La France renaissante

Paris, França

 

Em uma noite chuvosa, cheguei em um voo da easyJet de Belfast a Paris, ao custo de 45 libras esterlinas. O modo mais barato e rápido de ir do aeroporto Charles de Gaulle até o centro de Paris é pagando 10 euros pelo trem RER B, diretamente do terminal aeroportuário até a estação ferroviária Gare du Nord (onde desci) ou mais além.

Montmartre

Ao deixar a estação tive um pouco de receio enquanto percorria ruas escuras e estreitas até o lugar onde ficaria, ainda que fosse próximo. Esse local foi o Woodstock Hostel Montmartre. Vinte e um euros pelo dormitório coletivo com café – deu pro gasto.

Saindo do albergue pela manhã, segui para o norte, onde está a colina Montmartre, num dos bairros mais charmosos da cidade. Para chegar ao topo sobe-se por um bom punhado de escadas, ou segue-se por um minuto na pequena cabine do histórico funicular (um tipo de bonde inclinado).

Funicular Paris

No alto fica a Basílica de Sacré Coeur (Sagrado Coração), um templo católico construído com calcário entre 1875-1914.

Basílica de Sacré Coeur

Uma bela vista de boa parte de Paris é reservada aos que subirem a colina, ainda que quase monocromática.

Mirante Montmartre

Desci a ladeira, parando em frente ao famoso cabaré Moulin Rouge para uma foto. Hoje em dia continua sendo uma casa de espetáculos, mas aparentemente sem prostituição.

Moulin Rouge entrance

Passy

Caminhei pela luxuosa avenida Champs-Élysées até o imponente Arco do Triunfo mais famoso da atualidade, em comemoração às vitórias de Napoleão. São 50 metros de altura com várias referências a importantes batalhas enfrentadas pelo exército francês.

Arc de Triomphe de l'Étoile

Ali entrava em Passy, o 16º arrondissement de Paris. Assim são chamadas as divisões administrativas ou distritos da capital.

Para não perder o costume, continuei na direção a um dos maiores parques urbanos da cidade, o Bois de Boulogne, que concentra uma grande diversidade de atrações em seu interior. Contentei-me em caminhar pelos bosques, fotografando fauna e flora. Obs: não comam as frutas desse parque, pois algumas espécies são tóxicas!

Passy

Ah, se nessa hora eu soubesse que anexo a esse parque fica o estádio Roland Garros, onde meu glorioso conterrâneo Guga Kuerten se consagrou… Em vez disso, passei reto.

Nesse momento já estava desesperado para achar algum banheiro, até que avistei um banheiro público auto-limpável. Bem interessante o produto tecnológico, mas a demora na limpeza não ajudava em nada na fila.

Depois de satisfazer as necessidades, fui ao alcance da Torre Eiffel. Da fotogênica Ponte de Bir Hakeim e sua estátua “La France renaissante”, tive a vista da imponente torre de ferro fundido. Esta foi a maior estrutura humana até 1930, mas ainda impressiona muito.

La France renaissante

Com uma grande fila para subir, fiquei só embaixo mesmo, nos jardins dos Campos de Marte. Prossegui a caminhada pelas margens do Rio Sena, listadas na UNESCO, apreciando a iluminação noturna da Cidade Luz.

rio sena iluminado

A essa altura meu pés já imploravam por descanso. As dezenas de quilômetros percorridas quase que diariamente ao longo desses dias, muitas vezes com 10 kg nas costas, fizeram bolhas brotarem nas solas dos pés, fora as dores no resto do corpo.

Ainda assim caminhei o mesmo tanto no dia seguinte. Primeiro, fui até o Museu do Louvre, nesse que era o dia de entrada grátis. Como a fila dava voltas intermináveis, tive que seguir para o Museu do Exército (Musée de l’Armée), inserido no Palácio dos Inválidos.

Hôtel National des Invalides

Logo na entrada, que custa 12 euros, um tanque de guerra da 1ª Guerra Mundial recepciona as pessoas. Dentro, uma grande quantidade de armas e armaduras. A parte mais legal que achei foi a longa seção que conta a história militar francesa e mostra os artefatos usados durante cada um dos períodos e conflitos.

sala museu militar paris

Terminei pela tumba onde ficam as cinzas de Napoleão, incluída no ingresso do museu.

Napoleon's Tomb

Louvre

Voltei ao Louvre. Como a fila já havia diminuído o suficiente, fiquei na espera. Construído todo no subsolo, parece um emaranhado de galerias sem fim. Objetos de todos os tipos decoram o lugar. Desde obras de valor histórico inestimável, como tábuas com escrita cuneiforme dos Sumérios e o primeiro conjunto de leis escritas, conhecido como Código de Hamurabi…

Código de Hamurabi Louvre

…passando por obras clássicas como a Vênus de Milo da Grécia Antiga, até quadros pequenos mas famosíssimos como a Mona Lisa, onde multidões se aglomeram para uma selfie.

Vênus de Milo Louvre

Hôtel-de-Ville

Já à noite, uma passada pela histórica Catedral do corcunda de Notre-Dame. Feita em estilo gótico, teve sua construção iniciada em 1163, mas concluída apenas em 1345!

Hôtel-de-Ville

Por fim, a Praça da Bastilha, que conta com um monumento sobre o local onde ficava a fortaleza que virou uma prisão. Essa, por sua vez, foi o palco do principal evento da Revolução Francesa (1989), no episódio conhecido como Tomada ou Queda da Bastilha.

Bastille Monument

Enfim, essas são algumas das muitas atrações de uma das cidades mais visitadas do mundo. Pretende ficar mais tempo? O que não faltam são mais museus, jardins, palácios e templos religiosos.

Parei no mercado para comprar queijo Camembert e outras delícias antes do longo voo para Atlanta, nos EUA. Estava sempre levando a mochila na cabine, só que esqueci que tinha comprado o bendito queijo. Resultado: tive que comer ele ali mesmo na esteira das bagagens, pois senão iria para o lixo. Uma dor de barriga daquelas estava para vir…

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