Baía de Inhambane com água verde e coqueiros

Inhambane, Moçambique (Tofo)

 

Tofo é um vilarejo simpático e relaxado em uma praia longa e limpa, ao redor do estuário de Inhambane, com ilhas e vida selvagem.

Às 5 horas da madruga, eu, Jake e os 8 brasileiros (Luis, Marina, Lucas, Adriana, João, Juliana, Leonardo e Andressa), partimos de micro-ônibus para Tofo por 900 meticais (~49 reais). Esse transporte, organizado pelo albergue Fatima’s Backpackers, é o único direto até a Praia do Tofo. As outras opções de acesso são: voo caro até o aeroporto de Inhambane ou longo e confuso trajeto de ônibus até Maxixe + balsa até Inhambane + ônibus ou chapa (van) até Tofo, por menos que o micro da Fatima’s.

Brasileiros no ônibus da Fatima's Backpackers

Foi difícil dormir satisfatoriamente a longo do trajeto de várias horas, visto que as poltronas não reclinam e que fomos parados em cerca de 10 barreiras policiais!

Chegando em Tofo no começo da tarde, era perceptível a destruição causada pelo ciclone Dineo dois dias atrás: habitações destelhadas, árvores e postes caídos, eletricidade, água e internet voltando lentamente.

Fatima’s Nest

O ônibus nos deixa bem na porta do Fatima’s Nest da mesma administração do albergue em Maputo.

Rua em frente ao Fatima's Nest Tofo

Sem luz, tive que almoçar um prato que não dependesse de eletricidade, o que acabou sendo uma salada de polvo (250 meticais). Depois, tomei umas geladas com um rastafári gente boa que pagou.

Brasileiros no restaurante de Fatima's Nest na Praia do Tofo

A hospedagem fica de frente para o mar, em uma praia longa e plana, com água de temperatura agradável e algumas ondas. Não é muito frequentada, mas é segura.

Panorama da Praia do Tofo vista do Fatima's Nest

Foi nessa areia que corri alguns quilômetros no final da tarde. Ao retornar, vi e peguei alguns plânctons bioluminescentes na linha da água.

Como quase tudo estava fechado, jantamos num restaurante chamado Ulombe, que desrecomendo. Nossos pedidos levaram mais de 1 hora para ficar prontos, não vieram conforme solicitado, e ainda fizeram confusão na hora do pagamento.

Ficamos em 2 dormitórios coletivos na Fatima’s Nest. Não possuem ar-condicionado, mas à noite não é necessário. O mais importante são as redes para proteção contra as doenças transmitidas por mosquitos, especialmente a malária, presente em todo Moçambique. Se for ficar um tempo razoável no país nessa época, recomenda-se profilaxia; atenção com o uso indiscriminado, pois as pílulas possuem efeitos colaterais desagradáveis.

Baía de Inhambane

Por 3200 meticais, nós 10 e mais o português Rodrigo e a grega Eliza, fizemos um passeio de dia todo com rango incluso no estuário da Baía de Inhambane, organizado no Fátima’s Nest. Primeiro passamos no posto de gasolina onde fica o único caixa automático para se sacar dinheiro no vilarejo, do banco BCI.

Posto de gasolina com caixa automático em Tofo

Seguimos na caçamba de uma picape até a Praia da Barra, onde pegamos um barco à vela (dhow) pelo estuário raso até uma ilha.

Passeio de dhow na Baía de Inhambane

Ela se chama Ilha dos Porcos. Ali vive uma comunidade semi-isolada. Sob sol escaldante fizemos um “city tour” pela ilha, aprendendo sobre seus costumes. Crianças não paravam de dançar e cantar em troca de algumas moedas.

Crianças negras dançando na Ilha dos Porcos em Inhambane

Uma coisa que me chamou a atenção foi o muro da escola da ilha. É sabido que em Moçambique e nos países ao redor há uma perseguição aos albinos por se acreditar que poções que utilizam partes dos corpos deles podem transmitir poderes mágicos. Uma barbárie inimaginável por aqui, mas infelizmente nada rara por lá.

Say no to albinos trafficking

Depois de caminhar mais um pouco entre os animais que dão nome a ilha, veio uma das melhores partes do passeio: um baita banquete de frutos do mar (mexilhão, camarão, peixe, siri), além de matapa (culinária regional), arroz e salada.

Almoço de frutos do mar na Ilha dos Porcos em Moçambique

Caímos na água em algum ponto no estuário para um pouco de snorkeling, uma pena eu não ter levado a GoPro nessa viagem. Pequeninos recifes escondiam lagostas, moreias, siris e alguns peixes.

Baía de Inhambane com água verde e coqueiros

Velejamos lentamente por mais um tempo, terminando o passeio com o final da tarde, na companhia de aves, como a gaivina-de-bico-laranja (Thalasseus bengalensis).

gaivina-de-bico-laranja (Thalasseus bengalensis) na baía de Inhambane

Praia do Tofo

A janta foi com pizzas na hospedagem. Em seguida, fomos a pé ao centrinho curtir um som e dançar num dos poucos lugares abertos que estavam com um agito, entre locais e gringos.

Festa na rua em Tofo

Enquanto os brasileiros prosseguiram ao norte para Vilanculos, fiquei um dia a mais para tentar observar os gigantes tubarões-baleia. Aparentemente, Tofo é um dos melhores lugares no mundo para este fim.

Consegui um desconto e por 2700 meticais, contra os 3200 de tabela para fazer o chamado safári oceânico na operadora Liquid Dive Adventures. A entrada no mar grosso com a lancha foi emocionante. Vimos muitos trinta-réis e algumas tartarugas, mas infelizmente nenhum tubarão-baleia. Provavelmente fugiram com as tormentas.

Safári aquático em Tofo com a Liquid Dive Adventures

O passeio em frente a Tofinho também inclui um pouco de snorkeling em um ponto aleatório, onde vi peixes, corais e um ctenóforo bem interessante.

Passei o resto do dia curtindo a praia. À noite reencontrei por acaso o gaúcho Rafael que estava no restaurante Casa de Comer com os brazucas Juliana e Gabriel O Pensador. O lugar é meio caro, mas um dos poucos funcionando naquela noite sem luz.

Devidamente relaxado, retornei a Maputo às 4 horas da madruga do dia seguinte com o mesmo meio de transporte da ida.

Mapa dos pontos de interesse de Inhambane

.

.

Um comentário sobre “Inhambane, Moçambique (Tofo)

Deixe um comentário