Shwedagon Pagoda em Yangon à noite

Rangum, Mianmar (Yangon)

 

Mianmar é um país pobre budista que recentemente se abriu para o turismo. Como consequência, é bem barato e exótico. Em Rangum, a maior cidade, ficam alguns pontos de interesse, como o templo  Shwedagon Pagoda.

Entrada em Mianmar

Vindo de Cebuesperei várias horas no moderno aeroporto de Kuala Lumpur (Malásia) até o voo seguinte para Rangum (também chamado Yangon), em Mianmar (ou Myanmar). Esse voo no fim da tarde saiu por 197 ringgits malaios (~161 reais) com a cia de baixo custo AirAsia.

Ao desembarcar, bastou entregar à imigração a carta de recomendação do pedido de eVisa, feito antecipadamente pela internet por 50 dólares, para ingressar num dos países mais diferentes que já conheci.

Até a Chinatown, onde iria me hospedar, o taxista do aeroporto queria me cobrar 10 mil kyats (~24 reais), e não havia serviço de ônibus por lá. Encontrei um casal de brasileiros (Gleice e Renan) quando fui fazer o câmbio (necessário, já que cartão de crédito é inútil por lá, pois não é aceito em quase nenhum lugar). Por sorte, eles ficariam próximos a mim; dessa forma, consegui dividir o carro.

Centro de Rangum

Mal cheguei e já saí pra caminhar pelas ruas movimentadas e um pouco escuras da metrópole. Apesar de parecer um pouco amedrontador, a criminalidade contra turistas é baixíssima. Tentei ir a tempo ao templo que supostamente guarda um pedaço do cabelo de Buda (Botahtaung Pagoda), mas havia acabado de fechar devido à hora tardia. De fato, logo percebi que a religião oficial budismo está presente por todos os lados.

Templo Botahtaung Pagoda em Rangum

Na volta, passei pela praça do monumento da independência (Maha Gandula), onde fica também a Sule Pagoda, a prefeitura e outros prédios do período colonial britânico nas quadras ao redor. Já era 9 e meia; apenas barracas de comida de rua e alguns restaurantes chiques estavam abertos.

Por apenas 8 dólares, incluindo café da manhã, me hospedei no ótimo albergue Shwe Yo Vintage Hostel. Dormir no dormitório de 8 camas com ar condicionado foi um alívio pro calor que estaria fazendo durante os dias.

Albergue em Yangon Myanmar Shwe Yo Vintage Hostel

O café da manhã foi um estranho prato de sopa de macarrão de arroz com peixe e temperos, chamado mohinga. Apesar de ser extremamente inusual para nós ingerirmos isso de manhã cedo, até que não tava ruim. E para acompanhar? Bolinho com sementes de papoula! Nada mais justo para o segundo maior produtor mundial.

Mohinga e bolo de papoula no café da manhã em Yangon

Nesse mesmo café conheci as viajantes Lainie e Claudia da Austrália, bem como um sueco, com o qual peguei o trem circular por 200 kyats na estação Lanmadaw. Com tudo escrito no indecifrável idioma birmanês, foi um pouco difícil saber qual o trem certo, mas algumas dezenas de minutos depois embarcamos em um dos velhos vagões britânicos ao redor da cidade.

No caminho se vê bastante sujeira e pobreza; essa é a realidade em Mianmar, um dos países menos desenvolvidos do mundo.

Lixo nas ruas de Yangon

A certo ponto é preciso trocar de trem, então prestem atenção e tentem obter informação dos raros que falam algum inglês.

Quando chega na metade, você vê agricultores e suas plantações. Num dado momento, o corredor do vagão ficou completamente cheio de vegetais a serem vendidos no centro da cidade.

Trem em Rangum lotado de produção rural

Saltamos do nosso passeio de 50 centavos na estação Kanbe, próximo ao Lago Inya, o maior reservatório da cidade. Compramos 2 cachos de bananas por apenas 400 kyats e caminhamos ao redor. Até tentamos ver a residência da filha do líder revolucionário, mas o acesso era proibido.

