Parque Nacional das Cataratas Vitória

Victoria Falls, Zimbábue

Zimbábue

Voei da bela ilha de Zanzibar para Dar es Salaam, de onde embarquei em outro voo da cia de baixo custo Fatsjet até Harare, a capital do Zimbábue. Paguei 100 dólares com taxas somente pelo voo, pois nem água estava incluída, além do entretenimento estar restrito a apenas uma revista. Ao menos os aviões são novos.

inside fastjet plane

Para passar na imigração só pude comprar o visto de entrada única, pois não aceitavam cartão, não havia máquinas para sacar dinheiro antes e eu tinha apenas os exatos 30 dólares do visto. O valor do visto duplo é de 45 dólares, enquanto que o múltiplo é 55. O visto não é necessário para portadores de passaportes de Angola ou Moçambique.

Como já era 2 da madruga, me atirei num banco quádruplo próximo aos guichês de check-in e passei a noite ali mesmo, enrolado na mochila. Considerei o lugar seguro para tanto.

À continuação, de manhã tomei outro voo pela Fastjet (38 dólares), para o principal destino turístico do país, Victoria Falls, uma cidadezinha nomeada em referência a suas grandes cataratas. Fica no noroeste do país, em fronteira imediata com a Zâmbia e mais distantemente com Botsuana.

Apesar do ambiente seco naquele período, ruas e lojas ajeitadas e hotéis luxuosos compunham o cenário, bem como babuínos e javalis que circulam livremente, quando não outros animais maiores.

victoria falls cidade

Fiquei hospedado no Shoestrings Backpackers, que inclui quartos compartilhados por 15 dólares. Só faltou os responsáveis terem mais cuidado com a conservação e limpeza do espaço. Lá a internet é paga por hora, como aparentemente qualquer lugar na cidade.

Shoestrings Backpackers

Além de fazer um rancho num supermercado de verdade próximo (OK), reservei um safári para o dia seguinte em Kasane, Botsuana. Detalhe: na hospedagem saía por 160 dólares, enquanto que negociando na rua das agências de passeio paguei apenas 120! Fiquei bem desconfiado que fosse golpe, já que tive que adiantar metade. Confiram o desenrolar no próximo episódio.

De volta do safári, no dia seguinte fui visitar o Parque Nacional das Cataratas Vitória. Caminhei até lá, tentando em vão esquivar-me dos insuportáveis vendedores de rua, que tentam despachar a todo custo artesanatos, passeios, drogas e notas de milhões, bilhões e até mesmo trilhões de dólares zimbabueanos – resquício dos tempos de hiperinflação. Atualmente a moeda oficial é o dólar americano.

trillion dollar bill

Parque Nacional das Cataratas Vitória

No lado do Zimbábue custa 30 dólares a entrada. As cataratas, se considerados os critérios de volume, altura e largura, são as maiores do mundo, juntas com as do Iguaçu e do Niágara. Há uma série de mirantes para se observar de ângulos diferentes as múltiplas quedas. Mesmo na estação seca, não deixam de ser espetaculares.

parque nacional victoria falls

Na parte terrestre consegui ver um antílope imbalala, um javali, alguns mangustos e um bando de simpáticos macaquinhos vervet (Chlorocebus pygerythrus), cuja principal característica são as bolas azuis. Eles chegam a interagir com os humanos.

vervet monkey

A vista do lado leste do parque, já sem a mata, é diferente, ainda mais durante a estação seca. É melhor observado pela Zâmbia.

cataratas vitoria

Fotografei mais uns tantos pássaros pelo parque, como esse diferentão cabeça-de-martelo (Scopus umbretta)…

Scopus umbretta

… Enquanto esperava o arco-íris, que surgiu no começo e se tornou duplo no meio da tarde.

Parque Nacional das Cataratas Vitória

The Snake Pit

Saindo do parque, passei no The Snake Pit, o serpentário inaugurado há cerca de um ano, onde por 7 dólares tive a oportunidade de ver algumas das serpentes mais venenosas do mundo que vivem naquele ecossistema e tocar em outras. Reparem na felicidade do funcionário, que mesmo depois de ter sido picado algumas vezes ainda continua pegando um monte de serpentes venenosas de cada vez.

snake victoria falls

Em seguida foi a minha vez, com as inofensivas, é claro. Nada como uma cobra para tirar a cera do seu ouvido.

cobra snake pit

À noite resolvi ignorar o enxame infinito de mosquitos e curtir a festa que rolava forte no albergue, entre turistas e locais. Fiquei de cara que tocaram até mesmo músicas latinas. Pena que houve um rolo no final por causa da irresponsabilidade do funcionário do bar que estava bêbado.

No outro dia fui a pé visitar Livingstone, na Zâmbia (em breve).

De volta ao Zimbábue, enquanto preparava minha janta no albergue, conheci uma dupla japonesa de viajantes, Hiroki e Yu, que estava fazendo um trajeto parecido com o meu. Fiquei assustado quando eles me disseram que tiveram o ônibus apedrejado na Etiópia devido aos protestos contra o governo, enquanto eu passei ileso por lá.

matheus and hiroki and yu

Big Tree

Em alguns dos dias em que fiquei vagando pelos arredores da cidade, terminei explorando por conta própria uma área de savana ao redor da Big Tree, um baobá gigante no limite da cidade com o parque. Basta seguir a via Zambezi Drive que você chegará lá.

Leões e outros carnívoros já foram vistos nessa zona. Felizmente, só avistei antílopes, como esse bando de impalas (Aepyceros melampus)…

impala victoria falls

… E os receosos inhacosos (Kobus ellipsiprymnus), além de animais menores, como galinhas-d’angola e passarinhos.

inhacoso

Me embrenhei na mata, saindo de lá quando já anoitecia – a pior hora para um ser humano estar ali, já que é quando os predadores estão mais ativos.

O dia seguinte foi meio ocioso. Deixei ele para resolver os problemas e dar um trato no corpo, além de passar novamente no baobá gigante e cruzar com um grupo dos grandões kudus no meio da estrada.

Finalmente, pela manhã voei pela Fastjet para Joanesburgo e fiquei esperando no aeroporto pelo meu voo seguinte à Cidade do Cabo.

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