Mar de Siete Colores de San Andrés

Ilha de San Andrés, Colômbia

 

Ao final de março de 2015 voei pela Avianca para a ilha longínqua da Colômbia chamada de San Andrés, no Caribe, cujo território está protegido pela Reserva de Biosfera Seaflower. Saindo de Porto Alegre, as conexões foram em Lima e Bogotá. Cuidado para não despachar sua roupa toda e passar frio em Bogotá como aconteceu comigo, já que o aeroporto fica a 2600 m de altitude!

Outro aviso importante, para embarcar à região de San Andrés e Providencia é necessário pagar uma tal de tarjeta de turismo, que em 2016 passou para 99 mil pesos colombianos (105 reais)!

Com o GPS em mãos, caminhei do aeroporto de San Andrés (que fica dentro da cidade) até o albergue El Viajero, o mais conhecido da ilha. Paguei 45 mil pesos na época (menos de 50 reais) por cada noite em um quarto com 8 camas. Ao escrever esse relato, verifiquei que o quarto custa atualmente 52,2 mil pesos.

Naufrágio em Rocky Cay

Assim que coloquei meus pés na recepção, já fui convidado por um grupo a ir à praia Rocky Cay, também chamada de Cayo Rocoso. Perfeito, pois já tinha planejado ir nesse lugar, mas não sabia bem como. Com a turma composta por uma colombiana que não recordo o nome, o colombiano Juan, a argentina Flor e o italiano Luca, nos esprememos num táxi e chegamos lá alguns minutos depois.

Rocky Cay Beach

A agradável praia consiste em uma faixa muito rasa que leva até uma ilhota e, logo depois, um dos muitos naufrágios de San Andrés. O diferencial é que a profundidade máxima é de uns 3 metros, ficando boa parte do navio acima do nível do mar e possibilitando a exploração somente com snorkel.

snorkeling shipwreck

Sob a carcaça metálica partida, cardumes de algumas espécies de peixes como cirurgiões, além de corais, ouriços, outros invertebrados, esponjas e algas, mas o mais interessante foi ver a estrutura do falecido navio de carga grego Nicodemus.

De volta à terra, fiquei conhecendo melhor as pessoas legais que me acompanhariam ao longo da viagem. Chegando o pôr-do-sol, voltamos ao hostel.

Junto com Mauro e outro argentino que estava em meu quarto, jantei uma pizza no restaurante Don Aníbal, no centro. Cansado de 2 noites praticamente sem dormir nos aeroportos de Bogotá e Porto Alegre, fui pra cama cedo, mas não sem antes ir até um dos escritórios na orla para agendar um passeio de 20 mil pesos para a manhã seguinte.

Acuario e Johnny Cay

Eu, o basco Josué, os argentinos da noite anterior, minha querida Flor e mais sua amiga e compatriota Sol, fomos todos ao aquário (Acuario). O passeio meio sem graça consiste em um curto trecho de lancha até uma ilhota, com poucos peixes e aglomerações de turistas. Ou seja, quem já praticou snorkeling antes não vai curtir muito.

snorkeling acuario

Ainda bem que havia uma continuação para esse passeio, a ilha Johnny Cay. Logo ao chegar esperamos para provar um dos muitos pargos e patacões (banana verde frita) que eu ingeriria durante essa viagem. Gostei do peixe.

Pargo rojo con arroz y patacones

Enquanto os demais torravam na areia da única praia do cayo, fui explorar o resto dela. Conheci os onipresentes lagartos e iguanas fora da água e alguns corais cérebro e ramificados dentro dela.

Voltei à praia para ouvir o reggae rápido de San Andrés com aquelas argentinas que rapidamente se tornariam minhas melhores companhias de viagem.

johnny cay beach

À noite, jantamos no mesmo lugar e depois tomamos umas aguadas cervejas Sko…, digo, Águila, no bar do albergue.

