Ruínas do Coliseu no centro histórico de Roma

Roma, Itália

 

Do Marrocos, passando pela Espanha, voei com a Ryanair de Barcelona ao aeroporto de Fiumicino. O que não estava nos planos era que o transfer de 5 euros da empresa Terravision até o centro histórico de Roma levaria horas para partir. Somando a uma hora de trajeto, cheguei já no fim do dia.

Centro histórico de Roma

O albergue The Yellow (a partir de 24 euros a diária sem café), onde me hospedei, é grande demais. Isso o torna meio impessoal e difícil de fazer amizades. Assim, saí sozinho caminhando por aí, à noite mesmo, já que meu roteiro estava atrasado.

A cidade é um verdadeiro museu a céu aberto. A cada quadra atravessada, um monumento novo, a maior parte deles abertos ao público. Começando por igrejas e similares de todos os santos possíveis, visto que a Itália é o centro do catolicismo no mundo. Entrei na Basílica de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires (Santa Maria degli Angeli e dei Martiri), construída em 1562 sobre os restos das Termas de Diocleciano. Por causa desse fato, não há fachada propriamente dita, o que a deixa ainda mais interessante.

Basílica de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires no centro histórico de Roma

Há inúmeras belas e famosas praças com estátuas e fontes de mármore onde o povo e principalmente turistas se reúnem. Claro que além desses, há os vendedores chatos que ficam atirando pirocópteros brilhantes para estragar suas fotos, e os que oferecem paus de selfie. Pena que algumas das fontes, como a Fontana di Trevi, estavam em reforma. Na foto, a escadaria da Piazza di Spagna e a Fonte da Barcaça (tradução literal).

Fontana della Barcaccia - Scalinata di Trinità dei Monti

Também recomendo a Piazza del Popolo, oval e com um grande obelisco central, bem como a Piazza Venezia, mencionada adiante. A Navona, por sua vez, abrange belas fontes e a igreja barroca Sant’Agnese in Agone.

Piazza Navona Rome Downtown

Impressiona a magnitude das colunas que sustentam o Panteão, dedicado aos deuses greco-romanos na Idade Antiga. É o único edifício da época que se encontra em perfeito estado de conservação, segundo a Wikipédia.

Panteão no centro histórico de Roma

Mais ao sul, no Largo di Torre Argentina, há ruínas parcialmente reveladas de templos e do local onde se acredita ter ocorrido o assassinato do imperador Júlio César. Quando passei podia ser visto de fora, mas a área em si estava interditada.

Ruínas onde Júlio César foi assassinado no centro histórico de Roma

Na Piazza Venezia fica o pomposo palácio neoclássico chamado Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II, construído em 1925 em homenagem ao primeiro rei da Itália unificada. No entanto, sua construção é controversa, visto que destruiu uma parte bem antiga da cidade.

Piazza Venezia em Roma

Ao lado ficam os fóruns de Trajano e de Augusto e, seguindo pela Via dei Fori Imperiali, chega-se no esplêndido Coliseu. Dá até um arrepio ao se aproximar da enorme estrutura e contemplar uma das 7 maravilhas do mundo, pensando em tudo que já ocorreu ali dentro, como as lutas entre gladiadores. Estima-se que no auge ele tenha suportado até 80 mil pessoas, capacidade parecida com a do Maracanã, o maior estádio brasileiro.

Há uma grande obra de restauração, visto que o estado do edifício é bem delicado.

Ruínas do Coliseu no centro histórico de Roma

Tivoli

De trem fui até Tivoli, na região metropolitana de Roma, pagando uns 3 euros. Meia hora depois já estava à margem da zona rural, em uma bela cidadezinha que também guarda muita história. Comecei pela Villa Gregoriana, uma mistura de parque natural de cachoeiras com ruínas romanas. Cansa subir e descer as trilhas para ver tudo, embora não seja tão grande.