Templos budistas de Rangum

Como o lago não era muito interessante e já fazia um calor de mais de 35 graus, ficamos tentados a nos refugiar no Myanmar Plaza, um shopping em estilo ocidental bem em frente ao lago. Mas como ainda havia muito o que ver, deixamos de lado, tomando um táxi por 3500 kyats até onde ficam 2 templos budistas com estátuas gigantes, ambos gratuitos. No primeiro, Chauk Htat Kyi, a estátua é reclinada, enquanto que no Ngar Htat Gyi ela está sentada. Como todo templo budista, é preciso entrar sem calçados e com ombros e joelhos cobertos.

Templo budista Chauk Htat Kyi com estátua reclinada em Rangum

Por curiosidade e praticidade, comprei por 300 kyats uns bolinhos fritos de feijão e outros vegetais na rua. Estavam bons. Sendo frito, dá pra comer até do chão (tá bom, não vamos exagerar).

Comida de rua de Yangon

O museu Bogyoke Aung San, também próximo, conta um pouco da história do general que levou o país à independência logo após o fim da 2ª Guerra Mundial. Fica em sua última casa antes de ser assassinado, mas há tão pouco para ver que não sei se os 5 mil kyats de entrada são justos.

Museu do general Aung San em Rangum

Continuei, agora sozinho, em direção ao sul, entrando nos jardins do Lago Kandawgyi. Contornei ele, subindo na Utopia Tower, onde tive uma bela vista por 200 kyats. Nessa mesma torre tive meu momento popstar – um grupo de indianas quis uma foto com um dos raros galegos nessa parte do mundo.

Grupo de indianas e Matheus Hobold Sovernigo

Outro ponto de interesse é o Karaweik Palace, restaurante nada barato em formato de um barco de dragões. Local também de apresentações culturais típicas de Mianmar.

Restaurante Karaweik Palace e Lago Kandawgyi em Rangum

Corri para chegar ao pôr do sol na maior atração de Rangum, a Shwedagon Pagoda. Por 8 mil kyats se tem acesso a um complexo budista lotado de turistas, cujo maior atrativo é uma estupa de 99 metros de puro ouro. A iluminação noturna dessa estupa, bem como das outras, é incrível, então vale a pena passear de dia e à noite pra ver a construção erguida entre os séculos 6 e 10.

Shwedagon Pagoda em Yangon à noite

Me sentindo seguro, ainda tirei umas fotos na Maha Vizaya Pagoda já caminhando de volta. No meio do trajeto jantei um curry de bode por apenas 1500 kyats, num local frequentado apenas por locais.

Zoológico de Rangum

Tive outro café da manhã nada convencional. A seguir, como o mercado de souvenires (Bokyoke Aung San Market) e o museu nacional (National Museum) fecham nas segundas, tive que me contentar com o zoológico (Yangon Zoological Garden). Por 3 mil kyats tomei um táxi até lá.

A entrada custou o mesmo valor. Para os padrões de Mianmar, até que é um zoológico razoável. Há centenas de espécies de vários grupos animais, a maioria do próprio país, como o urso-negro-asiático (Ursus thibetanus).

Urso-negro-asiático (Ursus thibetanus) no zoológico de Yangon

No entanto, à exceção da área dos veados, as outras jaulas são pequenas demais para os pobres bichos, que não pareciam tão contentes.

Macaco triste em zoológico

Há também um museu de história natural, incluso no ingresso, que conta com vários animais empalhados, fósseis e rochas.

Museu com animais empalhados no zoo de Rangum

Duas horas e meia foram suficientes para ver tudo, então voltei pelo trânsito caótico de Rangum, que possivelmente seria menor se motos não fossem proibidas nessa cidade.

Por fim, dividi um táxi e fomos pro aeroporto, onde tomei um lanche e embarquei na Golden Myanmar Airlines. O voo até Bagan foi salgado, 110 dólares, mesmo comprando pela internet previamente. Fiquei apreensivo quando vi que o avião era um turbo-hélice, mas apesar das chacoalhadas cheguei a salvo. O serviço de bordo incluiu uma revista e um lanche.

Avião da Golden Myanmar Airlines

Mapa dos pontos de interesse de Rangum

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