Igreja de Santo António de Macau

Macau, China

 

Ilha da Taipa

Numa manhã, peguei o voo da AirAsia no aeroporto de Don Mueang (Bangkok) rumo a ex-colônia portuguesa de Macau. Troquei o calor por leve chuva e frio aprazível do pequeno território.

Depois de passar pela alfândega sem pegar nenhuma fila, saí do aeroporto. Com os dois ônibus que tomei pude passear por quase toda a Região Administrativa Especial de Macau, oficialmente de posse da China, mas que, assim Hong Kong, possui relativa independência – inclusive na questão migratória. A boa notícia é que entre os países lusófonos, brasileiros, portugueses e cabo-verdianos estão dispensados de visto em permanência de até 90 dias.

Inside Macau city bus

Atravessei a ilha de Taipa. Me senti em casa ao ver que a colonização portuguesa ainda deixava marcas na região. Apesar de quase ninguém falar o idioma, que junto com o chinês são os oficiais, placas por todos os lados apresentam dizeres em nossa língua. Logradouros, edifícios públicos e lojas são os mais comuns. Enquanto rodava pelo ônibus, me deparei com uma que desafiou minha compreensão. Tive que pesquisar para descobrir que pivetes são incensos, e não menores delinquentes.

fabrica de pivetes em macau

Macau é disparado o “país” com maior densidade populacional. Em Taipa ficam diversos condomínios verticais de dezenas de andares onde mora uma parcela significativa de habitantes.

Condomínio residencial na ilha de Taipa em Macau

Ilha de Coloane

Desci a sudoeste, na vila de pescadores de Coloane, onde se concentra a parte menos turística e mais rural. Do outro lado do cais, a menos de 300 m, fica a China propriamente dita, na Ilha de Hengqin.

Ponte cais de Coloane com China ao fundo

Depois do pequeno-almoço (café da manhã) segui pela orla, onde tive a sorte de presenciar o festival Fun Beer, que acontecia em um dos prédios históricos conservados e coloridos. Com patrocínio da Macau Beer, havia shows de rock chinês e cerveja estilo blond ale grátis, que por sinal foi a melhor que tomei durante a viagem toda. Até encontrei um oriental que falava alguma coisa de português, o que já ajudou, já que o idioma inglês não é o forte de lá.

Macau beer at Macao China during festival

Depois de umas biras, continuei a caminhada por um cemitério clássico chinês, onde são notáveis as lápides em formato de poltrona. Segundo as crenças chinesas, essa forma favorece a riqueza, conforto e dignidade. Em tempos remotos, apenas a elite tinha condições de ter tumbas assim. E hoje em dia são cada vez mais raros, dado o espaço que ocupam. Tanto que na própria ilha há outro cemitério comum bem mais compacto.

Armchair Chinese graves in Macao

Coloane também está recheada de templos religiosos. Desde a igreja onde ocorreu o festival, passando por alguns dedicados ao budismo, até outros voltados a divindades como o protetor dos mares, Tam Kung.

Tam Kung Temple em Coloane

Cotai

Deixando a vila, peguei o ônibus e passei por Cotai, nome formado pela junção de Coloane com Taipa, bem o que ocorreu com esse antigo istmo onde uma série de obras de aterro ocasionou a união das 2 ilhas. Sua função? Servir de espaço para mega cassinos ao estilo de Las Vegas, sendo que alguns já operavam no local na época em que fui. Um desses é o The Venetian Macao.

Cotai Hotel and casino The Venetian Macao

Assim como os demais cassinos, possui todo um complexo de luxo em sua área, que inclui hotel, restaurantes e shopping center. Nesse, tal como o nome indica, há até mesmo passeios de gôndola em sua simulação de Veneza.

Além da Cotai Strip, instalações desportivas de nível internacional, como o Domo dos Jogos da Ásia Oriental e as demais construídas para essa competição de 2005, também encontram-se nessa região.

Península de Macau

Já com o sol se pondo, atravessei a Ponte de Sai Van para chegar à Península de Macau, onde fica a Torre de Macau (mirante com o bungee jumping mais alto do mundo, a 233 m de altura!) e o centro histórico listado pela UNESCO como patrimônio.

Sai Van bridge Macau

Dúzias de construções lusitanas conservadas permanecem no centro histórico. Entre elas, a Igreja de Santo António, uma das primeiras instaladas, por volta de 1565.

Igreja de Santo António de Macau

Inúmeros incêndios e tufões levaram a reconstrução desse templo católico. Já outras, como a Madre de Deus, não tiveram o mesmo trato. Praticamente só sobrou a fachada de granito nas chamadas Ruínas de São Paulo.

Ruínas de São Paulo

No mesmo ponto fica o conjunto de muralhas e canhões da Fortaleza do Monte. Dentro dela está o Museu de Macau (entrada por 15 patacas). E no lado de fora, do alto de seus 52 m de altitude, uma vista panorâmica da ilha.

Canhão e muralhas da Fortaleza do Monte

Desci pelo Largo do Senado, com seus ladrilhos e edifícios em estilo português. Aqui ficam funções governamentais, lojas e com frequência são realizadas atividades culturais.

Senado Square Macau

A única parte de Macau que não conheci foi a residencial Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, no extremo norte da península. Lá, inclusive, fica a fronteira terrestre com a China.

Passei por outros cassinos coloridos e me despedi desse agradável e seguro território caminhando até o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior. Fiquem ligados que esse não é o único terminal de passageiros de Macau, pois há outro em Taipa, em que opera a empresa Cotai Water Jet.

Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior e Ponte da Amizade

Comprei o tíquete para o próximo dos horários disponíveis pela empresa TurboJet. Na época de escrita desse relato, o valor do bilhete mais barato era de 153 patacas (~60 reais) por trecho. Por meio de uma moderna balsa, cheguei quarenta minutos depois em Hong Kong.

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