Volta à Ilha de San Andrés

Dia de conhecer melhor a ilha principal com um carrinho de golfe alugado. O trânsito no centro é uma droga. Motos produzindo fumaça, buzinas e manobras arriscadas para tudo quanto é lado, além de um infeliz motorista de caminhão que deu ré em cima do carrinho que eu guiava. Com a velocidade de uma pessoa trotando, esse veículo não é nada adequado pra rodar na cidade, mas não deixa de ser divertido guiá-lo por outras bandas.

golf cart san andrés

Saímos o mais rápido possível para ir até a primeira parada, um manguezal que estava um tanto degradado. Não vi nem aves e nem caranguejos.

À continuação, passamos pela bela e longa praia de San Luis, mas não chegamos a ficar. Seguimos sendo ultrapassados por todos até chegar ao extremo sul da ilha, onde estacionamos no Hoyo Soplador. Ali era para existir um fenômeno similar ao gêiser, mas com a ausência de ventos nada aconteceu. Ao menos a vista dos muitos tons do mar era bonita, fazendo jus ao apelido de mar de 7 cores.

Mar de Siete Colores de San Andrés

Contornamos para o lado oeste, onde os pontos de mergulho se situam. Como já tínhamos um em vista, não paramos nos pontos turísticos pagos, como a Piscinita. Na altura da Cueva de Morgan, simulação de um vilarejo típico que também deixamos passar, achamos um restaurante de comida regional para o almoço. O baita rango incluiu um tal de caracol-do-mar afrodisíaco, quase indistinguível na direita da foto. Depois fiquei sabendo que é extraído da concha gigante mais comum das ilhas (Eustrombus gigas). Um pouco emborrachado, mas apetitoso.

Eustrombus gigas

Rápida digestão antes do mergulho no naufrágio proposital conhecido como Barco Hundido, sinalizado por uma boia, já que fica a cerca de 10 metros de profundidade e a algumas centenas de metros da costa. Coloquei a posição no mapa ao fim do relato, mas se alguém necessitar da posição GPS é a seguinte: 12° 32′ 12.449” N 81° 44′ 7.654” W

Deixamos o carro aos cuidados de um rastafári que vivia ali, um pouco apreensivos já que não havia chaves no veículo. Bastava pisar no acelerador e se mandar!

Já no mergulho, vi que havia um pouco mais de biodiversidade por lá, principalmente a de menor porte aderida aos mastros.

mastro em naufrágio

Na hora em que cheguei aportou um navio de mergulhadores americanos, que me ofereceram uma água. Em nova descida, vi quatro barracudas, uma raia de esporão, entre outras coisas. Os destroços deste navio estão espalhados por uma área maior do que o naufrágio anterior.

Passei por uma gorgônia e um peixe-cofre e voltei até a margem, onde as chicas estavam.

Prosseguimos com o circuito, completando a volta depois de mais um tempinho cruzando coqueirais em estradas tranquilas, ainda que nem sempre lisas.

caribbean road

Paramos em uma praia já que havia tempo de sobra antes do dia acabar. Após fritar no sol o suficiente, tentei explorar uma região próxima ao centro conhecida como La Loma, mas fui desrecomendado por alguns locais, por ser perigoso.

Uma corridinha antes, e para jantar agregamos mais um ao grupo, o britânico James. Fomos pela última vez no Don Aníbal, dessa vez para ingerir comida mexicana.

restaurante em san andrés

Cayo Bolívar

Cedinho fomos novamente ao píer. Dessa vez o destino seria o Cayo Bolívar, a porção de terra mais distante do arquipélago de San Andrés. Conseguimos uma promoção por 160 mil pesos (175 reais), o que não é exatamente barato, mas pelo menos a comida e bebida estavam incluídas.

Fortes emoções com a lancha na ida, pois parecia uma montanha-russa. Já ouvi relatos de problemas na coluna causados por esse translado… Uma hora depois chegamos todos inteiros à ilha completamente deserta.

Cayo Bolívar

Caímos na água com nossos equipamentos de snorkeling. Há que nadar um bocado até chegar aos corais de verdade, ou caminhar no caso, já que é bastante raso no entorno da ilhota. Tive a felicidade de ver duas criaturas magníficas. Uma raia da espécie Himantura schmardae, diferente da que vi anteriormente, flutuava na mesma hora em que eu e outros poucos turistas estávamos na água.

