crab cay

Ilha de Providência, Colômbia

 

Pequena e tranquilíssima ilha no meio do nada, é cercada por coqueiros, manguezais e a 3ª maior barreira de recifes de coral do mundo.

Depois de passar uma semana maravilhosa em San Andrés, continuei para a segunda maior ilha do departamento de San Andrés, Providencia y Santa Catalina. Subi no Let L-410 Turbolet Searca e torci para o barulhento avião não cair antes de chegar à remota ilha, cujo acesso é apenas através desse turbo-hélice (empresa Satena) ou de um catamarã (empresa Conocemos Navegando), ambos com saída unicamente de San Andrés. De modo grosseiro, a via aérea leva 1/5 do tempo da via marítima, mas custa 2x mais. O catamarã não opera todo dia, outro motivo para eu não o ter escolhido.

avião searca

Bahía Aguadulce

Na saída do aeroporto dividi um táxi na garupa de uma picape com alguém que iria pro mesmo lado que eu, na zona hoteleira Bahía Aguadulce, ou Freshwater Bay, já que lá se fala tanto inglês quanto espanhol (na verdade assim como em San Andrés falam o crioulo, mistura incompreensível dos idiomas anteriores).

O albergue Blue Almond, onde me hospedei, é uma parte da pousada Cabañas Agua Dulce. Não que isso tenha sido ruim, pois o preço é bem em conta pela qualidade.

Bahía Aguadulce

Antes de conhecer meus companheiros de chalé aproveitei o fim do dia para praticar snorkeling na frente da hospedaria. Não é um ponto muito bom; ainda assim, cheguei a ver uma raia marrom. Quando não enxergava mais nada e minha câmera menos ainda, saí da água e assisti o dia terminar.

Freshwater Bay

Conheci meus colegas de quarto, a senhora alemã Ines e o jovem austríaco Andi. Começou a confusão linguística: Ines falava alemão e espanhol, mas não inglês; Andi falava alemão e inglês, mas não espanhol; e eu falava inglês e espanhol, mas não alemão!

A janta foi no ponto mais movimentado do bairro, onde se concentrava um mercado, algumas pousadas e restaurantes. Estava apenas começando a descobrir o quanto o lugar era tranquilo.

The Peak

Agitei o Andi, que estava há uma semana por ali e ainda não tinha feito muita coisa, e a Ines, que havia chegado comigo, para fazermos a trilha do pico mais alto da ilha pela manhã. Fomos até Bottom House (início da trilha) de moto-táxi, que carrega até 2 passageiros por vez e que, como iria descobrir posteriormente, te leva a qualquer lugar da ilha por até 10 reais.

Apesar do “The Peak” ter apenas 360 metros de altitude, não é tão fácil assim. Recomendaram que fizéssemos a caminhada com guia, mas o GPS foi suficiente. Os primeiros trechos são de mata tropical, com a presença constante de répteis, como o endêmico lagartinho azul (Cnemidophorus lemniscatus espeuti).

Cnemidophorus lemniscatus espeuti

A segunda metade é aberta, com outro tipo de formação mais adaptada à forte luminosidade. Lá do alto a visão de toda a ilha é incrível. Muito verde no meio de acidentes geológicos, além de no mar os diversos tons de verde e azul da 3ª maior barreira de corais do mundo.

highest point of providencia

Bahía de Manzanillo

Dali, seguimos para a praia Manzanillo (nomeada em referência às tóxicas árvores mancenilheiras), palco de corridas de cavalo e onde fica a “balada” mais famosa da ilha, o Roland Roots Reggae Bar & Restaurant. Uns poucos turistas e nativos frequentavam o ambiente situado à beira-mar.

Playa Manzanillo

Embora o almoço vindo do mar estivesse bom, para mim o auge foi o passo seguinte, a sesta em uma rede sob a sombra de um coqueiro em frente ao mar turquesa e ouvindo reggae, o som que toca eternamente nessa e nas demais praias de Providencia.

Boas horas de tranquilidade depois, quando meus companheiros já tinham partido, me levantei para investigar os manguezais dessa e da praia seguinte, atrás dos animais que passavam por lá, como essa iguana.

iguana do caribe

Bahía Suroeste

Cheguei à praia seguinte, na Bahía Suroeste (Southwest Bay). Caminhei pela areia através dos poucos bares, até que vi uma coisa estranha por trás de um deles. As águas do manguezal eram de um tom rosa/roxo! Jurei que era algum efluente, mas depois descobri que é um fenômeno natural que ocorre em períodos de seca, devido à concentração de uma substância que escoa das raízes das árvores da espécie mangue vermelho para a água!

bahía suroeste

Em seguida, peguei um coquetel em uma barraquinha para curtir mais um fascinante pôr do sol à beira-mar.

pôr do sol caribenho

O jantar foi como sempre em Freshwater Bay, como sempre com Andi e como sempre acompanhado de uma Club Colombia, a melhor das cervejas colombianas.

