Monte Chacaltaya em La Paz

La Paz, Bolívia

 

O ônibus desde Copacabana chegou depois das 11 da noite no destino. Ainda bem que meu albergue ficava perto da rodoviária, assim pude seguir a pé até lá. Por 50 e poucos bolivianos (25 reais) a cada noite, dormi no Adventure Brew Hostel. Estava inclusa na diária uma saborosa cerva artesanal produzida por eles mesmos, a qual eu rapidamente tomei.

Centro de La Paz

Comecei o dia com um city tour. Somente o fiz porque achei que era gratuito como relatado por outras pessoas na internet, mas por questões legais o Red Cap City Walking Tours teve que começar a cobrar uma taxa do governo.

O passeio começa em frente ao Carcel de San Pedro, um presídio inserido em pleno centro de La Paz! Reza a lenda que há visitas guiadas dentro dele, inclusive com hospedagem nas celas. Alguém arrisca?

 

carcel de san pedro

Passamos por diversos mercados de rua. No centro e na maior parte de La Paz, com exceção da zona sul que é de classe mais elevada, não há supermercados da forma como conhecemos. Tudo parece um grande camelô. A organização e limpeza não são das melhores, só o preço dos produtos.

mercado em la paz

Um desses é o famoso Mercado das Bruxas. Por ali, vendem-se artigos um tanto diferentes, como poções do amor, amuletos mágicos e até partes de animais. O mais bizarro é o feto de lhama mumificado, que é usado como oferenda à divindade máxima andina Pacha Mama (Mãe Terra), quando se constrói uma nova residência ou negócio. Quanto maior o edifício, mais fetos. A guia garantiu que são usados apenas fetos naturalmente abortados, mas se precisa suprir toda a demanda, sei não, hein…

feto de lhama

Aproveite para comprar pequenas esculturas ou têxteis baratos por essas bandas.

Saindo dali, passamos por dois protestos nas ruas movimentadas da cidade, um de estudantes e outro de aposentados. Além disso, se via por toda as partes placas, cartazes e pichações do referendo que aconteceria em poucos dias, onde o presidente Evo Morales acabou sendo derrotado em sua tentativa da reeleição eterna.

protesto em la paz

Também observamos na Plaza Mayor a grandiosa Igreja de São Francisco, erguida no século XVIII, o principal monumento da época colonial. Também há alguns prédios governamentais ao redor da praça Murillo, como o Palácio Queimado (sede presidencial), alguns ministérios e a Assembleia Legislativa Plurinacional, com seus ponteiros do relógio agora invertidos, seguindo uma tradição indígena.

Assembleia Legislativa Plurinacional

Depois do passeio guiado tive um almoço bem popular na galeria Mercado Lanza e resolvi conhecer os teleféricos. O sistema é novo, moderno e aparentemente seguro, parecido com o Metrocable de Medellín. Por 3 bolivianos (R$1,50 na data de escrita do post), subi até a cidade vizinha de El Alto, de onde se tem uma visão ampla de La Paz, suas montanhas e a quase totalidade de construções com tijolos à vista. Ali também fica o segundo aeroporto mais alto do mundo, acima de 4 mil metros.

vista aérea de la paz

Essa linha de teleférico passa também por cima de algo que parece uma vila popular densamente povoada. Mas na verdade é o cemitério geral de La Paz!

cementerio general

À noite, conheci um pessoal bacana no albergue. Entre brasileiros, argentinos e outras nacionalidades minoritárias, fizemos uma baita pizzada com cerveja no terraço do edifício de vários andares. Depois de muitas tentativas em fazer uma churrasqueira improvisada funcionar, fomos vencidos pela escassez de oxigênio da altitude e tivemos que usar o forno do hostel.

adventure brew hostel

Monte Chacaltaya

Por 100 bolivianos, reservei no próprio albergue, que possui uma agência de turismo anexa, um passeio para esse dia. Saímos em uma van eu, o holandês Vince e mais uns 8. O café-da-manhã ia chacoalhando violentamente em meu estômago enquanto o veículo subia os malditos projetos de estrada nos arredores de La Paz. Ainda assim, belas paisagens iam sendo desvendadas nos altiplanos até a ascensão vertical. Entre elas, os camelídeos americanos mais famosos, as lhamas.

camelídeos americanos

Chacaltaya é uma montanha onde ficava instalada a única estação de esqui da Bolívia, só que devido ao aquecimento global a geleira se foi. Hoje a neve está restrita ao Huayna Potosí, com mais de 6 mil de altura e que fica em frente ao Monte Chacaltaya. Mas esse aí é bem menos acessível.

huayna potosí

Voltando ao Monte Chacaltaya, atualmente serve de propósito para pesquisas. Além dos resquícios da estação de esqui, você vai notar a presença de máquinas metálicas durante a parte final da subida. Elas fazem parte de um laboratório que estuda a emissão de raios cósmicos, sob a colaboração de pesquisadores japoneses e brasileiros.

Outro dos propósitos é o de aventurar-se e superar-se na subida extrema. Vimos uma pessoa fazendo isso enquanto subíamos com a van. E, por fim, conseguir estar em uma altitude tão relevante com o mínimo de esforço e custo financeiro. Em qualquer das opções anteriores, o trecho final de algumas centenas de metros tem que ser feito a pé.

monte chacaltaya

Alguns turistas do grupo alegaram sentir os sintomas da altitude. Não é por menos, pois o pico fica a mais de 5400 m. Subi na frente do resto para tirar várias fotos da visão privilegiada de 360 graus que temos do topo, incluindo o monte rochoso onde estávamos, o nevado Huayna Potosí em frente, e os vales esverdeados e lagos coloridos abaixo, tonalizados por diferentes minerais.

Monte Chacaltaya em La Paz

A crista permite seguir mais uma centena de passos, o que fizemos para termos outra bela paisagem em vista. Enquanto o resto chegava eu coletava uma lembrança, um pedaço da rocha metamórfica ardósia, cujas camadas compõem a maior parte da montanha.

mount chacaltaya

Apesar da altitude, somente a camada de segunda pele (luvas, calça e blusa) e um chullo foram suficientes para aguentar o frio, já que não ventava. Tá certo que eu sou calorento, mas no verão não precisa de muito mais que isso.

Valle de la Luna

De lá, atravessamos de um lado a outro de La Paz até a zona sul, onde fica o Vale da Lua, assim chamado por Neil Armstrong após sua visita em 1969. É uma paisagem um tanto diferente, devido ao conteúdo das formações rochosas ser de argila, que tem sua erosão facilitada. Você tem que pagar 15 bolivianos de entrada para fazer uma trilha pré-estabelecida entre as colunas brancas pontiagudas.

vale da lua

Ali cresce pouca vegetação, como o cacto, cujo verde contrasta com o onipresente branco. É legal, mas nada comparável ao Chacaltaya. Como geralmente está incluído no valor do passeio do Chacaltaya, vale a visita.

valle de la luna

No retorno, antes de voltarmos ao albergue, eu e Vince provamos as saborosas e baratas saltenhas, que são pastéis assados recheados com algum tipo de proteína.

De lá continuei para as ruínas de Tiwanaku no outro dia.

Mapa dos pontos de interesse de La Paz

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