Em seguida, um bicho mais surpreendente ainda surgiu quase na areia da praia, um tubarão-enfermeiro (Ginglymostoma cirratum)! O peixe cartilaginoso de cerca de 1,5 metros e de hábito noturno ficou por uns minutos rondando a região enquanto eu me esforçava inutilmente para acompanhá-lo. Relativamente inofensivo como a maioria dos tubarões, foi uma experiência legal.

nurse shark

O almoço foi logicamente à base de peixe, e a sobremesa foi cerveja à vontade, o que fez um colombiano falar pelos cotovelos enquanto o resto fazia a sesta. Antes de retornar, curtimos mais um pouco a praia de areia branca e o sol cancerígeno (eu sempre de camiseta e chapéu, o que me rendeu o apelido de niño sombra).

cayo bolívar

De volta, entre as muitas andanças pelo centro, que pode ser facilmente percorrido a pé, no fim do dia conhecemos o Café Café, outro restaurante bastante recomendável. Além da variedade de pratos e possibilidade de uso do cartão de crédito como o Don Aníbal, ainda tem ar-condicionado.

A noite terminou de forma excelente em ótima companhia no bar do albergue.

Mergulho (quase) mortal

Eu e Sol fomos mergulhar no outro dia. Minha intenção era fazer o curso PADI Águas Abertas, mas como não sobrou tempo me contentei com um batismo. Lá conheci o porto-alegrense Fernando, que também mergulhou com a gente. Depois da parte teórica do minicurso e da prática na piscina, submergimos em um ponto a sudoeste da ilha.

mergulho em san andrés

Descemos tranquilamente até quase 11 metros de profundidade, equalizando a pressão nos ouvidos. Até esse momento tudo ocorria bem, via alguns seres enquanto seguia sozinho, já que o instrutor estava segurando outras duas novatas. O problema ocorreu quando tentei usar a técnica de desembaçar a máscara embaixo da água, pois não conseguia mais enxergar direito. Me atrapalhei inspirando água em vez de expirá-la, e com isso também soltei o regulador da boca. Sem ver nada por estar com a máscara cheia de água me apavorei e com isso voltei o mais rápido possível para a superfície, pois já estava sem ar. Além de ter engolido água, nada de mais aconteceu, mas o susto foi grande, e poderia ter sido bem grave caso eu estivesse com o pulmões cheios de ar, ou mergulhando a mais tempo.

coral em san andrés

Depois disso, o instrutor não me largou mais e nem me deixou ir ao fundo, com razão. Só superei o trauma em meados de 2016, quando finalmente me tornei um mergulhador certificado em Arraial do Cabo.

Baladas em San Andrés

Passei a tarde com minha parceira pelo centro. Já a noite foi de salsa no hostel. Enquanto eu me enrolava pra aprender, meu colega de quarto colombiano Jeseva mandou bem nessa sessão. Depois, como surgiu um grupo de brasileiras por lá, a parte final foi à base de músicas daqui.

Com essa turma fui ao último lugar que me restava de novo na ilha, a balada Coco Loco. Ritmos latinos embalavam nativos e turistas até altas horas.

Dia de despedida. Depois de encarar a praia de Rocky Cay novamente, tive que partir para o aeroporto para pegar os voos para Providencia e Medellín.

Uma semana depois retornei a San Andrés para um último dia, em que os argentinos debandaram em massa e cederam lugar aos brasileiros. Tive o prazer de reencontrar Luca, um sobrevivente de minha estadia anterior, e também o carioca Fabio, que já estava praticamente morando ali. Nós e mais uma galera fomos juntos ao Coco Loco, não sem antes provar o forte aguardente Antioqueño. A festa foi até tarde, tanto que perdi a hora e depois do café-da-manhã reforçado tive que correr para o aeroporto para voltar ao Brasil, sem poder ter feito as compras que pretendia no centro, mas satisfeito em ter passado um tempo entre pessoas e lugares incríveis. Turista? No, viajero!

pulseira el viajero

Mapa dos pontos de interesse de San Andrés

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