Cascata di villa Gregoriana

Estava indo tudo bem até eu chegar aos degraus da última cachoeira. Adivinhem só, torci o tornozelo! Com minhas várias experiências anteriores de torção, senti que o negócio foi feio. Ainda assim, só dei uma paradinha e aproveitei que ainda estava quente para continuar, jogando o peso em outra perna enquanto não inchava. Mas foi um sofrimento subir tudo de novo desse jeito.

Ao sair passei reto pelas típicas ruelas, enquanto procurava um lugar para comer e descansar.

Tivoli narrow street

Acabei na Villa D’Este, Patrimônio Mundial da Humanidade que consiste em um palácio com muitos afrescos religiosos, ainda que os fundos sejam a principal atração: um sistema de fontes e corredeiras d’água em meio a jardins verticais.

Patrimônio da UNESCO em Tivoli

Apesar de meu incidente com o cacto nas Ilhas Canárias, não resisti e acabei provando uma fruta deliciosa que tinha no jardim. Comi todas que alcancei. Descobri depois que seu nome é medronho (Arbutus unedo).

Fruta medronho em Tivoli

Faltou tempo para ver a Villa Adriana, outra atração imperdível e também listada pela UNESCO, pois precisaria de um ônibus para chegar lá.

De volta a Roma, fui atrás de um supermercado, saltando em estações de metrô aleatórias e procurando pelo GPS. Consegui achar um e fiz a farra. Entre outras coisas menos importantes, comprei 1 kg de queijos caríssimos no Brasil, e que lá paguei como se fosse um muçarela. Para trazer a nosso país, também comprei 3 litros de cervejas alemãs (1,4 euros por 500 ml) e 3 potes gigantescos de 1 kg de creme de cacau com avelã, vulgo Nutella (6 euros o kg), que para minha sorte é italiana.

Já na hospedagem, compartilhei um de meus sanduíches com um legítimo havaiano que estava em meu quarto, enquanto conversávamos.

Vaticano

Manco, ficou para o último dia a missão de enfrentar a fila do INSS, digo, do Vaticano. Uma verdadeira procissão seguia da estação de metrô para a Piazza San Pietro (Praça de São Pedro), no enclave da Cidade do Vaticano. Fiquei conversando com um grupo de brasileiros enquanto aguardava com a multidão. Achei que passando todo esse empenho poderia ver toda a Cidade do Vaticano, mas a fila era apenas para a Basílica de São Pedro… ao menos esta era grátis.

Não sou ligado em religião, mas a construção é impressionante. Fico pensando a que custo humano foi extraído todo o ouro que está ali.

All'interno della Basilica di San Pietro

Por volta do meio-dia a praça estava apinhada de gente. Ir no domingo teve uma desvantagem e uma vantagem: a primeira é que não havia acesso à Capela Sistina, e a última é que o Papa iria aparecer por lá. Eis o motivo de tanta muvuca.

St. Peter's Square at Vatican

De uma janelinha no alto apareceu Vossa Santidade, transmitindo uma mensagem e orando por alguns minutos. Como estava na lateral, vi apenas seu braço.

Por último, deixei o Vaticano e fui até o Monte Palatino, onde ficam importantes ruínas da Roma antiga. Do Circo Máximo não restou nada além do formato do terreno onde ocorriam as corridas de biga. Por outro lado, as ruínas do Fórum Romano e as demais do lugar onde nasceu o Império Romano estão mais conservadas.

Ruínas do Monte Palatino no centro histórico de Roma

Mapa das atrações turísticas de Roma

Voltei pro albergue, comi o resto dos sanduíches, peguei o transfer de volta pro aeroporto e enfrentei o longo voo de volta ao Brasil pela desagradável Aerolíneas Argentinas. Em um terço do voo o sistema de entretenimento não funcionou, e quando funcionou só tinha uns 4 filmes pra ver. E o pior de tudo é que os comissários não deixaram usar o celular em modo de voo em momento algum! Dá pra acreditar nisso?

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