Bay of Kotor from viewpoint over a hill

Kotor, Montenegro (Lovćen)

 

A partir do sul da Croácia, pela manhã cruzamos tranquilamente de carro a fronteira de Debeli Brijeg para um dos países mais novos do mundo, Montenegro (ex-Iugoslávia), enquanto no sentido contrário a fila de veículos ia longe. Brasileiros e portugueses não precisam de visto para turismo em Montenegro.

Na primeira cidade, Herceg Novi, paramos no supermercado de um dos centros comerciais para abastecer de suprimentos. Apesar da moeda de Montenegro ser o euro, para nossa grata surpresa os valores eram bem menores do que nos outros países onde tínhamos estado.

Pimenta em supermercado de Herceg Novi, país Montenegro

Bocas de Kotor

Outra surpresa foi a beleza natural da região, admirada de perto enquanto entrávamos nas Bocas de Kotor (ou Cattaro), os fiordes montenegrinos tombados pela UNESCO. A água tem um tom invejável. Apesar disso, todo esse calcário significava que, assim como na Croácia, praticamente não existem faixas de areia, dificultando o acesso dos banhistas.

Bocas de Kotor em Herceg Novi, Montenegro

Contornamos a baía, passando pelas cidades de Perast e Kotor, onde restam diversas construções medievais, como igrejas, palácios e fortificações, muitos deles transformados em museus. Há até mesmo ilhotas, como a Ostrvo Sveti Đorđe (Ilha de São Jorge), que contém um mosteiro da Ordem Beneditina do século 12 e um velho cemitério para a aristocracia.

Island of Saint George in Perast with Benedictine monastery and graveyard

Atravessamos um túnel para começar a subida até o Parque Nacional Lovćen. E que subida! Acredito que por quase uma hora tenhamos ziguezagueado em estradas estreitas e pouco protegidas contra o risco iminente de queda dos penhascos, enquanto motoristas malucos aceleravam na direção contrária. Quando chegamos quase ao topo da montanha, tomamos um lanche num restaurante onde ficava um mirante, com uma bela vista das Bocas de Kotor.

Bay of Kotor from viewpoint over a hill

Parque Nacional Lovćen

Mais além, depois de pagar a módica taxa de 2 euros por pessoa, o porteiro nos deixou entrar no parque mesmo após o encerramento teórico dele, já que estava no meio pro fim da tarde. Atravessamos os rochedos alvos, os campos secos e as florestas de coníferas.

Pagamos outra taxinha para subirmos os 461 degraus da escadaria até o cume principal, onde fica o Njegoš Mausoleum, o mausoléu mais alto do mundo (1657 m). Construído entre 1970 e 1974, ali ficam os restos do venerado governante Petar II Petrović Njegoš (Pedro II de Montenegro). Duas estátuas enormes guardam a entrada do salão, onde sob um teto dourado fica a representação de Petar II protegido por uma águia, ambos esculpidos em granito negro.

Estátuas do mausoléu de Njegos no Parque Nacional Lovcen em Montenegro

Atrás fica um mirante. Chegamos no momento certo para ver a paisagem lá de cima.

Mirante no Parque Nacional Lovćen ao pôr do sol

Avistamos ainda o vale que contém a velha cidade de Cetinje, por onde descemos.

Cetinje viewed from Lovcen National Park

Como estávamos atrasados, já anoitecia quando saímos da cidade para ir em direção à Bósnia. O que não contávamos é que a via seria precária, montanhosa e que não haveria praticamente nada na estrada, como um mísero posto para abastecer o carro que já estava na reserva.

Nikšić

Em certo momento na escuridão completa, vimos um cemitério dotado de uma grande lápide com uma estrela vermelha na ponta, uma visão tenebrosa.

Montenegro grave with red star at Nikšić

Pedimos ajuda a um carro no meio do caminho, que era de sérvios. De início ficamos receosos, pois acreditamos na possibilidade de nos sequestrar, torturar e roubar nossos órgãos, como aprendemos com os filmes e a história sobre essa região. Muito pelo contrário, eles foram bem receptivos e nos ajudaram como puderam.

Como ainda estávamos sem combustível na zona rural de Nikšić, e segundo informações dos bósnios o único posto de combustíveis próximo à fronteira com a Bósnia só abriria pela manhã, começamos a achar que perderíamos nossa reserva em Trebinje e teríamos que dormir no carro. Eis que ao chegar na rodovia, uma hora depois, dirigindo do modo mais econômico possível (pelo menos nisso sou bom), encontramos um restaurante. Ninguém falava inglês, mas através de mímicas fomos salvos pela gasolina de um dos clientes! Ponto para os bósnios.

Finalmente atravessamos o posto fronteiriço de Ilino Brdo, que felizmente parece funcionar 24h. Logo depois, chegamos a Trebinje.

Mapa das atrações turísticas de Kotor

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