Nicolás de Tolentino

E começou o longo, porém belo caminho ladeira abaixo. Depois de alguma hora cheguei à planície no litoral, na vila de San Nicolás de Tolentino, onde se vê várias estruturas cobertas com uma tela branca, que são as estufas onde parte dos vegetais consumidos na ilha são cultivados. Ali reabasteci de suprimentos e segui para Agaete.

Greenhouses on San Nicolas at Gran Canaria

Agaete

Na cidadezinha de Agate fica a necrópole é conhecida como o Parque Arqueológico del Maipés, cuja origem do nome deriva do termo “malpaís” que significa terra ruim, pois é um campo de lava onde quase nada cresce. Caracteriza-se por um cemitério com cerca de 700 tumbas de diferentes formatos e tamanhos, algumas feitas há mais de 1300 anos. A taxa de entrada é módica (3 euros ou 5 se combinada com o Cenobio de Valerón), perto da informação fornecida. Em algumas das tumbas ainda há ossadas originais completas visíveis.

Necrópole Parque Arqueológico Maipés de Agaete

Almocei um peixinho ali perto, em Puerto de las Nieves.

Santa María de Guía

Dali, fui ao próximo sítio arqueológico, o Cenobio de Valerón, encrustado em meio às rochas. Apesar do nome indicar um tipo de moradia, este foi dado erroneamente, pois atualmente sabe-se que é um celeiro. Os povos canários pré-hispânicos armazenavam ali os cerais que formavam a base de sua alimentação, além de outros pertences de valor. Uns vinte minutos são mais que suficientes para se ver tudo. Mais sobre as 4 zonas arqueológicas da Gran Canária aqui.

Parque Arqueológico do Cenobio de Valerón nas Ilhas Canárias

Las Palmas de Gran Canaria

Chegando o final da tarde, fui à capital da ilha e maior cidade de todo o arquipélago das Ilhas Canárias: Las Palmas de Gran Canaria. A urbanizada Las Palmas fica em uma península portuária também com problemas de estacionamento. Me hospedei em um albergue bacana, o Utopia Las Palmas. Dei graças quando soube que tinham máquina de lavar e não cobravam nada!

Antes de interagir, fiz minha tradicional corrida de reconhecimento do lugar, pela bonita e movimentada orla turística. Destaque para a singular obra arquitetônica e cultural do Auditório Aufredo Kraus.

Orla da Playa de Las Canteras em Las Palmas de Gran Canaria

Minha única noite de festa foi bem proveitosa. Conheci um brazuca, um argentino (Chico) e mais uns gringos e gringas. Ficamos até tarde conversando, bebendo e ouvindo música ao vivo nas praças ao longo da Playa de las Canteras, a principal da cidade.

No outro dia certamente acordei tarde e só caminhei para tirar umas fotos e fiquei no shopping Centro Comercial Las Arenas até a hora de pegar o voo de volta, embora não tenha comprado praticamente nada. Voei até Valencia, onde fiquei menos de um dia, seguindo então para o Marrocos.

Mapa de atrações turísticas de Gran Canária

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