Vilarejo cultural suazi do Vale Ezulwini na Suazilândia

Vale Ezulwini, Suazilândia (Mbabane)

 

A porção ocidental do pequeno reino da Suazilândia é conhecida por ter a mina mais antiga do mundo, atrações culturais de povos antigos, artesanatos elaborados e natureza protegida. Atualmente também inclui modernidades, como shopping centers, resorts e cassinos.

Partindo de Lesoto e atravessando a África do Sul, eu, Beto e Rafa cruzamos a fronteira de carro em Oshoek ao anoitecer. Tivemos que pagar 50 rands sul-africanos (~13 reais) para ingressar na pequena Suazilândia com o veículo alugado em Joanesburgo. Nem chegamos a trocar ou sacar a moeda local, o lilangeni, pois aqui o dinheiro da África do Sul também é aceito de forma universal e com a mesma cotação, assim como constatamos em Lesoto e Namíbia.

Vale Ezulwini

Uma via rápida pela região chamada Hhohho nos levou à hospedagem situada no Vale Ezulwini, que fica entre as 2 maiores cidades do país, a capital Mbabane (ou Mebabane aportuguesado) e Manzini. Esse vale concentra a parte mais turística e moderna do país. Por mais incrível que pareça, ficamos alojados em um cassino na Suazilândia, o Happy Valley. Em frente fica o shopping center Gables, onde jantamos hambúrgueres na rede sul-africana Spur e tomamos aquela gelada.

Brazilian Happy hour Spur Lobamba

Bem próximo fica o Mantenga Nature Reserve, onde fomos pela manhã. A taxa de entrada fica em 100 rands. Primeiro caminhamos até a cachoeira – até que ela é bonita, mas a vista não é das melhores e não se pode tomar banho.

Cachoeiras Mantenga Falls

A segunda atração da reserva é o Swazi Cultural Village. A visita guiada nos leva a uma réplica em tamanho real de um vilarejo típico da Suazilândia no período pré-colonização holandesa e inglesa. São ocas e cercas de palha e madeira onde as famílias poligâmicas viviam junto de suas vacas, orando para seus ancestrais e fabricando cerveja com marula (o fruto africano amarelo usado no famoso licor Amarula).

Vilarejo cultural suazi do Vale Ezulwini na Suazilândia

O passeio termina com uma apresentação de 45 minutos de música e danças típicas. Bem interessante.

Dança suazi no vilarejo cultural do Vale Ezulwini

Almoçamos lá mesmo e, como estava chovendo, seguimos ao Museu Nacional. Pelos 80 rands de entrada (30 para estudantes) você aprende de forma textual e gráfica sobre a história, costumes e natureza do pequeno país. Só que o museu é relativamente diminuto.

Museu Nacional da Suazilândia

Em seguida, passamos por um mercado de artesanato meio caro, onde fica também a fábrica das coloridas velas Swazi, uma das principais formas de arte suázi. O interessante é acompanhar de perto o processo de elaboração das velas pelos artesãos.

Fábrica das velas suazi

À noite ficamos no hotel. O salão do cassino é considerável, com máquinas e jogos de mesa, mas dispensamos a jogatina.

Cassino Happy Valley em Ezulwini

Ngwenya

Comemos até não podermos mais no melhor café da manhã que tivemos nesta viagem e em seguida fomos em direção norte. Primeiro passamos na fábrica e loja de cristais Ngwenya Glass. Num calor infernal, você pode observar como eles aprenderam com os suecos a fazer magníficos cristais de diversas formas, principalmente de animais e abstratos. Se não se importar com o preço, aproveite a loja em seguida.

Fábrica de vidros Ngwenya

Um pouco mais além, subimos o morro que leva às minas de ferro de Ngwenya. Por 30 rands um guia te mostra um pequeno museu e conta a história da mina mais antiga do mundo, explorada pelo povo San há mais de 40 mil anos em busca de ocre!

Mina de ocre de Ngwenya

Lá pelos anos de 450 começou a ser explorada pelo minério de ferro, e no século 20 assumiu escala industrial, mas em 1979 foi abandonada. Restou apenas uma grande cava parcialmente inundada e ainda um pouco longe de se recuperar totalmente do impacto ambiental.

Cava abandonada da mina de ferro de Ngwenya

Almoçamos comida indiana em um shopping center da capital Mbabane. O centro administrativo é bem menor e mais organizado do que poderia supor.

Apesar do progresso, nem tudo é maravilha. Além do IDH bastante baixo, a Suazilândia é o país com a maior taxa proporcional de soropositivos do mundo, onde cerca de 1/4 da população adulta está infectada com o HIV.

Manzini

À tarde tocamos para Manzini, outra grande cidade e a principal em termos de comércio no país. No entanto, é feia e aparentemente a única atração é o mercado central de 1983. A parte de artesanatos, localizada no segundo piso de uma construção, consiste em alguns corredores com estandes de vendedores onde você pode calmamente barganhar muitos produtos diferentes, como máscaras, estátuas, camisas, colares, chaveiros, tambores e recipientes. Além disso, há os clássicos e caros ornamentos e trajes dos guerreiros.

Mercado de artesanatos de Manzini

Nos hospedamos em um quarto triplo com ar e frigobar no Valley View Lodge, por 330 rands cada. A área é confortável. Ficamos tomando umas no terraço que é um mirante.

Mirante do Valley View Lodge em Manzini

Levantei às 5 horas da madrugada para pegar o transporte até Maputo, enquanto que meus companheiros voltaram a Joanesburgo. Assim como boa parte da África, o veículo só parte quando está cheio ou quase. Como naquela manhã chuvosa só havia eu e mais um passageiro no ônibus direto que iria para Maputo por 90 rands, tivemos que embarcar às 6 e meia num micro-ônibus que por 45 rands nos deixaria apenas na fronteira de Lomahasha-Namaacha.

Mapa dos pontos de interesse do Vale Ezulwini na Suazilândia

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