Castelo de Trakai

Vilnius, Lituânia

 

Turismo no Centro Histórico de Vilnius

O Leste da Europa é conhecido por ter destinos em conta, principalmente para padrões europeus, e ainda mais se considerando que eu havia passado os últimos dias na Islândia e na Noruega. Nesse último, para ir até o aeroporto paguei cerca de 28 euros. Em compensação, quando desembarquei no em Vilnius, capital da Lituânia, para pegar o ônibus ao centro da cidade só foi necessário 1 euro!

A hospedagem da vez, Home Made House (que mudou para Green Orange House), fez jus ao nome, pois foi o local mais aconchegante e caseiro que estive durante a viagem, e só me custou 12 euros a diária com café-da-manhã na época. Logo em minha chegada conheci David, um cara que se não tivesse me dito que era americano eu não acreditaria, de tão bom que era seu português. Ele, que já tinha morado no Brasil, tem viajado ininterruptamente, desde que conseguiu fazer sua carreira de locutor de rádio virar independente de localização. Com ele e mais Cammi, uma australiana de traços orientais que chegou na mesma hora que eu, saímos para uma volta pela cidade velha (Senamiestis), a fim de ver o centro histórico de Vilnius, com seus prédios tombados pela UNESCO.

Centro Histórico de Vilnius

Como foi subjugada pela União Soviética, como pode ser visto no museu da KGB, esperava ver um país pobre e destruído, mas me surpreendi com a prosperidade e limpeza, que não fica muito atrás da Europa Ocidental. Entre os edifícios mais impressionantes, consta a grandiosa Igreja de Santa Ana, feita com tijolos à vista num estilo gótico tardio.

 St. Anne's Church at Vilnius Old Town

Atravessando uma ponte chegamos a um novo país, Užupis (pronuncia-se o “ž” como “j”), que literalmente significa “do outro lado do rio”.

Užupio Res Publika

Não, essa não é mais uma das micronações que estão na moda ultimamente, é apenas uma brincadeira feita por artistas, que elegeram esse pedaço de chão como seu reduto para expor variadas obras no local. Você pode até ganhar um selo no passaporte, além de conferir as pérolas da constituição emplacada em um paredão, em diversos idiomas.

Constituição de Uzupis

A chuva bateu no final do dia, quando seguimos para a praça principal da catedral. Com essa combinação climática o cenário com a torre do sino da Catedral de Vilnius ficou surreal.

Torre do sino da Catedral no Centro Histórico de Vilnius

Bem nesse período estava acontecendo o festival anual Sostinės Dienos, traduzido por algo como dias da capital. Feiras e shows ocorriam em barracas e palcos no centro da cidade, durante a tarde e à noite. Até mesmo o Brasil estava representado por lá, pelo café.

Tenda de café brasileiro no festival Sostinés Dienos de Vilnius

Como não gosto de café, passei batido. Comi um prato típico em uma das tendas, embora não tenha identificado o que havia nele, além de carne e pimenta. Para beber, escolhi no mercado uma lata de um líquido chamado gira. Ao tomar era impossível saber se era refrigerante ou cerveja. Na verdade, pesquisando, descobri tratar-se de uma bebida local fermentada de pão, com teor alcoólico bastante reduzido, mas saborosa.

Depois de umas voltas, assistimos uma parte do show musical, ainda que não conseguíssemos entender uma palavra sequer.

Sostinės Dienos 2015 Vilnius

David retornou ao albergue, enquanto eu e a pseudo-japa fomos tomar umas cervejas de verdade. Chegamos ao supermercado às 22 horas e alguns minutinhos para compras umas latas, mas para nossa surpresa, os estabelecimentos são proibidos de vender qualquer tipo de álcool após as 22 horas! Nossa única opção foi ir a um bar. Quando chegamos estava passando no telão uma partida da seleção nacional de basquete, então o estabelecimento estava cheio. Ficamos numa mesa de canto, onde provei a cerveja branca Švyturys Baltas. Tão deliciosa que eu até trouxe algumas pro Brasil!

Drinking Švyturys Baltas at a Vilnius bar

Às 24h o bar fechou e tivemos que ir embora.

Castelo de Trakai

Fui até a estação de ônibus, de onde embarquei à cidade vizinha de Trakai (Trakų), que além de um lago usado em esportes aquáticos, guarda um bocado de história medieval e moderna.  Um impressionante castelo restaurado reside em uma ilha, e hoje funciona como um museu. Vale a pena atravessar as pontes a pé e pagar a taxa de entrada de 7 euros, pela narração, artefatos históricos e arquitetura.

Castelo de Trakai

No passado, ali ficava o núcleo da capital do Grão-Ducado da Lituânia, que em tempos remotos chegou a incorporar toda a Bielorrússia e partes da Polônia e da Rússia. Como recebe um número considerável de turistas estrangeiros, toda parte escrita nos painéis dos cômodos está disponível também em inglês.

Inside Trakai Castle

Fiquei um bom tempo no castelo. Quando saí, almocei em um dos vários restaurantes da orla. Provei vários kibinų, salgados semelhantes a nossas empanadas com recheios variados, e adorei.

Salgado kibinai em Trakai

A digestão eu fiz caminhando bastante pelas florestas próximas de Varnikų. Definitivamente deveria ter ido de bicicleta, pois até eu achar e chegar ao parque que estava procurando, onde já foram catalogadas mais de 200 espécies de musgos (!) já era hora de voltar.

Floresta de Varnikai

Comprei uma caneca medieval de souvenir, que custou pouco, e voltei até o ponto de ônibus, não sem antes passar num supermercado e lamentar não poder ficar mais dias nesse país onde meio litro de cerveja sem milho custa cerca de 50 centavos de euro.

Preço das cervejas em supermercado da Lituânia

Para essa próxima noite, além de Cammi, se uniram mais um francês (Antoine) e uma belga (Liese) à trupe. Depois de muito procurar por um restaurante de um guia que não existia mais, acabamos jantando em um restaurante indiano um tanto caro, mas satisfatório para minha última refeição da viagem.

Matheus, Camha, Antonie and Liese eating at a Vilnius Indian Restaurant

Fomos em seguida a outro bar, onde passamos as horas seguintes alegres à base de cerva.

Provei as últimas panquecas de café-da-manhã, me despedi de todos e segui para o aeroporto. O voo me levou a Frankfurt, de onde voltei ao Brasil, revivendo mentalmente toda essa longa e proveitosa jornada que me fez novamente ter a certeza de que conhecer o mundo é maravilhoso e deve ser feito sempre que possível.

Mapa dos pontos de interesse em Vilnius e Trakai

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