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Masai Mara, Quênia

 

De Adis Abeba, peguei o voo da Kenya Airways para Nairóbi pela manhã, o que me custou 198 dólares comprando no dia anterior. Quase fiquei preso na imigração, pois o oficial não aceitou meus dólares em notas emitidas há mais de 10 anos, apesar de estarem em bom estado de conservação! Meu passaporte ficou retido até que eu conseguisse trocar numa casa de câmbio para pagar os 50 dólares do visto de turismo, já que não convenci o fiscal que um visto de trânsito (20 dólares) bastava.

Enquanto aguardava meus amigos Haddad e Tobias, que vieram num voo posterior, fiz uma pesquisa de preço para os safáris. Com a negociação, conseguimos uma carona até um escritório no centro da cidade, onde fechamos um acordo com a empresa Big Time Safaris: 320 dólares para 3 dias de pura diversão no parque Masai Mara, incluindo hospedagem, alimentação e transporte – talvez até menos do que se fôssemos por conta própria.

1º dia de safári

Na manhã seguinte, a van para a Reserva Nacional Masai Mara veio nos buscar no albergue em que ficamos em Nairóbi. Nossos companheiros de aventura seriam o alemão de meia-idade Mike, o brasileiro Kako, o casal australiano Laura e Nick e o guia/motora Stanley. Obs: A reserva foi nomeada em referência ao povo semi-nômade que por ali vive, cuja grafia mais usual em português é Masai, mas a origem correta é Maasai.

No começo da longa jornada o veículo para em um penhasco ao longo da estrada para que se fotografe o Vale do Rift. Não caia na armadilha de comprar souvenires, pois você encontrará mais tarde por preços bem menos exorbitantes.

vale do rift quenia

Por várias horas a paisagem ao longo da rodovia resume-se a vilas decadentes e terras semiáridas com pastores, num calorão danado. Por ali, paramos para almoçar. A atração foi o chapati, uma massa não fermentada parecida com a de panqueca mas de origem indiana, ainda que seja comum no leste da África.

No meio da tarde chegamos à área do parque, onde você encontra parte da tribo. Cuidado ao fotografar os nativos Masai Mara, pois muitos deles acreditam que você está tentando roubar suas almas – o resultado pode ser uma chuva de pedras em sua direção.

Tivemos tempo para umas 2 horas dentro do portão Oloolaimutia, no lado leste do parque, até o sol esvair-se. Foi tempo suficiente para perceber o quanto aquele lugar era especial. Gnus, búfalos, girafas, babuínos e muitas espécies de antílopes, como a vaca-do-mato (Alcelaphus buselaphus) da foto, todos se alimentando da rala vegetação que restava no fim da estação de seca.

alcelaphus buselaphus kenya

Para nossa surpresa, avistamos até mesmo os grandes (e preguiçosos) felinos leão e guepardo. Este último é o animal terrestre mais veloz do planeta – atinge até 130 km/h!

cheetah maasai mara

A janta, assim como as demais refeições, não possuía muita diversidade. Ao menos a quantidade era digna. Quanto à acomodação, bem próxima ao vilarejo Oloolaimutia, que dá nome ao portão do parque, era uma tenda grande com camas e mosquiteiros similar a um quarto, contando com um banheiro anexo. Cozinha, refeitório e área para integração ficavam num espaço à parte, tudo bem ajeitado e limpo. Só não esqueçam comida na parte exterior, caso contrário ela dificilmente estará lá no dia seguinte.

maasai mara lodge

2º dia de safári

Subimos novamente no veículo da Big Time Safaris para um dia inteiro de exploração pela frente.

Big Time Safaris

Com isso, o automóvel nos levou a novas áreas da savana. Além dos animais já vistos, muitos outros se somaram à lista, convivendo em aparente harmonia, ao menos a parte dos herbívoros.

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Botamos fé no motorista, que também era o guia, quando ele percebeu uma coruja descansando atrás de galhos no topo de uma árvore distante, algo que ninguém mais teria visto.

coruja escondida

Passamos em seguida por uma planta obscena. Com até 20 m de altura, a árvore da salsicha (Kigelia africana) produz frutos fálicos com até 10 kg por unidade! Você certamente não gostaria de estar em baixo de uma dessa, mas muitos animais sim, já que ela é fonte de alimento de elefantes a macacos.

árvore de salsicha

Entre as cenas mais diferentes que registramos esteve a carnificina na decomposição de uma carcaça de zebra por mais de uma dúzia de abutres e cegonhas.

carcass scavenger

Outra foi a encarada de uma gazela-de-thomson (Gazella thomsonii) numa hiena-malhada (Crocuta crocuta) que repousava sob uma sombra. Como se a tivesse provocando, ficou vários minutos naquela posição. Perdeu a noção do perigo? Certamente não, pois a velocidade dessas gazelas só é inferior a do guepardo. Caso a hiena fosse atrás, só comeria poeira.

gazela-de-thomson savana

Famílias de elefantes e aves coloridas também chamaram nossa atenção, mas nada foi tão surpreendente quanto o que vimos enquanto almoçávamos às margens do rio que separa o Serengeti (Tanzânia) do Masai Mara (Quênia). Ali é mais visível a grande migração anual das zebras e gnus em busca de alimento, que ocorre anualmente bem nessa época (setembro).

grande migração

Receosos, os animais só fazem a travessia quando alguém toma as rédeas. Por quê? Foi o que descobrimos em seguida. Quando uma família de zebras estava no meio, malandramente um crocodilo se aproximou e abocanhou o pobre do filhote, que não teve chance alguma, submergindo imediatamente para nunca mais voltar.

Impressionados com a cena, seguimos para o alto de uma colina, para uma foto coletiva num lugar seguro longe dos animais, mostrando o cenário quase plano do parque.

safari quenia

Vimos ainda mais um tanto de animais, como esse abelharuco-dourado (Merops pusillus), de uma família de comedores de vespas e abelhas que não vive por aqui.

little bee-eater (Merops pusillus)

Aldeia Masai Mara

Ao final da tarde, saímos do parque para visitar uma aldeia Masai Mara.

maasai mara tribe

Depois de uma dança de pulinhos e de um pagamento à parte, nos levaram ao cercado e mostraram seus costumes, que incluem o pastoreio de cabras, as habitações minúsculas e precárias e como fazem fogo.

maasai mara nomads

Fiz até um escambo com o filho do chefe, trocando um relógio velho por joias artesanais, enquanto conversávamos em sua pequena cabana sem luz.

masai mara house

Ao anoitecer voltamos ao alojamento, já que não se podia ver mais nada no vilarejo escuro.

3º dia de safári

Acordamos bem cedo para admirar um lindo nascer do sol dentro do parque.

sunrise at maasai mara park

Com mais algumas horas sobrando, encontramos os orelhudos e esguios chacais-de-dorso-negro (Canis mesomelas) indo atrás de galinhas d’Angola.

jackal masai mara

Ainda, avestruzes e antílopes pastando, bem como guepardos e leões sentados. Esses últimos sem pressa alguma para caçar, devido à abundância de comida disponível para eles.

leoes no safari

Maravilhados com um dos melhores safáris do mundo (opinião unânime entre os mais viajados), voltamos a Nairóbi dentro de algumas horas, para no dia seguinte visitarmos o Parque Nacional Hell’s Gate, em Naivasha.

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