Praça da independência de Maputo, com câmara e catedral

Maputo, Moçambique

 

Assim como em boa parte da África, o veículo de transporte só parte quando está cheio ou quase. Como naquela manhã de fevereiro de 2017 só havia eu e mais um passageiro no ônibus que iria diretamente de Manzini a Maputo por 90 rands (~23,8 reais), tivemos que embarcar às 6 e meia num micro-ônibus que por 45 rands nos deixou na fronteira de Lomahasha-Namaacha. Lá ingressei com meu visto de turista tirado via SEDEX através da Embaixada de Moçambique em Brasília (250+50 reais). Hoje em dia isso não é mais necessário, pois se pode emiti-lo na fronteira por apenas 50 dólares.

Fiz o câmbio na rua e imediatamente segui espremido com meu mochilão em uma van até Boane, por 50 meticais (moeda de Moçambique, equivale a uns 2,7 reais). Assim que desembarquei, subi num último micro até o centro de Maputo por 20 e poucos meticais. Ter o mesmo idioma que o povo local ajudou bastante nesse confuso translado.

Turismo em Maputo

Caminhei até o albergue Fatima’s Backpackers, onde larguei a mochila. Almocei no Royal Sweets, um restaurante indiano com decoração bem brega quase em frente. Pelo menos há um wi-fi bom, ar-condicionado e aceita cartão de crédito.

Cardápio do restaurante Royal Sweets em Maputo

Segui meio aleatoriamente a pé passando por alguns pontos de interesse, como a Igreja de Santo Antônio da Polana, com um estilo modernista de arquitetura.

Fachada da Igreja de Santo Antônio da Polana em Maputo

Logo mais ao sul, entrei no Museu Nacional de Geologia (uma interessante aula de geologia acompanhada de uma significativa coleção de rochas e minerais), pagando 50 rands (~13,2 reais) pelo ingresso.

Vitrine com pedras no Museu Nacional de Geologia de Maputo

Depois disso, vi coisas não muito aprazíveis. Me desculpem os moçambicanos, mas a cidade é meio suja, decadente e insegura. Nem mesmo a orla se salva.

Orla da avenida 10 de novembro em Maputo

Lá na Avenida 25 de Setembro, fui parado pela polícia. Como estava portando meu passaporte com o visto e não estava com nenhuma substância ilícita, não me pediram dinheiro.

Voltei para o albergue, onde conheci um grupo de cariocas. Jantamos no mesmo restaurante indiano e ficamos tomando a cerveja local 2M (80 meticais) no albergue. A cama do dormitório coletivo não é muito confortável. No entanto, é definitivamente o melhor lugar para se conhecer outros viajantes.

Frente do Fatima's Backpackers Maputo

Teoricamente eu iria até a Praia de Tofo ao amanhecer, mas devido ao ciclone Dineo que no dia anterior atingiu em cheio a região de Inhambane, tive que ficar na capital. Aproveitei para passear pelo centro histórico, onde ficam prédios, monumentos e museus. Ao lado da Catedral Metropolitana e em frente à Câmara Municipal, na Praça da Independência está a estátua de Samora Machel, líder revolucionário da independência de Moçambique de Portugal.

Praça da independência de Maputo, com câmara e catedral

Outra construção famosa próxima é a Casa de Ferro, edificada nesse material em 1892. Teve várias funções ao longo do tempo, mas por ser muito quente acabou abandonada. Recentemente foi renovada, fazendo parte como prédio histórico nos Jardins Tunduru, uma tentativa frustada de se fazer um jardim botânico. Ao menos a entrada é gratuita.

Casa de Ferro de Maputo

Entrei em mais alguns museus, todos custando entre 20 e 50 meticais. Há informações escritas tanto em inglês quanto português, mas são pequenos e não tão interessantes. Eis o ambiente interno do Museu Nacional de Arte com obras modernas…

Salão com obras do Museu Nacional de Arte em Maputo

…Do Museu das Pescas e suas embarcações e implementos…

Museu das Pescas em Maputo

…E da Fortaleza de Maputo com seus canhões internos…

Fortaleza de Maputo

Mas o que mais gostei foi o Museu dos CFM, que fica dentro da estação central de trens de passageiros e cargas de Maputo.

Museu ferroviário de Maputo

Fiquem atentos para os horários estranhos de funcionamento dos museus, pois enquanto o de arte só abre às 11 horas, o de história natural fecha às 15 horas e 30 minutos.

Almocei pelo centro mesmo, observei alguns prédios com arquitetura interessante e por fim dei uma entrada no Mercado Municipal, que vende artigos alimentícios, sobretudo não processados.

Mercado Municipal de Maputo

Ao anoitecer, eu, Felipe (carioca) e Jake (gringo que havia conhecido em Windhoek), assistimos a uma apresentação musical no Centro Cultural Franco Moçambicano. No palco estavam Bholoja (cantor, violeiro e pianista suázi), Rodália (cantora moçambicana) e Samito (percussionista moçambicano). Não sei definir o ritmo e nem o idioma do concerto, mas foi de uma intensidade de arrepiar.

Bholoja, Rodália e Samito no Centro Cultural Franco Moçambicano

Às 5 horas da madruga, eu, Jake e os 8 brasileiros conseguimos partir de ônibus para Tofo, bem mais ao norte. O retorno a Maputo foi às 4 horas da madruga, mas 3 dias após.

À tarde fui com Juliana e Gabriel O Pensador, brasileiros que conheci em Tofo, na FEIMA (Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia). São, literalmente, centenas de estandes dos mais variados souvenires, não só moçambicanos. Com um pouco de negociação se chega a preços bem bons.

Souvenires na FEIMA

Na manhã seguinte começou a maratona de voos para o Brasil. Tomei o café da manhã em Maputo, almocei em Joanesburgo, lanchei em Windhoek e jantei em Luanda. A primeira perna foi num avião moderno e com serviço de bordo na estatal LAM (Linhas Aéreas de Moçambique), ao custo de 5717 meticais (~321 reais).

Aeroporto de Maputo Moçambique

Mapa dos pontos de interesse de Maputo

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