Soledade, PB

Soledade, PB

 

 

Em dezembro de 2011, enquanto morava em Natal e entediado por não ter muito o que fazer, agi sem pensar muito e me inscrevi para participar de uma maratona de mountain bike em pleno sertão nordestino durante o verão! Claro que isso não podia dar certo, mas vamos por partes.

Coloquei minha bicicleta no suporte traseiro do carro e saí sozinho da capital do RN no começo da tarde, dirigindo tranquilamente, pois previa chegar ao interior da Paraíba antes do pôr-do-sol. Como naquela época ainda não era comum o uso do GPS do smartphone para localização, coloquei a rota no aparelho automotor chinês que havia comprado pela internet por uns 50 reais. Adivinha só se ele não me deixou na mão?

Depois de eu perder algumas horas em rotas erradas, tive que dar uma acelerada. O problema é que já anoitecia quando eu saí da BR-101 em direção ao interior e as estradas, além de malcuidadas, não eram bem sinalizadas ou iluminadas e estavam cheias de lombadas. Como resultado, me choquei algumas vezes com esses obstáculos, até que em uma dessas vezes a bicicleta caiu. Lá estava eu no meio do nada, sem companhia, num trecho sem luz alguma, podendo ser assaltado ou morto a qualquer instante. Tremendo na base, recolhi e a amarrei novamente num instante, sem nem verificar se havia algum dano na magrela, e piquei a mula.

Tempos depois, consegui orientação com um homem que achou que eu era gringo, pelo meu sotaque e aparência. Na chegada, dois problemas sérios. A reserva de hotel foi cancelada, pois eu não havia chegado cedo (alguém já viu isso?), e o aro de um dos pneus estava completamente inutilizável por causa da queda na estrada.

Só tenho que agradecer aos organizadores do evento e à população participante, que prontamente me levou a outra hospedagem e consertou meu aro totalmente de graça!

 

Maratona de MTB Cabra da Peste

 

Com todo esse estresse e a largada bastante cedo, acabei descansando pouco, mas lá estava eu com os demais competidores no seleto grupo da I Maratona de MTB Cabra da Peste.

soledade pb 1

Inventei de largar na categoria mais longa de 120 km, afinal já havia percorrido essa distância em um dia em torno de Floripa, então julguei erroneamente que seria semelhante o desafio.

Logo depois da partida, a árida cidade foi dando lugar à natureza inclemente e aos morros e eu fui ficando para trás.

mtb marathon

Lembro-me de só ter ultrapassado os concorrentes quando eles paravam para trocar um pneu furado, o que acontecia frequentemente no começo. Por sorte (?), não tive esse problema. A cada posto de checagem aumentava a dificuldade, pois o clima quente e seco estava ficando insuportável à medida que o sol subia. Para se ter uma ideia, passei por várias ossadas animais no percurso, naquele típico cenário desértico de sertão. A única parte da vegetação que continuava verde eram os cactos.

sertão

E assim os competidores foram atravessando os outros municípios da rota: São Vicente do Seridó, Cubati, Olivedos e Pocinhos. Nesse momento havia algumas desistências. Eu já estava passando os postos no limite do tempo e começando a ficar seriamente desidratado, tanto que quando cheguei à metade da prova algumas horas depois, tive que fazer algo que não estava em meus planos, abandoná-la. Aproveitei o banquete de frutas servido no posto e fui levado com outros desistentes de volta a Soledade PB. Somente nessa hora consegui ver um pouco de natureza viva.

soledade pb 4

Foi uma experiência marcante e um aprendizado para se preparar melhor da próxima vez, em todos os sentidos. Eis minha dica. E para quem gostou dessa ideia inovadora e quiser participar, em todo final de ano a Maratona de MTB Cabra da Peste segue acontecendo com sucesso.

 

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