vilarejo colombiano

Medelim, Colômbia

 

Depois de uma semana e meia nas ilhas caribenhas de San Andrés e de Providencia em 2015, segui ao último destino colombiano de meu rolê, a terra de Pablo Escobar. Apesar da decadência da cidade enquanto estava vivo, uma das mais violentas do mundo até então, há pouco mais de uma década Medellín (ou Medelim) sofreu uma revitalização surpreendente.

Ao chegar, usei o micro-ônibus barato para ir até a cidade propriamente dita, já que o aeroporto maior fica em Rionegro, cidade vizinha.

Já era noite quando peguei o metrô até a estação Poblado, uma zona residencial mista abastada. Como não sabia disso, caminhei meio desconfiado até o albergue Black Sheep. Para minha surpresa, o idioma falado por lá era o inglês, já que os donos são neozelandeses e a grande maioria dos turistas eram de países anglófonos. Um pouco decepcionante, pois estava ali para melhorar meu espanhol. Outra coisa ruim foi o quarto onde fiquei, pois os beliches quase encostavam no teto. Cheguei a bater a cabeça no meio da noite ao sentar na cama.

Parque Arví

O sistema de transporte público é uma das atrações da capital do departamento de Antioquia. A linha principal do metrô, que é elevado em algumas partes, percorre todo o vale que contém a cidade. De uma ponta saem linhas secundárias que seguem para o alto dos morros, bastante ocupados. Só que não são trens que sobem, mas assim como em La Paz, teleféricos!

Metrocable Medellin

Para seguir mais adiante, com destino ao Parque Regional Ecoturístico Arví, tomei outro bondinho pago à parte que custa cerca de 5 reais (também vale como entrada do parque). Por cerca de 10 minutos atravessa quilômetros de mata protegida muito acima da metrópole. O clima fresco e ar puro dali contrastava bastante com o calor da cidade abaixo.

Visitando a floresta nebular do Parque Arví com o teleférico Metrocable

Logo na entrada há uma feira orgânica abastecida pelos agricultores que vivem na região montanhosa. Provei alguns salgados e frutas; dentre as diversas opções, só não gostei da fisális. Também havia bastante artesanato.

mercado arví

Segui uma guia e um grupo por uma trilha curta, passando por árvores de grande porte e musgos de vários tons de verde.

arví park

Há uma diversidade de trilhas a serem percorridas a pé ou de bicicleta. Ainda, o local é também um sítio arqueológico pré-hispânico.

Centro de Medelim

Optei por almoçar e descer, pois tinha ainda muito a ver, como o jardim botânico. Como ficava no caminho do metrô e não precisava pagar a entrada, dei um pulo lá. Bem razoável, mas é mais para moradores do que turistas. Como atração, há um bocado de iguanas e um borboletário, além de alguns jardins temáticos. Vi mais passarinhos ali do que no parque anterior.

borboleta jardim botânico

Como ainda havia tempo, o passo seguinte foi o Parque Explora, ao lado do jardim botânico. É um prédio composto por aquário e por diversas salas interativas que buscam ensinar ciência na prática, como o museu da PUC em Porto Alegre. Se pretende aproveitar para valer, prepare-se para sair de lá suado como eu e vá com pelo menos 2 horas livres, pois há bastante coisa para ver e fazer. O ingresso regular para acesso a todas as atrações custa 23 mil pesos, o equivalente a 25 reais.

parque explora medellin

Devido ao feriadão santo, a cidade começou a se esvaziar e fechar as portas dos estabelecimentos no dia seguinte. Pelo menos assim consegui caminhar mais tranquilo pelo centro. Para melhorar ainda mais estava na companhia de um guia local, Juan, um camarada que conheci em San Andrés na semana anterior.

Primeiro, uma pegadinha na estátua do famoso artista local Fernando Botero. Suponho que ele tenha algum fetiche por sobrepeso, visto que a maioria de suas obras são rechonchudas.

estátua de botero

Seguindo o passo, Juan me levou para conhecer as praças e os prédios históricos religiosos e governamentais à distância de uma caminhada. Entre elas fica a neorromânica Catedral Metropolitana de Medellín, a principal da cidade, inaugurada em 1931.

igreja neorromânica

Cerro Nutibara

De lá, tomamos um ônibus até o pé do Cerro Nutibara. Uma íngreme subida a pé nos revelou a vista da cidade que é em sua maioria marrom, por ocasião dos tijolos à vista nas construções residenciais.

Cerro Nutibara

No topo fica o Pueblito Paisa, uma réplica de um vilarejo típico da região, com igreja, restaurante e lojas de souvenir. Diversos itens usados nas construções são originais. Tomamos um chope antioquenho (cerveja, sal e limão) enquanto eu tirava algumas fotos.

vilarejo colombiano

De lá, fomos caminhando pelas ruas até o supermercado de um shopping center, onde almoçamos por sua conta. Que baita feijoada (quem diria) comi naquele dia!

Para finalizar, me guiou até a outra rota de teleféricos sobre os morros e se foi. Como havia tempo livre e o preço da passagem seria o mesmo, fui de metrô até a estação final já bem fora de Medellín e retornei ao bairro onde estava hospedado. Não havia muito o que ver no longo caminho, além de indústrias, lixo e pobreza.

A atividade noturna foi uma corrida pelo desnivelado Poblado. Condomínios chiques, shopping centers e até cassinos dominam as ruas e avenidas arborizadas do seguro bairro. Jantei no aglomerado de lanchonetes que há próximo ao albergue e capotei.

De manhã, depois de provar deliciosas granadilhas (frutos do mesmo gênero do maracujá), dei uma caminhada próximo a onde tinha passado na noite anterior. Nesse momento ocorria uma procissão saindo da igreja mais antiga do lugar. Descobri ali perto um baita mercado de comida saudável, o Carulla. Sai de lá devorando um pacote de oxicocos (cranberry em português) desidratados.

Fiz o check-out e voltei ao centro para ver a praça onde ficavam concentradas as demais esculturas de Botero e o Museu de Antioquia, o qual adentrei em seguida. Entre outras mostras, havia uma exposição dos quadros de Botero que retratam a temática do circo.

exposição de botero

Com o tempo se esgotando, tomei o micro para o aeroporto e fiquei zanzando por lá até a hora do voo de volta a San Andrés, de onde iria para o Brasil. Como ao desembarcar em Medellín saí da região de San Andrés e Providencia eu teoricamente necessitaria pagar por outra tarjeta de turismo, como fiz na primeira vez que cheguei. Mas conversando com o pessoal da companhia aérea e da imigração consegui não desembolsar nada, visto que minha estadia seria inferior a 24 horas.

Mapa dos pontos de interesse de Medelim

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