cidade velha de praga

Praga, República Tcheca

 

Aproveitando a oportunidade de tirar férias, a vontade de conhecer um continente novo e a ausência de promoções interessantes no momento, alguns meses antes da viagem decidi resgatar as passagens com milhas Smiles para a Europa. Com 35 mil consegui o trecho de ida Guarulhos-Praga.

Em 18 de outubro de 2013, saí direto do trabalho para o aeroporto de Porto Alegre, antes de partir para a longa jornada em São Paulo a bordo da Air France.

Assim que passou o serviço de bordo, pedi uma Heineken para entrar no clima europeu. Dei o primeiro gole; para minha surpresa, a cerveja estava quente. Questionei o fato para o atendente em inglês, e a resposta que recebi, em português mesmo, foi: “Bem-vindo à Europa”! Preferências a parte, não tive escolha. Mas os demais aspectos do voo foram adequados, como uma miríade de filmes novos para assistir e comida boa para os padrões aéreos.

Uma escala tinha que ser feita em Paris, onde houve a imigração na União Europeia. Foi uma das mais tranquilas que já passei, pois a fila andava rapidamente e o oficial não me perguntou nada e nem pediu outros documentos.

No meio da tarde cheguei ao aeroporto na periferia de Praga, capital da República Tcheca, onde estava um clima bem agradável. Primeiro, comprei um punhado de coroas tchecas, já que o euro nem sempre podia ser usado lá. Depois, o caminho de ônibus até a cidade começou a revelar a beleza do local. Ao entrar na estação de metrô, comprei o bilhete em uma máquina e vi uma coisa que nunca tinha pensado que poderia ocorrer: não havia catracas, ou seja, qualquer um poderia entrar sem pagar! Imagina se fosse no Brasil…

Cidade Velha de Praga

Check-in feito no albergue temático Art Harmony (13 euros), já caía a noite quando sai para passear. Ainda com certo receio de levar a câmera nova para a rua, caminhei algumas quadras em direção ao rio Vltava, onde se concentram as atrações históricas da Cidade Velha de Praga, erguida na Idade Média.

Para minha surpresa, hordas de turistas de todas as partes do mundo fotografavam tudo que viam. Primeira parada, a Casa Dançante. Com sua iluminação noturna e estilo arquitetônico desconstrutivista, foi desenhada em 1992 e concluída em 1996, feita com aço, vidro, concreto e gesso.

prague dancing house

Parti em direção norte, sempre acompanhando o rio. Por sorte, nessa noite estava acontecendo o festival de luzes Signal na cidade. Assim, vários prédios históricos receberam projeções iluminadas e sons que faziam com que parecessem vivos. Esse evento foi tão bem recebido que vem se repetindo anualmente desde então.

festival de luzes de praga

Depois de passar por diversos espetáculos como esse, subi uma centena de degraus até o morro onde se encontrava o famoso Castelo de Praga, limitado de um lado pelo farol e do outro pela ponte Carlos. O castelo, construído inicialmente em 850 e reformado/reconstruído até o século 18, é um belo exemplar da arquitetura renascentista, e a principal atração turística da cidade, além de um belo cartão postal com sua iluminação noturna.

cidade velha de praga

Caminhei tanto que quando percebi já era outro dia, e ainda tinha que voltar tudo, dessa vez pela outra margem do rio.

Periferia de Praga

O sono era tão grande que perdi a hora. No final da manhã aproveitei meu cartão de transporte público ilimitado para um dia, que atualmente custa 110 coroas tchecas (~14 reais) e peguei um bonde sem rumo, descendo numa estação já fora do centro, a Geologická. Lá, tive meu primeiro contato com a belíssima coloração outonal europeia, onde o tradicional verde se mistura junto a tons de amarelo, laranja, vermelho, rosa e roxo.

periferia de praga

Ao voltar, juro que tentei achar um lugar com comida típica para almoçar. O problema é que na região menos turística não tive como decifrar a difícil escrita tcheca. Então acabei entrando em um shopping. Lá escolhi um tipo de restaurante que ainda não conhecia, o tal do “running sushi”, onde uma esteira passa com todo tipo de comida oriental e você pega os pratos que quiser. Confesso que não sabia metade do que estava comendo, apesar da comida ser saborosa, mas, ironicamente, a única coisa que não comi foi sushi.

restaurante sushi praga

Depois de tirar a barriga da miséria, fui até o supermercado do shopping, que na verdade era um hipermercado. Sempre gosto de ir nesses locais para conhecer o que o povo realmente consome. Além disso, é o lugar mais barato para se comprar, essencial quando se está na Europa. Perdi um bom tempo na sessão de cervejas, que se estendiam ao longo de muitas prateleiras. Havia de todos os tipos, sabores e recipientes possíveis, até em garrafa PET! Depois de escolher algumas e passar no caixa, percebi que não havia onde guardar as compras. Levei um tempo até perceber que eu deveria pagar pelas sacolas plásticas, um fato interessante para evitar desperdício que está se popularizando mundo afora.

O próximo destino foi outro centro arquitetônico no alto de um morro, mas dessa vez ao sul. O Vyšehrad, hoje em dia um parque, foi uma fortificação usada para a realeza no início do desenvolvimento de Praga.

Além da vista da cidade, dentro das muralhas há, entre outras construções, a igreja neogótica Basílica de São Pedro e São Paulo, acompanhada de um cemitério com alguns séculos de uso e lápides decoradas bem preservadas, guardando os restos de gente importante no passado.

Basilica Of Saint Peter And Saint Paul

Ainda, conta com a Rotunda de São Martinho, a construção mais velha ainda em pé de Praga, feita no século 11.

prague old town

Passei as últimas horas do dia (e algumas da noite) caminhando em um dos diversos parques e áreas verdes na direção oposta.

parque em praga

Para a hospedagem, devido à lotação, tive que seguir até outro albergue, o Miss Sophie’s. Na época custava apenas 125 coroas tchecas (4,7 euros!), mas hoje está cerca do triplo. Fiz a janta por lá e fiquei conversando com um argentino que estava procurando emprego na cidade e também com um turista alemão. Como tinha que levantar cedo no dia seguinte e não tinha companhia para sair, em seguida fui dormir.

Ao acordar, o primeiro aperto da viagem. Por algum motivo o ônibus que levaria até o aeroporto atrasou bastante. Quando cheguei ao terminal corri que nem um queniano até o portão de embarque. Com sorte o voo estava atrasado e pude embarcar, e com mais sorte ainda não mediram minha mochila, que estava acima do tamanho permitido sem a necessidade de despacho. Essa restrição é típica das companhias aéreas de baixo custo.

Ensopado mas aliviado, subi no avião da Wizz Air rumo a Milão, na Itália. Embora o intuito da viagem fosse de passar por mais lugares em menos tempo, a falta de planejamento e experiência na época fez com que muita coisa interessante tivesse que ficar para trás.

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