Maletsunyane Falls em Lesoto

Maseru, Lesoto (Maletsunyane Falls)

 

Pequeno país rural encravado dentro da África do Sul, oferece paisagens montanhosas preservadas e surpreendentes, como a cachoeira de Maletsunyane Falls.

Visto para Lesoto

Eu e meus colegas embarcamos no voo da South African Airlines da Namíbia para Joanesburgo bem cedo. Depois de muita enrolação, pegamos nossos carros alugados e fomos ao Consulado de Lesoto, no centro da própria cidade, com a expectativa de conseguirmos os vistos de turista. Ao chegar lá, soubemos que precisaríamos de 2 fotos. Por sorte havia um fotógrafo próximo que tirava e revelava as fotos no meio da rua num improviso total!

Street photo Johannesburg

Os demais requisitos foram um comprovante de hospedagem (reserva no Booking.com foi suficiente) e de renda (cartão de crédito e/ou dinheiro), além de preencher um formulário. Já a taxa de emissão, isso foi um problema. O valor informado pela internet era de 500 rands sul-africanos (cerca de 125 reais), mas no Consulado de Joanesburgo nos informaram que custaria 1000 rands para emiti-lo em 2 a 3 dias úteis. Como já era sexta e não tínhamos todo esse tempo, precisaríamos do emergencial. Pois bem, inicialmente nos informaram que essa modalidade teria o valor de 1500 rands, mas com nossa queixa acabamos pagando 1300 rands no final, sendo emitido em menos de 1 hora. Como estava um tanto caro, apenas eu, Rafa e Beto fizemos, seguindo para a fronteira de Maseru, capital de Lesoto, logo após o almoço.

Os outros 3 foram para a fronteira de Sani Pass, no lado oposto do país. Caso não conseguissem emitir o visto por lá, ou subir a montanha, já que ainda é necessária tração 4X4 e nossos minúsculos Hyndai i10 alugados certamente não serviriam, pelo menos poderiam aproveitar as incríveis paisagens montanhosas de Drakensberg. No final, acabaram tendo que subir os 16 km da estrada a pé (!) e emitiram um “visto” na fronteira por 200 rands. Mas sem veículo, só conseguiram ficar um pouco por lá.

Atualmente, há a possibilidade de se emitir o visto de Lesoto pela internet. No entanto, a lista de documentos exigidos é maior, e o preço oficial também (150 dólares americanos). Uma outra opção é tirar o visto em algum dos outros consulados e embaixadas. Fica a seu critério.

Chegamos ao anoitecer no posto de imigração. Somente nessa hora, Rafael percebeu que havia perdido o passaporte em Joanesburgo. Depois de muito drama e replanejamento, decidimos tentar seguir para Lesoto com o carro alugado em nome do Rafa, enquanto ele ficaria em Ladybrand (última cidade da África do Sul) até segunda, quando regressaríamos.

Maseru

Eu e Beto conseguimos ingressar, pagando 30 maloti (moeda do Lesoto) para entrarmos com o carro. Jantamos no Captain DoRegos, aparentemente o único estabelecimento aberto 24 horas logo após a fronteira. Enquanto comíamos, um agente de fronteira nos ofereceu um serviço de tráfico de pessoas, para que nosso colega Rafa também entrasse em Lesoto. Não, né?

Posto de fronteira de Lesoto em Maseru

Nos hospedamos no Cyaara Guest House ao custo de 750 rands no total para o quarto com duas camas e café da manhã simples. Os rands sul-africanos são aceitos em qualquer lugar com a mesma cotação dos malotis lesotenses, assim como ocorreu com os dólares namibianos antes. Levando em consideração que Lesoto tem um piores IDH e PIB, até que curtimos a hospedagem.

Cyaara Guesthouse Room

Graças a sua história colonial britânica, a principal religião de Lesoto é o cristianismo. Tiramos uma foto da bela catedral cristã com pedras expostas.

Catedral de Maseru

Em seguida, enchemos o tanque pagando menos que na África do Sul, e deixamos a capital de 200 e poucos mil habitantes (enquanto Lesoto possui uma população de mais de 2,2 milhões) por uma rodovia em bom estado em sentido sudeste. O caminho, tanto antes como depois deste projeto de cidade é totalmente rural, com vilas de choupanas tradicionais, plantações de milho, pecuária de gado e ovinos, carros velhos, poucos turistas e paisagens deslumbrantes de relevo.

Estrada montanhosa no interior de Lesoto

Como as estradas sobem e descem as montanhas o tempo todo, as jornadas tomam mais tempo e são perigosas.

Semonkong

Ainda no distrito de Maseru, chegamos na área do vilarejo de Semonkong. Meu amigo, os cânions e cachoeiras ao longo da rodovia junto com o clima dramático nos deixaram de queixos caídos.

Cânions e cachoeiras de Semonkong em Lesoto

Entramos numa estrada de terra braba dentro do vilarejo pobre, num desnível e com fendas quase não vencidas pelo nosso carrinho. Lá em baixo almoçamos por 50 rands um prato típico de carne, carboidrato e salada no Semonkong Lodge. Também experimentamos a Maluti Premium Lager, que de premium não tem nada, visto que carrega milho entre seus ingredientes.

Prato de comida e cerveja no Semongkong Lodge

Atrás do restaurante/hospedagem/loja começa a trilha de 4 km e meio até Maletsunyane Falls, a maior das cachoeiras com até 193 metros de altura, além de bastante volume nesse período chuvoso. Ali fica também o maior rapel do mundo com 204 metros.

Maletsunyane Falls em Lesoto

Para chegar, atravessamos campos verdes encharcados em meio aos simpáticos habitantes, seus animais e as casas típicas circulares. Chamadas de mokhoro, são feitas com pedras, palha, madeira, terra e estrume (!).

Vilarejo típico rural em Semonkong

Passamos um bom tempo admirando as quedas antes de voltarmos para o carro e seguirmos viagem para Qacha’s Nek, o próximo destino.

Maseru

Retornando, chegamos no final da tarde do outro dia novamente no tumulto da capital, jantamos no Pioneer Mall, um shopping center ocidental típico, e voltamos à mesma hospedagem. Faltou tempo para conhecer o vilarejo típico do Thaba Bosiu Cultural Village, mas como vimos outros de verdade no caminho, acabou não sendo uma perda.

No Basotho Hat, localizado no centro da cidade e no formato do chapéu tradicional do povo, compramos um bocado de souvenires artesanais como jóias, estátuas e máscaras por bons preços.

Basotho Hat Maseru

Cruzamos a fronteira de volta, pegamos o Rafa e regressamos a Joanesburgo. A rodovia com pedágio é muito boa, então dá para rodar tranquilamente nos 120 km/h permitidos. Felizmente achamos o passaporte na praça de alimentação da estação de trem. Assim, seguimos os 3 diretamente para a Suazilândia.

Mapa dos pontos de interesse de Maseru

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