Mývatn hot mud pool

Região Nordeste, Islândia

 

Vindo pelo leste em nosso carro alugado e já fora da Ring Road, eu e Paulo acelerávamos sobre a estrada de cascalho quando passamos por um carro parado no acostamento com problemas. Assim como havíamos sido ajudados no dia anterior, retribuímos o auxílio. Mesmo nos atrasando, trocamos o pneu furado de Jacqueline e seu parceiro, uma dupla de singapurenses que não tinham ideia de como faze-lo. Ficaram tão gratos que até nos ofereceram um jantar em retribuição, mas como seguiríamos caminhos opostos, acabamos dispensando – só a alegria já valeu.

Jökulsárgljúfur

Logo depois, ingressamos em Jökulsárgljúfur, o setor separado fisicamente, mas ainda parte do anteriormente visitado Parque Nacional Vatnajökull. A primeira descida foi na Dettifoss, a cachoeira mais caudalosa da Europa, e suas vizinhas menores Selfoss e Hafragilsfoss. Tentem reparar na insignificância das pessoas no outro lado do spray de água.

Dettifoss Jökulsárgljúfur

Apesar da grande queda com volume ensurdecedor, o que me chamou a atenção foi esse pequenino aracnídeo na margem da cascata, mais precisamente um opilião. Diferente de suas parentes aranhas, essa ordem não possui veneno.

Iceland harvestmen at Dettifoss

A água do rio que atravessa a cachoeira chama-se Jökulsá á Fjöllum e provém do degelo da geleira Vatnajökull, a mais volumosa do continente. Desemboca próximo a nossa parada seguinte, o cânion Ásbyrgi. Este, por sua vez, foi formado com o degelo após a última era glacial. Atualmente consiste em um vale em forma de ferradura preenchido por uma das poucas florestas restantes do país, nesse caso formada de bétulas, salgueiros e pinheiros, algumas introduzidas. Além disso, há um lago e paredões verticais de até 100 m de altura. É um lugar bonito e tranquilo para se acampar.

Ásbyrgi Canyon Forest

Para voltar à Ring Road, onde pernoitaríamos, usamos a estrada no lado oeste do cânion, a via 862, que na verdade estava ainda em construção. Mais um desafio off road com quase um atolamento e pneu furado – nesse caso não haveria ninguém para nos socorrer, especialmente porque não tínhamos um telefone que funcionasse.

Mývatn

Chegamos à noite em mais uma região geotermal e bastante odorífera. O que parecia ser de longe uma erupção, de perto vimos que era a quinta maior usina geotérmica do país, Kröflustöð, construída junto ao vulcão ativo Krafla. Entramos na área sem sermos parados por ninguém, mas como já era tarde, demos meia volta e fomos até a vila mais próxima de Reykjahlíð. Nela, Paulo tomou o chá mais caro da sua vida em um hotel em troca de uma tomada e wi-fi. Já que o sinal pegava no estacionamento, ficamos lá mesmo, colocamos as múltiplas camadas de roupa e dormimos mais uma noite no carro.

Muito fedor e mosquinhas nesse dia. Começando pelo Hverir (Hverarönd), campo de poças efervescentes de lama e enxofre. Os bichos que ficam por ali incomodam demais. Ao menos, Islândia é o único país do mundo sem mosquitos. Caminhamos rapidamente em meio aos campos sulfurosos devido aos insetos e ao cheiro desagradável, embora a paisagem fosse bem diferente e interessante.

Mývatn hot mud pool

Há uma série de outras atrações nessa região, mas com o tempo curto só pudemos passar rápido. Desde o grande Lago Myvátn, cujo significado do nome remete aos insetos malditos, como também a pequena caverna alagada Grjótagjá, logo em frente. Com água termal, a subsidência reflete o azul do céu e já foi local de banho e cena do seriado Game of Thrones – assim como os locais das 2 fotos seguintes.

Grjótagjá Cave Mývatn

Em torno do lago ainda há as pseudo-crateras múltiplas Skútustaðagígar, e a cratera com cerca de 1 km de diâmetro do vulcão há muito tempo inativo denominado Hverfjall.

cratera do vulcão inativo Hverfjall

Ainda na região, erguem-se as colunas de lava de Dimmuborgir. Únicas no mundo, oferecem trilhas em meio às formações rochosas vulcânicas. No entanto, também é uma zona dominada pelas pragas voadoras, o que reforça o motivo pelo qual os antigos islandeses acreditavam que aqui ficava a ligação da terra com o inferno.

Dimmuborgir myvatn got

A última das grandes atrações do nordeste do país, e grátis como todas as anteriores, é a volumosa Goðafoss. Traduz-se como a cachoeira dos deuses, devido a uma lenda local.

Cachoeira Goðafoss

Poucos quilômetros de estrada depois, passamos pelo mirante de Akureyri, a maior cidade da Região Nordeste, ainda que não necessite nem de uma foto panorâmica para cobrir todo seu terreno.

Panorama da cidade de Akureyri na Região Nordeste da Islândia

E assim continuamos a viagem pela parte final da majestosa Islândia…

Mapa dos pontos de interesse do nordeste da Islândia

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