Oslo colorful seaport at night

Oslo, Noruega

 

Oslo, assim como a Noruega e os países nórdicos em geral, é um dos destinos mais caros do mundo. Estava prestes a constatar isso na prática quando, a partir da capital da Islândia, tomei um voo até o aeroporto de Oslo-Gardermoen pela companhia aérea de baixo custo Norwegian (60 euros). Ao desembarcar no terminal afastado da capital norueguesa, precisei tomar um trem de 93 coroas norueguesas (~36 reais) para chegar ao centro após quase meia hora de passeio. Até aí tudo bem, pois o trem é moderno, veloz e impecável. Os ônibus, por sua vez, custam a partir de 150 coroas e levam o dobro do tempo.

Parque Vigelandsparken

Deixei o trem na estação central. Lá mesmo já ingressei em um supermercado para averiguar os preços. Em meio a tantos imigrantes árabes, indianos, africanos e chineses que circulavam, o choque monetário foi grande. Achei que passaria fome ali, de tão caro que os alimentos custavam. Acabei saindo de lá apenas com um pacote de torradas…

Tomei um metrô (30 coroas) até o cemitério Vestre gravlund, ao lado do qual ficam os gratuitos Frognerparken e seu vizinho Vigelandsparken, um parque harmônico onde permanecem mais de 200 esculturas humanóides de um só artista, no caso Gustav Vigeland.

Parque Vigeland, parte do turismo em Oslo

Em meio a jardins floridos, obras no mínimo diferentes, como o monólito central humano, ambiguamente interpretado como a busca pela luz espiritual ou a luta pela sobrevivências.

Monolitten at Vigeland Park

Outras são mais polêmicas, como um homem nu brigando com crianças?

Estátua polêmica de homem batendo em crianças em Oslo

Centro de Oslo

Havia mais moradores se exercitando do que turistas fotografando por lá. Voltei caminhando, registrando as construções clássicas do centro, como o Palácio Real de Oslo (Det Kongelige Slott) e sua grande praça em frente (Slottsplassen). Palácio real? Pois é, a Noruega é uma monarquia parlamentar.

Fachada do Palácio Real de Oslo à noite

Depois passei em frente à prefeitura, o teatro e a catedral, seguindo até o porto, de onde consegui uma bela imagem da iluminada e colorida baía de Oslo. Uma pena que o caminho que segui, por debaixo da fortaleza costeira de Akershus, é pouco visível; uns postes de luz iriam ajudar muito.

Oslo colorful seaport at night

No outro lado da fortaleza, parei em frente ao destacado edifício da Ópera de Oslo, palco de exibições musicais, dançantes e teatrais.

Prédio da Ópera de Oslo à noite

Atravessei o resto do caminho do centro e cheguei ao Anker Hostel. Custa a partir de 284 coroas por um leito num dormitório de 8 camas, mas há uma pegadinha nesse valor. Além de toalha, você precisa ter também roupa de cama, caso contrário precisa pagar mais 70 coroas pelo aluguel! E não vale saco de dormir. Quisera eu ter sabido disso antes…

Alternativas mais em conta? Um ou outro quarto no Airbnb, milhares de anfitriões no Couchsurfing, ou até mesmo acampamento grátis em Langøyene, a última das ilhotas da baía interna (Oslofjorden) por onde passa a balsa frequentemente!

Trilhas nas florestas de coníferas de Oslo

Ao invés de passar a manhã pulando de ilha em ilha, decidi ir até uma das florestas mais próximas da capital. Depois de meia hora no metrô, cheguei à estação Frognerseteren, que desemboca na Nordmarka Forest. De cara, me deparei com várias bifurcações, pois existe uma rede de trilhas impressionante, bem como no resto do país. O GPS offline me ajudou.

Mais um novo bioma pra coleção. Depois da tundra da Islândia, veio a taiga da Noruega, um tipo de floresta de coníferas (pinheiros) restrita às altas latitudes boreais. Enquanto trilhava algum dos caminhos, colhia deliciosos mirtilos e framboesas, que se apresentavam em abundância nesse fim de verão.

Nordmarka Forest trail blueberries

Mas nem tudo eram flores, ou melhor dizendo, frutos. O solo estava tão encharcado que em muitos trechos a trilha passava por troncos caídos usados como ponte. Mas com um calçado à prova d’água, não me abati, e continuei seguindo.

A certo ponto me deparei com um cão brincalhão. A dona disse que o estava treinando para a temporada de caça de aves. Depois de caminhar bastante cheguei a Sognsvann, onde fica um lago grande e uma estrutura para a população, que frequentava em massa, ainda que esse fosse um dia de semana.

Lago Sognsvann na floresta Nordmarka em Oslo

Cheguei a presenciar uma cena de sexo explícito num dos deques do lago. Mas calma, os acusados de atentado ao pudor são nada mais que libélulas!

sexo animal de libélulas

Como havia comprado o passe ilimitado de transporte para o dia (90 coroas), segui em direções e paradas aleatórias no caminho, incluindo em um supermercado, onde eu finalmente achei uma marca de produtos alimentícios com preço acessível, a Smart 365. Dali em diante, tudo que ingeri foi dessa marca, como o suco de laranja e o caldo de carne com batata que almocei nesse momento.

Smart 365 Brun Lapskaus

Como queria distância de qualquer gasto adicional, passei a tarde fazendo outra trilha em uma verdejante floresta a leste da cidade, a Østmarka.

Trilha na floresta Østmarka de Oslo

Seguia alegremente pelo caminho, quando o almoço começou a fermentar na minha barriga. Não demorou muito para uma evacuação emergencial ser necessária. E agora? Apelei novamente para o GPS, que localizou um banheiro dentro da floresta e salvou minha pele. Te amo, Maps.me!

Devidamente recuperado, ainda cruzei com um homem e um cão que procuravam lobos. Bom saber, melhor não ficar ali depois do pôr-do-sol. De fato, pretendia ver o pôr na colina Ekeberg, o cenário de fundo da famosa tela “O Grito” do norueguês Edvard Munch, exposta no Museu Nacional de Arte, Arquitetura e Design. Para isso, voltei ao centro e embarquei num bonde, o mais veloz em que já estive, mas do lado errado da rua. Tudo bem, iria aproveitar para dar uma volta a mais. O que eu não sabia é que ao chegar ao ponto final, quando todos os passageiros menos eu desembarcaram, o bonde tinha mudado de linha! De fato, só notei quando eu estava indo para a direção oposta de onde deveria, e o motorista bigodudo tinha virado uma loira bem apresentável. Azar, só me restou voltar para o albergue, já que o sol tinha dado adeus.

Minha estadia em Oslo terminou com a degustação de um caviar com preço aceitável, ainda mais considerando o que custaria no Brasil. Essas bolinhas escuras são ovas dos peixinhos chamados capelin (Mallotus villosus). Comestíveis, mas muito salgadas. Ainda prefiro a ova de tainha.

Ovas de capelin

Faltou tempo para uma visita aos principais museus da península de Bygdøy, como o naval Frammuseet, o viking Vikingskipshuset e o folclórico Folkemuseum, bastante recomendados.

A última facada antes de ir ao destino seguinte, foi dada pelo ônibus+trem que me levaram até o aeroporto de Oslo-Torp (ainda mais distante que o outro aeroporto), por malditas 266 coroas norueguesas (~105 reais)! Ou seja, custou quase o preço da passagem propriamente dita até a Lituânia pela Wizz Air (279 coroas). Então fica a lição, confiram sempre como funciona o translado da cidade ao aeroporto antes de comprar a passagem aérea!

Mapa dos pontos de interesse de Oslo

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