Spitzkoppe Rock Arch Bridge

Damaraland, Namíbia (Himba)

 

É nessa terra desértica habitadas por antigos povos que fica o monumento geológico Spitzkoppe, o sítio arqueológico de Twyfelfontein e a tribo Himba.

Spitzkoppe

Rodamos um pouco de Swakopmund até chegarmos a Spitzkoppe, maciço rochoso com formas peculiares que se ergue a 1700 m de altitude. Ao redor deste parque foi onde vimos as primeiras pessoas realmente pobres, morando em cubículos de chapa de metal no meio do nada. Nessa terra seca, vendiam móbiles e pedras para os poucos turistas que ali passavam para sobreviver. Compramos uns para ajudá-los.

Vendedores em Spitzkoppe

Para entrar nesse parque, assim como os demais, pagamos 60 NAD (~14 reais) por pessoa e 20 NAD para acessar com carro. Os montes de granito destacam-se na vasta planície desértica ao redor, pois são de impressionante beleza cênica.

Parque natural de Spitzkoppe visto da estrada na Namíbia

Você possivelmente já viu esse cenário antes, mas não se deu conta. Aqui foi filmada uma das cenas mais famosas do cinema, o surgimento do homem em “2001 – Uma Odisseia no Espaço”!

Ao caminhar entre e sobre as rochas avistamos duas criaturas nativas deste ambiente estéril. A primeira estava em par, muito bem escondida sob uma pedra para escapar da desidratação. O damão-do-cabo (Procavia capensis) está presente em quase todo o continente. Sua Ordem Hyracoidea só possui representantes por lá e no Oriente Médio, então é bem possível que você não tenho visto um ainda…

Damão-do-cabo (Procavia capensis) em Spitzkoppe

…assim como o narigudo calau-de-monteiro (Tockus monteiri), cuja Ordem Bucerotiformes também é exclusiva da África e Ásia. E essa espécie é ainda mais restrita, pois existe apenas em partes da Namíbia e da Angola.

calau-de-monteiro (Tockus monteiri) em Spitzkoppe

Depois dos animais, andamos até a principalmente feição geológica, que é um arco de rocha bastante fotogênico.

Spitzkoppe Rock Arch Bridge

Outra atração são os sítios de pintura rupestre da etnia tribal San que só podem ser visitados com guia, para evitar o vandalismo recorrente no passado que quase acabou com o que havia.

Assim como com as refeições, quem quiser pode acampar no parque, mas nós já tínhamos reserva no Brandberg Rest Camp, mais ao norte, ao lado da maior montanha do país. O monolito Brandberg, à direita na imagem seguinte, chega aos 2606 m de altitude, sendo 1802 m de proeminência sobre o terreno a sua volta.

Pôr do sol em Damaraland com Monte Brandberg ao fundo

Chegamos à noite ao Brandberg Rest Camp e pagamos 250 NAD cada, indo ao seu bar antes que fechasse às 22 horas, para provarmos as deliciosas cidras sul-africanas da marca Savanna. Os quartos compartilhados são bem rudimentares, não havendo nem porta separando a privada do resto, e a água da pia é salobra.

Devido ao pouco tempo, não pudemos ver as pinturas rupestres do Monte Brandberg conhecidas como White Lady.

Twyfelfontein

Prosseguimos pela estrada de cascalho até o sítio arqueológico de Twyfelfontein. Quase ao chegar lá, há uma bifurcação que leva a outras duas atrações, ao custo de 50 NAD. A primeira é Burnt Mountain, um cone de vulcão inativo, cujo material ficou escuro devido ao contato do magma em alta temperatura com a água de um antigo lago. Isso ocorreu em um passado remoto, há uns 125 milhões de anos. Mas quem passa acha que é só um monte de pedras escuras ou lixo queimado, já que informações não são fornecidas.

Burnt Mountain Namibia

A outra parte é Organ Pipes, colunas geométricas da rocha diabásio, formadas nessa mesma época pela intrusão de lava.

Colunas rochosas de Organ Pipes em Twyfelfontein

Em Twyfelfontein, ou /Ui-//aes na língua local, há uma série de petróglifos de animais (girafas, antílopes, elefantes, leões, rinocerontes e até pinguins e leões marinhos) representados em rochas pelo povo nômade San, entre 2 a 6 mil anos atrás. O mais impressionante é que a grande maioria não é de pinturas, mas entalhes. Foram descobertos no século passado e estão listados como patrimônio da UNESCO, já que são um dos maiores conjuntos da África. Pela preciosidade só se entra com guia, sendo o custo de 60 NAD por cabeça.

Rocha com petróglifos de Twyfelfontein

Sobre os idiomas, há um número grande de línguas faladas no país. Entre elas, na região de Damaraland uma das principais é o Nama (ou Khoekhoe). Como muitos idiomas tribais, é caracterizado pelo uso frequente e diverso de cliques – dá até uma aflição ouvi-los conversar. Enquanto comíamos nossos sanduíches no estacionamento de Twyfelfontein, abordamos uns nativos, que nos mostraram essa quase indecifrável bíblia em Nama (sim, a religião principal da Namíbia é o Cristianismo).

Bíblia na língua Khoekhoe da Namíbia

Ao continuar pela estrada ficam as Petrified Forest, “florestas” com troncos fossilizados. Há diversas propriedades ao longo da estrada até Khorixas oferecendo essa vista por uns trocados.

Tribo Himba

Da cidade de Khorixas, tivemos que ir até o vilarejo de Kamanjab, pois é por lá que fica o vilarejo Otjikandero da tribo Himba, a mais tradicional e fotogênica da Namíbia. Chegamos lá sem reserva e apenas no fim do dia, mas foi até melhor assim, pois fomos os únicos ali e pudemos negociar o valor diretamente com a guia Himba Vanessa (pagamos 50 NAD cada, em vez dos costumeiros 250), além das doações alimentares que trouxemos.

Vilarejo Himba de Otjikandero

O vilarejo dessa tribo geralmente nômade é composto de choupanas de barro e palha situadas de forma circular em torno do cercado de animais de criação (cabras e galinhas) e do fogo sagrado. No entorno ficam plantações de milho e em algum ponto a captação de água. Essa sociedade poligâmica distingue-se fisicamente de outras pelas joias no corpo, pelos dreadlocks eternos de ocre e pela prática inconsequente de extração dos 4 dentes inferiores centrais. As mulheres vendem pulseiras e bonecas para complementar a renda.

Mulheres nuas da etnia Himba

O melhor de tudo são as crianças fofíssimas que buscam carinho na gente sem pedir nada em troca. Não falam uma palavra de inglês, mas isso não importa. Saímos emocionados de lá.

Matheus Hobold Sovernigo com as crianças da tribo Himba em Kamanjab

No caminho até nossa hospedagem seguinte tivemos o azar de ter pneus furados novamente nos 2 carros! Mas com isso, ao menos, descobrimos um restaurante em Kamanjab que servia um baita bifão de órix (ou zebra) por um preço muito bom (100 NAD). Me desculpem os vegetarianos, mas estava incrivelmente delicioso. O lugar se chama Oase, e também é uma hospedaria.

Bife de órix no restaurante Oase em Kamanjab

Com a fome saciada e pneus trocados, continuamos até Outjo antes tarde do que nunca…

Mapa dos pontos de interesse de Damaraland

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