Parque Nacional Natural Old Providence McBean Lagoon

Mais um baita dia de sol raiou. Eu e Andi seguimos de motoca até Bahia Maracaibo, no lado nordeste da ilha. Nesse lugar fica o Parque Old Providence McBean Lagoon, que protege alguns ilhotes, barreiras de coral, pastos marinhos e um manguezal.

Alugamos um caiaque duplo por um preço ótimo, incluindo uma sacola estanque de graça. Logo remamos até Cayo Cangrejo (Crab Cay) a 600 metros da costa. Poderia ser facilmente renomeada para Cayo Tortuga, visto que tem o formato de um casco de tartaruga. Ali fica a portaria do parque, que embora não ofereça nenhuma facilidade, cobra uma simplória entrada.

Uma rápida ascensão ao topo (rápida mesmo, visto que o cayo tem apenas 50 m de raio) revelou uma vista muito bonita.

crab cay

Prosseguindo, caímos na água para ver a vida submersa. Legal, mas nada de excepcional, e de novo apenas um peixe-anjo e o peixe-cofre (Lactophrys triqueter) da foto a seguir. O melhor estava na compridíssima barreira de coral que ficava afastada dali e não podia ser acessada, para sua melhor preservação.

peixe-cofre

Continuamos a remada em direção sul, paralelamente à costa. Logo paramos para um rápido mergulho no recife demarcado por uma boia cujo ponto chama-se White Shoal, quando surgiu uma nuvem negra que resultou em alguns pingos e estragou a visibilidade.

Old Providence Mc Bean Lagoon

Por fim, passamos rentes ao manguezal e o respectivo tapete contínuo de algas pardas que o cercava, para então voltar à terra firme.

Old Providence Mc Bean Lagoon

Subimos em outra moto para almoçarmos em Santa Isabel, que é o bairro considerado centro da cidade e limítrofe com a Ilha de Santa Catalina, e também aonde chega o catamarã. Como era domingo quase tudo estava fechado. Entramos no único restaurante que achamos disponível, claramente nada turístico.

Consegui finalmente saborear carne de siri, que estava em falta em todos os locais que eu havia almoçado anteriormente. Também provei o suco do lulo (Solanum quitoense), fruta cítrica colombiana parecida por fora com uma laranja. Aprovado, mas fiquem ligados na água da pia usada pra fazer o mesmo, caso você tenha estômago fraco.

Ilha de Santa Catalina

Depois da digestão caminhei até a pequena Santa Catalina, inacessível a veículos motorizados. Como Andi já a conhecia, picou a mula dali.

O primeiro passo para entrar na ilha é atravessar a Puente de Los Enamorados. Reza a lenda que sempre há raias passando pelo canal abaixo, mas não vi nenhuma.

puente de los enamorados

O que há do outro lado são apenas algumas residências, restaurantes e a trilha que conta um pouco da história da colônia pirata estabelecida ali no século 17, quando o galês Henry Morgan aterrorizava os espanhóis. Junto à estátua da santa que nomeia a ilha ficam as ruínas do simplório Fort Warwick, construído para proteger o refúgio, e quem sabe o tesouro perdido de Morgan.

pirate henry morgan

Continuando, a trilha leva à pequena praia de Fort Bay e à Cabeza de Morgan (a de pedra, e não a real). Esse marzão verde cercado de coqueiros é o ponto final.

santa catalina providencia

O sol já estava quase dando adeus quando retornei e decidi ir correr. Não pretendia ir tão longe, mas como meu ritmo ia bem decidi continuar subindo e descendo as lombas intermináveis da rodovia que circunda a ilha principal. Como os bairros se desenvolveram basicamente só ao longo dessa estrada, posso dizer que depois de 17,5 km correndo conheci cada canto de Providencia.

O último dia inteiro em Providencia foi usado para o pouco que ainda havia a fazer fora da água. Pela manhã caminhei até a represa. Cheguei lá pensando que ia ter bastante gente, mas para meu espanto não havia absolutamente ninguém.

Assim pude finalmente conseguir ver diversas aves, tanto nas margens do lago artificial quanto nas matas conservadas em volta, sendo que parte delas são existentes também no Brasil, como o martim-pescador, a garça-azul e o tesourão.

represa de providencia

Percorri alguns caminhos pela volta antes de descer novamente até a praia de Southwest Bay, onde encontraria Andi para comer o famoso plato mixto, essa enormidade gastronômica da foto que inclui até lagosta. Deliciosa e em conta.

prato de frutos do mar

Com isso encerrei meus dias de paz e tranquilidade nesse fantástico lugar no meio do nada, bastante diferente das outras ilhas caribenhas. Não deixem de conhecer!

Mapa das atrações turísticas de Providencia

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