Naja cuspideira (Hemachatus haemachatus) no Snake Park em Qacha's Nek, Lesoto

Qacha’s Nek, Lesoto

 

Cidadezinha de fronteira entre paisagísticas montanhas e o Parque Nacional Sehlabathebe, conta também com um interessante parque de serpentes (Snake Park).

Qacha’s Nek

Já com o sol se pondo atrás dos montes, eu e Beto deixamos Semonkong e seguimos viagem para o distrito de Qacha’s Nek (o “qa” é pronunciado com um clique, artifício comum na língua sesoto). No trajeto entre montanhas servimos até de táxi, pois o oficial que estava levando passageiros quebrou, e nosso carro era um dos poucos que estava a passar naquela hora. Como já estava tudo escuro quando chegamos em Qacha’s Nek, tivemos certa dificuldade em achar nosso hotel, o Nthatuoa, que fica bem na entrada da cidade.

Entrada do hotel Nthatuoa em Qacha's Nek

O quarto é decente, mas ficamos sem wi-fi e com um chuveiro bem limitado. Nos custou uns 400 maloti (~105 reais) no total pelo quarto duplo com café da manhã.

Quarto duplo do Hotel Nthatuoa em Qacha's Nek Lesoto

Choveu a noite toda, o que acontece com frequência e o maior motivo das paisagens serem tão verdes. Mas isso teve um preço: quando saímos de manhã em direção ao Parque Nacional Sehlabathebe a estrada que já era ruim ficou intransitável sem tração 4X4, ainda mais porque pegamos a pior das vias que levam de Qacha’s Nek a Sehlabathebe, graças ao GPS.

Área rural com montanhas verdes em Qacha's Nek

Depois de quase meia hora de viagem andando entre 1ª e 2ª marcha, nosso carro atolou de vez na lama. E agora, José? Longe da cidade e sem sinal de celular, a solução foi pedir ajuda com linguagem de sinais em um aglomerado de choupanas (mokhoros). Os habitantes estavam em algum tipo de reunião naquele momento, mas assim que acabaram nada menos que 10 homens e até mulheres do vilarejo vieram nos ajudar erguendo o carro para colocar pedras, o que deu tração para que eu conseguisse retirá-lo. Logo em seguida chegou um reboque, que nem foi necessário. O simpático povo ficou feliz em nos ajudar e nem quiseram algo em troca.

Pessoas de Lesoto que me auxiliaram a tirar o carro da lama

Infelizmente tivemos que abortar Sehlabathebe, famoso pelos relevos, espécies endêmicas e pinturas rupestres, mas no retorno demos carona até a igreja a uns jovens que tinham tatuagens de presidiário, e eles nos mostraram outro lugar que poderíamos visitar nessa cidadezinha sem grandes atrações. O Snake Park, o primeiro do tipo no país, é uma iniciativa privada bastante interessante. Fizemos um tour com o próprio dono, que nos mostrou as víboras e najas altamente venenosas de Lesoto. Além disso, o também herpetólogo Nkhooa Molahlehi nos contou sobre a preparação e dificuldade para erguer e manter este espaço, pois inclui também outras iniciativas socioambientais, e não tem apoio nenhum do governo, contando apenas com a taxa modesta de entrada e doações. Um de seus sonhos é conseguir produzir soro a partir do veneno das serpentes, já que picadas são um problema na região.

Instalações do Snake Park em Qacha's Nek

Na foto, flagrei um de seus bichinhos, a naja cuspideira (Hemachatus haemachatus). Como o nome sugere, tem a capacidade de projetar veneno a 4 m de distância!

Naja cuspideira (Hemachatus haemachatus) no Snake Park em Qacha's Nek, Lesoto

Há ainda um rochedo sobre o qual se vê toda a cidade, montanhas vizinhas e o posto de fronteira com a África do Sul, que fica morro abaixo.

Mirante da cidade de Qacha's Nek

Já com fome, procuramos um lugar para tirar a barriga da miséria. Almoçamos na lanchonete Vucks Snack Bar, na avenida principal. Achamos melhor não pedir um russo defumado (hein?), então ficamos com esse prato de arroz, frango e salada (moroho). Custou apenas 32 maloti, uns 8 reais.

Prato de frango, arroz e salada no Vucks Snack Bar em Qacha's Nek

No caminho de volta a Maseru, logo no início já nos deparamos com a infinidade de paisagens indescritíveis.

Paisagem de montanha em Lesoto

Ainda, um evento no mínimo inusitado: a cada poucas dezenas de km, cruzavam na rodovia pastores e suas dezenas de bois e ovelhas trancando toda a via.

Ovelhas na estrada de Lesoto

Chegamos no final da tarde na capital Maseru.

Mapa dos pontos de interesse de Qacha’s Nek

.

.

Deixe um comentário