recife de coral no mar vermelho

Sharm El Sheikh, Egito

 

Resort na península do Sinai frequentado por europeus, Sharm el Sheikh possui alguns dos melhores pontos de mergulho do mundo e uma diversidade de ambientes no Parque Nacional Ras Mohammed.

Naama Bay

Eu e Paulo tomamos um voo da Egyptair da parte tradicional do Egito em abril de 2013. Logo que chegamos à Península do Sinai, ficamos impressionados com a diferença desse Egito para o outro, na questão de limpeza e organização, embora ainda com vendedores irritantes. Ficamos em uma hospedagem melhorzinha (e mais cara) dessa vez, o Oonas Dive Club & Hotel que, assim como seu nome diz, é também um centro de mergulho. Como já tínhamos os equipamentos e o veículo, não utilizamos esse serviço. Oonas é um dos diversos hotéis que cobrem uma praia inteira, lotada de turistas europeus. Algumas delas, inclusive, fazendo topless!

A praia em si não tem nada de muito impressionante na faixa de areia.

topless beach travel blog

O que faz a diferença é dentro d’água. Assim como no resto do Mar Vermelho, a água é clara e possui uma biodiversidade grande, apesar da proximidade com o centro turístico.

Caímos na água com minha GoPro Hero 3 Silver, mas para nossa surpresa, a água era bem mais fria do que a temperatura do ar! Caso vá no inverno (não esqueça que como o Egito fica acima da Linha do Equador as estações são invertidas!), recomendo que leve um traje de neoprene comprido com 3 mm de espessura, para poder estender o tempo submerso e realizar o mergulho noturno. Em apenas uma centena de metros, vi mais espécies do que em qualquer outro mergulho que já tenha feito antes. Contei dezenas de espécies de peixes, desde os inofensivos trombeta, papagaio e mariquita, até os potencialmente ameaçadores moreia, arraia e peixe-leão.

naama bay

Os corais foram um show à parte, com outra dezena das mais varias formas e cores, e pra complementar ainda, ouriços, estrelas-serpente, águas-vivas, quítons, siris, ostras, pepinos-do-mar e algas. Um olhar mais cauteloso com certeza revelaria outras tantas espécies. Gravei um vídeo do snorkeling na praia dos hotéis, Naama Bay.

Encerramos o dia curtindo um som ocidental e tomando a primeira bebida da viagem, a boa cerveja lager Sakara Gold, similar à Heineken (por sinal é fabricada por ela também).

naama bay

Parque Nacional Marinho Ras Mohammed

Alugamos um carro e rumamos ao Parque Nacional Marinho Ras Mohammed. Na saída da cidade havia um controle de fronteira, pois a região montanhosa fora da cidade é um tanto perigosa; alguns dias antes de começarmos nossa viagem, turistas haviam sido sequestrados por beduínos! Com um certo receio, chegamos ao parque cerca de meia hora depois. Dentro dele, uma paisagem mais diferente do que a outra, desde a entrada do parque.

desert landscape

Saímos de um semi-deserto com arbustos esparsos e morros para costas arenosas recortadas com águias-pescadoras, planícies de inundação, salares com batuíras, lagos subterrâneos gerados por terremotos, jardins subaquáticos de algas, gigantescos recifes de coral e até um manguezal, frequentado por maçaricos. Uma impressionante variedade de ambientes.

manguezal egito

Por sorte, quando chegamos a uma das praias, uma legítima refeição beduína (excetuando o papel alumínio e a bandeja de isopor) estava sendo servida (e sem precisar ser sequestrado para ingeri-la!). Apesar de ter que sentar no chão e comer com as mãos, o prato com cafta, pita, frango, arroz com aletria, batata e salada foi uma das melhores que tivemos.

comida deserto

Uma graciosa raposa do deserto nos aguardava no morro adiante, ávida por um pedaço de carne. Reparem em como sua pelagem camufla-se com o ambiente.

ras mohammed national park

Seguindo o caminho, subimos o morro até um mirante, que mostra nitidamente a divisão entre a terra, o recife raso e o mar aberto profundo.

red sea coral reef

Descemos até essa região dos recifes de coral, que é um dos melhores pontos de mergulho do mundo. Leve seu próprio equipamento de mergulho, pois eles não alugam o material no parque. Caso vá praticar apenas o snorkeling (mergulho sem cilindro), um kit básico com máscara, snorkel e nadadeiras é suficiente.

No começo, apenas uma cobertura de algas e alguns blocos de coral esparsos, mas à medida que nos aproximávamos mais da borda do recife com o mar, o número de espécies crescia exponencialmente, até que quando chegamos lá, tivemos a visão do paraíso. A diversidade de espécies era ainda maior do que havíamos visto próximo ao hotel. Somente para peixes, há registro para mais mil espécies!

Coral reefs at Sinai Peninsula, Red Sea

Há uma queda brusca dos cerca de 2 m de profundidade da costa para uma fenda vertical de até 800 m! Por esse e outros motivos, é preciso de um curso avançado para mergulhar lá com cilindro. Mas apenas no fôlego deu para ter um gostinho especial do local, que me faz querer voltar lá um dia. Uma imagem não é suficiente para expressar toda beleza, nem o pouco tempo que ficamos, mas tentei através de um vídeo.

Já estávamos quase em Naama Bay, quando o cabeção do Paulo percebeu que tinha esquecido sua bota no parque. Lá fomos nós de volta, nos arriscando a sermos atacados por bandidos nesse final de tarde. Por sorte, a bota ainda estava lá e conseguimos pegar um belo pôr do sol no local.

sunset at ras mohammed marine national park

Para encerrar, conhecemos a vida noturna da cidade, que deixa a desejar. Bares onde pessoas fumavam narguilé, baladas vazias, outros bares com danças árabes, mas a única exibição de dança do ventre era com, pasmem, homens!

Chegamos a entrar no conceituado Hard Rock Café, mas fomos mal atendidos, então encerramos a aventura por aqui. No dia seguinte Paulo voltou ao Cairo e eu segui para o Sri Lanka.

Mapa das atrações turísticas de Sharm el Sheikh

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